Sessão Solene em comemoração aos 38 anos da Academia

No dia 25 de novembro, a  Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina promoveu uma Sessão Solene em comemoração aos trinta e oito anos de instalação da entidade, que se realizou no salão nobre do Palácio do Comércio, nesta cidade, com a participação especial do Coro da UEL.

A Sessão Solene ocorreu no mesmo local onde, há 38 anos era fundada nossa Academia, com a presença de personagens ilustres da cidade de Londrina à época.


A mesa diretiva, vendo-se à direita o novo Acadêmico empossado, Marco Antonio Fabiani,
no momento do seu pronunciamento

No início da solenidade, foi formada a mesa diretiva, composta pela Vereadora Elza Correia (autora do projeto para concessão da Medalha Ouro Verde pela Câmara Municipal para nossa Academia), a presidente Leonilda Yvonneti Spina, a 1a. Vice-Presidente Pilar Álvares Gonzaga Vieira, a 2a. Vice-Presidente Maria Lucia Victor Barbosa e nosso Orador Sergio Alves Gomes.

Leitura do Credo Acadêmico
por Léo Pires Ferreira
O Acadêmico Léo Pires Ferreira foi convidado pelo Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos, a ler o Credo Acadêmico e em seguida foram feitos breves pronunciamentos por parte de Claudio Tedeschi, presidente da ACIL (Associação Comercial e Industrial de Londrina), da veradora Elza Correia e da nossa presidente Leonilda Yvonneti Spina.


Foi a vez do Coral da UEL (Universidade Estadual de Londrina) brindar os presentes com lindas apresentações de consagradas músicas populares brasileiras, sob a regência do Maestro Denis Pereira do Amaral Camargo. 


Em seguida, o Orador Sergio Alves Gomes deu as boas-vindas aos novos Membros Efetivos ou Titulares: Dinaura Godinho Pimentel Gomes, Elve Miguel Cenci, Marco Antonio Fabiani e Neusi Aparecida Navas Berbel, com o pronunciamento que se segue: 

Discurso proferido pelo Acadêmico e Orador Sergio Alves Gomes, recepcionando os novos Acadêmicos

(O orador, após as saudações exordiais, iniciou o discurso tratando sobre as  origens etimológicas da palavra “academia”). Mencionou, com base em suas pesquisas,   que o referido termo está vinculado a  Academo  (do grego AKÁDEMOS) – herói ático que revelou a Castor e Pólux (filhos gêmeos de Zeus) o lugar exato em que Teseu havia escondido Helena, por este raptada.  O túmulo de Academo ficava num subúrbio de Atenas. O lugar em que o herói fora sepultado estava cercado por um bosque sagrado. Platão comprou parte do bosque e nele instalou sua escola. Para homenagear o herói Academo denominou-a “Academia”  que ali funcionou por mais de 1000 anos.
(Na sequência, o Orador destacou que)
Na modernidade, consoante registra a “Enciclopédia Mirador Internacional“ é, sobretudo, a partir do século XVII que florescem as mais importantes academias, não só de letras e de estudos filológicos, mas também de ciências e artes. Em 1603 surge em Roma a Reale Accademia Nazionale dei Lincei, que se dedicou às ciências naturais e à astronomia, tornando-se modelo de outras academias de ciências, como Royal Society, fundada em Londres em 1660, e da Académie Royale de Sciences, de Paris, em 1666. A Académie Française, criada por Luis XIII em 1635, tornou-se [...] modelo geral das academias de letras, sobretudo na Bélgica e Espanha”.  
Atualmente, difundem-se pelo mundo uma multiplicidade de Academias Internacionais, nos mais variados campos do saber humano.  Simultaneamente, é imensa a gama de países que cultivam suas Academias nacionais.  

(Sobre o conceito de “Academia”, o discurso ressaltou o seguinte):  
Na clássica obra do século XVIII, Enciclopédia  ou Dicionário razoado das ciências, das artes e dos ofícios de  DENIS DIDEROT ET JEAN LE ROND D’ALAMBERT, ensina D’ALAMBERT que uma academia é composta “por pessoas de capacidade diferenciada, que comunicam umas às outras suas luzes e compartilham suas respectivas descobertas, para a vantagem mútua” .
(Feita a citação, o Orador convidou o Auditório à seguinte reflexão):
Reflitamos, pois, por um átimo, sobre tal conceito: 
Os diferentes talentos pessoais são inerentes a cada ser humano e se desenvolvem na medida de seu cultivo, por meio da formação, da educação a que se tiver acesso. Todos temos necessidade de estabelecer comunicação recíproca e com o mundo no qual estamos inseridos. Somos também, enquanto seres humanos, capazes de compartilhar experiências, vivências e o conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida. E o ambiente da Academia convida e propicia tais diálogos entre seus partícipes e a sociedade na qual fazem parte. 
Nesta memorável noite, a ACADEMIA DE LETRAS, CIÊNCIAS E ARTES DE LONDRINA muito se enriquece com o ingresso de quatro novos acadêmicos  em seu quadro de sócios efetivos. São pessoas dotadas de luz própria. Cada uma delas traz consigo sua  história de vida, a qual abrange  a de sua formação pessoal, profissional e suas experiências laborais, nas respectivas áreas de atuação.  
Olhemos para cada uma delas e reflitamos um pouco sobre o valor pedagógico e o alcance social de seus estudos, suas práticas e experiências profissionais: 

(Neste trecho central do discurso, o Orador dirigiu a palavra de saudação e acolhimento a cada um dos novos acadêmicos. Olhando para NEUSI APARECIDA NAVES BERBEL, asseverou  que...)
Ao longo de muitos anos, sua dedicação   concentrou-se na área da educação.   Educação que é direito e dever fundamental, nos termos da nossa Constituição  Federal que, em seu art. 205, estabelece três objetivos a serem alcançados por meio do processo educacional: o pleno desenvolvimento da pessoa; seu preparo para o exercício da cidadania; e sua qualificação para o trabalho.
Sobre a educação, diz ROUSSEAU em sua obra Emílio ou da Educação: “nascemos fracos, precisamos de força; nascemos carentes de tudo, precisamos de assistência; nascemos estúpidos, precisamos de juízo. Tudo o que não temos ao nascer e de que precisamos quando grandes nos é dado pela educação”.
Sabe-se também que não há democracia sem educação para a convivência democrática e  que a educação só pode vicejar no ambiente de  liberdade democrática. Logo, trabalhar pela educação  é lutar pela democracia, trabalhar pela democracia implica lutar pela educação. A educação é, pois, condição de possibilidade para a concretização do Estado Democrático de Direito ( CF. art.1º). 
Professora Neusi, seu “currículum vitae” atesta uma trajetória de vida consagrada, proficuamente, à educação. Por isso, a Academia festeja o ingresso de tão experiente educadora no quadro de seus integrantes. Bem vinda à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina. 

(Olhando para DINAURA GODINHO PIMENTEL GOMES, prosseguiu o Orador)
[...]  A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina regozija-se pelo seu ingresso no rol dos sócios efetivos com manifesta disposição para contribuir com os elevados objetivos desta Instituição, por meio dos conhecimentos oriundos da pesquisa, da experiência e do magistério, em seu campo de produção e atuação intelectual. É pública sua trajetória da advocacia ao ensino jurídico, do magistério do Direito à magistratura e desta, novamente, ao magistério jurídico. Reconhece-se que em todos este percurso, a doravante titular da cadeira n.24 manteve o simultâneo exercício das letras jurídicas, compartilhando seu pensamento com o público leitor de suas tantas publicações em livros e revistas especializadas. 
Um parágrafo de sua autoria é suficiente para atestar  sua dedicação à constante busca da Justiça, especialmente nas relações laborais  (extraído do seu  Livro “Direito do Trabalho e Dignidade da Pessoa Humana, no Contexto da Globalização Econômica, publicado pela Editora LTR, de São Paulo)
“Convém reiterar que, à luz da Lei Maior, que tem por fim proteger a dignidade da pessoa humana – um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito – o trabalho deve ser visto sempre como valor social, sendo certo, assim, que tanto a ordem econômica quanto a ordem social devem ter por base o primado do trabalho humano (CF. arts. 170 e 193).”
Trata-se pois da defesa de uma ordem econômica e financeira, conforme prevista na Constituição Federal, que valorize não apenas o lucro e a livre iniciativa mas que também “assegure a todos uma existência digna”.  E este equilíbrio é o que a Constituição Federal denomina “Justiça social”.
Bem vinda, pois, Professora Dinaura, à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.

(Ao dirigir a palavra a ELVE MIGUEL CENCI,  assim se expressou:)
Caro Professor Elve, na sociedade globalizada em que vivemos, sociedade em rede, sociedade do espetáculo, sociedade do risco, sociedade mundial, sociedade do exacerbado consumo por alguns e da carência de quase tudo por milhões de outros, perguntamos: afinal, quem somos nós? Somos humanos? Onde estamos e para onde vamos? O que queremos da vida e do convívio em sociedade? É possível uma convivência democrática? Uma convivência menos injusta, mais fraterna e mais feliz para todos?  E o mundo em que vivemos, o que temos feito dele? Como tratamos a natureza? Depois de nós o dilúvio?(pergunta o filósofo francês FRANÇOIS OST). Será que já aprendemos a conviver? O filósofo alemão GADAMER responde que não. E parece que ele tem razão, quando olhamos para as contínuas guerras, para o terrorismo, para a xenofobia, para a fome que ainda assola milhões... E então o que fazer? 
São questões que, para além da economia, indagam o pensamento filosófico, a Filosofia Política e a Filosofia Jurídica. Por isso, a Academia recebe, com júbilo, também os filósofos. A Filosofia, mãe de todas as ciências, nasce, conforme nos lembra Aristóteles, diante do espanto e da admiração.  E hoje, no mundo em que vivemos, temos muito, sobretudo, com o que nos espantar, mas também temos com o que fomentar nossa admiração e encantamento, se, realmente, aprendermos a distinguir o banal do essencial. 
Pois bem, uma competente, exemplar e frequente  reflexão filosófica,  com viés também  político e jurídico,  tem se feito presente nos  estudos,  projetos,  palestras, livros, aulas do Prof. Elve Miguel Cenci, além de tantas   entrevistas radiofônicas, impressas e televisivas concedidas a tais  meios de comunicação, sempre com o intuito de esclarecer e formar a opinião pública sobre temas de alta relevância para o convívio democrático. 
Professor Elve, com júbilo, a Academia o recebe como membro efetivo, nesta noite, na certeza de que sua presença e atuação muito nos enriquecerão, por meio de seus conhecimentos a serem compartilhados. E - como diria o filósofo londrinense Mário Sergio Cortella, -  por meio, sobretudo, de suas “provocações filosóficas”. 
Bem vindo, pois, à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.  

(Dirigindo-se a MARCO ANTONIO FABIANI, disse o Orador:)
Na pessoa de Marco Antonio Fabiani ocorre o encontro da Ciência Médica, e de modo especial da Cardiologia com a Literatura. Ambas podem ser vistas como preventivas e curativas. Ambas, certamente, fazem bem ao coração.  A Medicina, consoante o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa,  é o “conjunto de conhecimentos relativos à manutenção da saúde, bem como à prevenção, tratamento e cura das doenças, traumatismos e afecções.”
A Literatura, consoante Nelly Novaes Coelho ,  “é Arte,  é um ato criador que, por meio da palavra, cria um universo autônomo, realista ou fantástico, onde os seres, coisas, fatos, tempo e espaço, mesmo que se assemelhem aos que podemos reconhecer no mundo concreto que nos cerca, ali transformados  em linguagem, assumem uma dimensão diferente: pertencem ao universo da ficção”.
 A ficção, por ser criação humana, relata vivências peculiares que expressam valores, paixões, sentimentos de cunho universal, passíveis de serem vivenciados por todo e qualquer ser humano. A literatura, por meio de seus personagens, diverte, emociona, fantasia, imagina possibilidades, convida a sonhar e enriquece a cultura. Diante disso, como não concluir que a Literatura também “faz bem à nossa saúde mental e espiritual e, consequentemente, inclusive física, considerando que  a dimensão somática  é, comumente,  afetada pelas  emoções?
Na talentosa atuação de  Marco Antonio Fabiani, cruzam-se e fundem-se lições e inspirações que vêm  de HIPÓCRATES e GALENO, na Medicina;  de Dostoiewski, Victor Hugo, Machado de Assis, Gabriel Garcia Marquez, William Sheakspeare e tantos outros mestres da Literatura Universal que, com certeza, lhe fazem ótima  companhia.
Destarte, a Academia sentir-se-á mais saudável ainda com a presença do ilustre médico e escritor FABIANI, que com sua verve peculiar continuará a nos brindar com suas criações literárias, antídoto que parece ser eficiente também contra a depressão e outras patologias contemporâneas às quais se aconselha a “biblioterapia” (terapia por meio de livros, segundo o escritor francês MARC-ALAIN OUAKNIN, autor de obra com tal título).
Afinal, se alguém se sentir muito aborrecido diante da estressante  rotina que leva, não é mais preciso ir embora para Pasárgada, com Manuel Bandeira, e nem para Maracangalha, com Dorival Caymmi. Vá para um lugar escolhido por FABIANI, um lugar onde “tudo é de graça e ouro brota do chão”. Compre uma passagem para SONHOLINDO, e embarque no conto FANTASIAS da obra “Histórias de um Norte Tão Velho”, mas do nosso novo Acadêmico.
Bem vindo, FABIANI à nossa Academia, mas com uma condição: a de que nas próximas férias nos leve todos para SONHOLINDO (risos na plateia). 

(Encaminhando o discurso para seu final, o Orador chamou atenção para o lema da Academia de Letras Ciências e Artes de Londrina e teceu considerações sobre a relação entre conhecimento e sabedoria; cultura biófila e cultura necrófila, invocando para tanto trechos do poeta norte-americano Thomas Stearns Eliot e do filósofo alemão Erich Fromm, respectivamente)

O lema de nossa  Academia  é: “Semeando Conhecimentos e Cultura”.
Ao se falar em conhecimento, vem-me à mente, diante do mundo contemporâneo, as mesmas perguntas que o poeta T.S. ELIOT lançou  em sua obra “The Rock” (1934), quando já se manifestavam os primeiros sinais do totalitarismo que tomou conta da Europa, na II Guerra Mundial:
“Where is the life we have lost in living? (Onde está a vida que perdemos vivendo?)
Where is the wisdom we have lost in Knowledge? (Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?)
Where is the knowledge we have lost in information?” (Onde está o conhecimento que perdemos na informação?)
O filósofo e psicanalista alemão ERICH FROMM, em sua obra “O Coração do Homem” faz a distinção entre  biofilia e necrofilia. A biofilia se caracteriza pelo “amor à vida”, enquanto à necrofilia significa “amor à morte”. Hitler, segundo Fromm, foi um exemplo de sujeito necrófilo e disseminou cultura necrófila. Quem respeita a vida e a promove é sujeito biófilo. O conhecimento e a cultura referidos no lema desta Academia apontam em direção à busca da sabedoria, da prudência, do equilíbrio, da fraternidade, da comunicação que visa à compreensão entre pessoas, povos e nações.
No âmbito da cultura biófila, a vida é valor que inspira respeito. No da cultura necrófila, a vida é quimera, nada vale. Respeito conduz à noção de dignidade, inerente à cada ser humano pelo simples fato de ser uma pessoa.
Por último cabe lembrar que Letras, Ciências e as Artes não conhecem fronteiras, salvo quando reprimidas e proibidas em sua livre expressão, pelo autoritarismo despótico de governos antidemocráticos. 
As Letras formam palavras. Palavras compõem monólogos, diálogos, criam narrativas, elaboram descrições. Palavras produzem ensaios, teses, poesias, peças teatrais, versos e prosas. Palavras dizem preces, sermões, palestras, conferências. Fazem livros, jornais, revistas, cartas, telegramas, e-mails...  Elaboram textos que falam de tudo e de todos, pelas mais diversas formas de expressão. 
As letras estimulam vida e abrem caminhos. Com elas amplia-se o mundo, a compreensão, viaja-se pelo universo. Para encontrá-las, basta abrir um livro, um periódico, olhar para os anúncios. E aí começa o diálogo com o texto escrito. Tamanho é o seu poder e influência que sempre acaba por nos transformar porque constroem linguagens que provocam mudanças em nosso  pensar e em nosso agir. Por isso, o filósofo austríaco Wittgenstein, em lapidar frase nos disse: “Die Grenzen meiner Sprache bedeuten die Grenzen meiner Welt”: os limites da minha linguagem significam (são) os limites do meu mundo”.  
O saber científico de mãos dadas com as Letras engendra a Ciência, evolui e se expande pelo mundo. 
Com as Letras também a Arte se faz. Seja em prosa ou em verso. Na literatura de ficção, na poesia, nos palcos das artes cênicas, na voz dos atores, das atrizes, dos cantores e trovadores...
Sem Arte, as letras não teriam beleza, soariam toscas, sem gosto e sem estilo. Seriam simplesmente letras.   
Dizer Ciência com letras é  fazer Ciência com arte e é Arte de quem sabe as Letras.
Celebremos pois o 38º  aniversário da união, em nossa Academia, desta majestosa tríade: Letras, Ciências e Artes.
Bem vindos, pois, Novos Acadêmicos, com alegria e entusiasmo ao nosso convívio fraterno, ao nosso banquete intelectual.

Muito obrigado!

____________________________________________

Fala do Acadêmico empossado Marco Antonio Fabiani, em nome dos quatro novos Acadêmicos

Literatura é uma viagem infinita e instigante através da alma humana. Percorre territórios desconhecidos do espírito. Toca picos sublimes e vales sombrios, num exercício constante de curiosidade e liberdade. Por esses caminhos, expande os limites da existência. 
Ela, a mais simples das artes, pode expressar-se apenas pela voz, pela grafia de símbolos, seja numa pedra, num papiro, ou acomodar-se em páginas de livros. Pois, como arte que é, responde a um único chamado: expressar o humano sem limites de qualquer espécie. E, nesse universo de palavras, aprendemos a ver a vida e suas vicissitudes sem as amarras da razão. Por isso mesmo, ampliamos o olhar sobre nós e sobre o que nos rodeia. Tanto pela delicadeza ou contundência dos versos, como pela profundidade da prosa. 
Oscar Wilde, certa vez indagou: onde estavam os nevoeiros de Londres, antes que Willian Turner os pintasse? Parafraseando Wilde podemos indagar: onde estavam os Sertões brasileiros antes que Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos os descrevessem? E o Rio de Janeiro, cidade cosmopolita nos fins do século XIX, cujos costumes Machado de Assis nos descreve e encanta? Indo além: onde estarão, no futuro, os cafezais do norte do Paraná, símbolo maior de prosperidade e de uma civilização que impressionou o mundo? Respondemos de imediato: nas páginas de poesias, contos, romances. Obras que servem ao mesmo tempo, de luz e espelho para nos vermos e nos percebermos como humanos, brasileiros, paranaenses, londrinenses. 
Nas páginas de obras universais nascem personagens complexos, nos quais todos nós, em todas as épocas, nos miramos e aprendemos. Há um pedacinho de nós, na loucura de Don Quixote, o fidalgo pobre que resolve matar a realidade e se entregar à fantasia de forma desabrida. Há a futilidade de Madame Bovary, que Flaubert descobre em meio ao tédio feminino. Estão lá os dilemas de Riobaldo e Diadorin, perdidos no sertão encantado de Guimarães Rosa; as dúvidas de amor no olhar oblíquo de Capitu. Ou nos peões de rosto sujo de Londrina nos seus primórdios, retratados à exaustão nos trabalhos literários de nossos escritores.
A riqueza imaterial que a literatura expressa, necessita de cuidados. Precisa de seus campos de cultivo, de arcas seguras que guardem o tesouro, para que a ação do tempo não destrua o que se conquistou. A essa tarefa delicada, a Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, dedica-se há 38 anos. Uma missão inaugurada por seu primeiro presidente, Dr João Soares Caldas, continua e continuará como guardadora fiel dos trabalhos literários, incentivadora de novas aventuras e espaço aconchegante para férteis debates.
O que são as Academias de letras, se não um espaço privilegiado de convívio e compartilhamento de amor pela literatura? Espaço de cultivo da elevação da língua portuguesa a altos de níveis de cuidados e embelezamento. E, claro, um espaço de cultivo de todas as artes e de sua irmã a Ciência. Se a arte e a literatura expandem, a ciência explica, dimensiona. São gêmeas univitelinas.
E se as Academias de Letras de modo geral e a de Londrina em particular aceita esse desafio, só nos resta, de mãos dadas, caminharmos e enfrentá-lo de mãos dadas. Doce tarefa! 
Nós, Neusi Berbel, Elve Cenci, Dinaura Godinho Pimentel e 
Marco Antonio Fabiani, que a partir de hoje nos tornamos novos membros dessa academia, queremos agradecer da maneira mais enfática a oportunidade de conviver e partilhar com os acadêmicos o amor pela literatura, pelas artes e pela ciência. Dividir com todos, a alegria de estarmos, de agora em diante, mais que participando, nos responsabilizando também em levar adiante a boa leitura. 

Obrigado, Academia De Letras, Artes e Ciência de Londrina!



Na mesma oportunidade foram homenageados com o título de Membros Beneméritos o Dr. Luis Parellada Ruiz e a Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira, além de ter sido agraciado com o título de Membro Honorário o nosso Mestre de Cerimônias Jonas Rodrigues de Matos e concedido um certificado de participação ao Maestro Denis Pereira do Amaral Camargo.

PALAVRA DA PRESIDENTE

Ao usar da palavra a presidente Leonilda Yvonneti Spina agradeceu a todos que prestigiaram a noite festiva, especialmente ao senhor Claudio Tedeschi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), por ter cedido os espaços para a realização do evento.  
Ressaltou a alegria em podermos celebrar os 38 anos de fundação da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina (Alcal) naquele auditório, que foi o berço da instituição, em 23 de setembro de 1978. Comentou que ali também ocorreram a posse dos primeiros acadêmicos, em 15 de novembro de 1979 e a primeira reunião ordinária, em março de 1980, com a realização da Noite da Poesia. E manifestou o orgulho de ter ali recebido o diploma de Membro Efetivo, na segunda posse de acadêmicos, em 06 de novembro de 1994.
Comentou que na solenidade de instalação foram registradas presenças importantes da política local, estadual e nacional, autoridades do judiciário e do ensino, representantes do empresariado, jornalistas, poetas, escritores, etc..
Citou ainda a presença de expoentes da cultura estadual e nacional, como o famoso escritor vindo do Rio de Janeiro, José Cândido de Carvalho, da Academia Brasileira de Letras, representando o presidente; do escritor Vasco José Taborda, presidente da Academia Paranaense de Letras e familiares do patrono da nossa Academia, o médico e escritor paranaense Eurico Branco Ribeiro, vindos da capital.
Agradeceu a presença do coral da Universidade Estadual de Londrina - UEL, sob a regência do maestro Denis Pereira do Amaral Camargo, afirmando que o coro faz parte da história da Academia, pois abrilhantou a sua instalação, em 1978, quando arrancou efusivos aplausos, numa festa memorável, noticiada pela imprensa como “uma noite de raro esplendor”. 

Ao final cumprimentou os Membros Beneméritos e o Honorário, pelos relevantes serviços prestados à instituição e encerrou a solenidade convidando todos para uma confraternização.



Após a solenidade, a Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina ofereceu um informal café colonial aos Acadêmicos e convidados, fechando com chave de ouro este evento mais do que especial.

A nossa Academia agradece a todos aqueles que compareceram para prestigiar o evento e aos inúmeros e-mails, telefonemas e mensagens de congratulações recebidos, inclusive via redes sociais.

Extratos da reunião de 13/11/2016

Mesa diretiva, composta pelas Acadêmicas Pilar Álvares Gonzaga Vieira, Vice-Presidente, Leonilda Yvonneti Spina, Presidente 
e o palestrante do dia, Dr. Glauco Borba

Nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos
conduziu a reunião

A Acadêmica Ludmila Kloczak procedeu
à leitura do Credo Acadêmico

DESTAQUES ACADÊMICOS

Reflexão:
Exigências dos Direitos Humanos como Núcleo Ético-Jurídico e Político da
Democracia
Acadêmico Dr. Sergio Alves Gomes


O propósito motivador do presente estudo consiste na construção de argumentos favoráveis à concretização  dos direitos humanos e da democracia  como elementos indispensáveis ao convívio social  pacífico e justo. 
Intenta-se, mediante tal reflexão, fortalecer  a compreensão sobre a relevância dos direitos humanos e a defesa de sua prevalência em toda e qualquer situação em que esteja em jogo o respeito à dignidade humana, o que implica, por consequência, a busca pela  expansão de uma sociedade inclusiva, isto é, não-excludente, uma sociedade cujo ambiente possa ser percebido como “morada, habitat” adequado à vida e ao pleno desenvolvimento de todo ser humano.  
Ao se situarem os direitos humanos como núcleo ético-jurídico e político  da democracia, pretende-se vê-los como essenciais à existência desta.  Assume-se, destarte, que não é possível dissociar a concretização dos direitos humanos da vivência  democrática, sem a qual o indivíduo  não disporá dos meios indispensáveis ao desenvolvimento das faculdades inerentes à sua própria natureza.
Em síntese, entende-se que sem a vivência dos direitos humanos não há democracia. Sem democracia, não há respeito a direitos humanos. Pois, na ausência desta, o indivíduo vê-se tolhido da efetiva possibilidade  de realizar-se  como sujeito partícipe de sua própria história, a qual engloba a de seu grupo, de seu país, de seu continente  e do mundo em que vive.   Se não participa, não se integra.  O “não-integrado”  é um  excluído.  A exclusão fere profundamente a natureza humana. Torna  o  ser humano - sociável e político por natureza, conforme as lições de Aristóteles  -    menos humano.  O ambiente de exclusão conduz  à barbárie. Nele habitam o egoísmo e a cegueira. Ambos são terrenos férteis para  engendrar a violência, produtora do caos.       
Lamentavelmente, a realidade  contemporânea conta com forte presença da barbárie permeando a  civilização. Tem-se um mundo farto de excessos, desequilíbrios, injustiças.  O Direito, no entanto, conforme aqui pensado,   pode ser transformador da realidade  social .  Pode opor-se à barbárie e engendrar, com base na Ética, a pauta de um  dever-ser que seja, ao mesmo tempo,  ético e jurídico. Ambos devem orientar a atuação política, para que esta se dê sempre em benefício do bem comum.   Para tanto, exige-se  a cooperação entre consciência, vontade e sensibilidade humanas: a consciência do que significa ser humano,  a vontade de construir um mundo favorável ao desenvolvimento de todos os seres humanos, ambas motivadas pela sensibilidade que possibilita a intuição emocional dos valores e o consequente reconhecimento da pessoa humana como valor capaz de  congregar a vivência dos demais valores.     
A consciência do dever-ser ético e jurídico clama pelo respeito ao ser humano, após terríveis experiências históricas que  o coisificaram ao máximo, por meio da “banalização do mal”, conforme expressão da filósofa Hannah  Arendt.
Tem-se por inaceitável a relativização absoluta de todos os valores, sob pena de se concretizar em plenitude o “mundo da natureza” desenhado por Hobbes. O valor da dignidade do  ser humano há de ser sempre preservado quando  se pretende uma sociedade democrática. É o limite que se reconhece a fim de não se retroceder à barbárie dos regimes totalitários e autoritários. Tal salvaguarda se concretiza por meio dos direitos humanos e  da democracia, a qual se institucionaliza no  Estado Democrático de Direito, paradigma caracterizado por um conjunto de princípios, dentro os quais tem proeminência o princípio da dignidade humana, inerente a todo indivíduo, pelo simples fato de ser uma pessoa e não uma coisa.  
Frise-se que o Estado Democrático de Direito contextualiza-se no âmbito da pluralidade de nações. Orienta-se em suas relações internacionais pelo princípio da cooperação, visando o bem da humanidade e assume perante a comunidade internacional o compromisso de dar “prevalência aos direitos humanos”. Consequentemente, exige maior diálogo entre a Constituição e os pactos internacionais que o País ratifica, o que implica a necessidade de intercâmbio entre Direito Constitucional e Direito Internacional dos Direitos Humanos. Com isso, o empenho na concretização de tal paradigma corrobora com o avanço da globalização também dos valores democráticos, visando à superação dos excessos e abusos do mercantilismo neoliberal excludente. 
Para que a democracia e os direitos humanos se concretizem, certos requisitos éticos, políticos e jurídicos hão de ser atendidos, como condição de possibilidade para tanto. Todavia, nenhum destes pressupostos pode ser compreendido sem o prévio questionamento sobre o sujeito em razão do qual Ética, Política e Direito ganham sentido: o ser humano. Assim, a principal pergunta kantiana merece atenção: “O que é o homem”? Diante desta questão fundamental, cabe refletir sobre a pessoa humana, os valores que orientam sua existência, o reconhecimento de sua dignidade e as decorrências de tal reconhecimento. Com isso, espera-se aclarar as razões pelas quais direitos humanos e democracia se interligam por meio de uma recíproca interdependência e fazem deles um núcleo ético-jurídico e político da convivência democrática. Quando tal núcleo é atingido em  razão do baixo índice de respeito a princípios éticos que servem de sustentáculo ao Direito e à Política, tem lugar o fenômeno da corrupção que assola e faz sofrer toda a sociedade. E este é um grande desafio para os tempos atuais, em vários países do mundo, de modo especial no Brasil, que vive grave crise de natureza moral, econômica, política e social, onde os escândalos oriundos de homens corruptores e corrompidos, ocupantes de elevadas posições políticas e econômicas, tornaram-se rotina nas manchetes diárias. Todavia, felizmente, várias instituições democráticas – especialmente a  Polícia Federal, o Poder Judiciário e o Ministério Público - têm demonstrado efetivo desempenho no combate a tal praga corrosiva das possibilidades da democracia. Pois só por meio desta é que se pode construir o ambiente adequado à vida e ao desenvolvimento pleno do ser humano. Para tanto, suas características merecem especial atenção e será objeto de análise do próximo tópico. 

OBS. O texto foi adaptado, mediante exclusão das notas de rodapé, para a comunicação apresentada pelo seu autor nesta reunião. O texto completo (a apresentação restringiu-se à introdução do tema) encontra-se publicado como capítulo I, do livro Estudos em Direito Negocial: Relações Privadas e Direitos Humanos, organizado por Miguel Etinger de Araújo Júnior e Ana Cláudia Corrêa Zuin Mattos do Amaral e publicado pela Editora Boreal, Barigui, 2015.

__________________________________________

Declamação:
Paraná, meu coração!
Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, de sua autoria


Paraná - Rio caudaloso –
Solo roxo, rico, uberoso.
Terra de todas as gentes:
- Eslavos, árabes, latinos,
Orientais, tupis-guaranis.
Charruas, arados e sinos,
Soja, aveia, mate, rami.

Paraná do avanço do oeste,
Dos mares mansos do leste,
Do norte – viris pioneiros!
Do arrojo dos pés vermelhos,
Do ouro verde dos cafezais.

Das rochas que a mão do vento
Esculpiu em Vila Velha.
Velha Lapa valorosa,
Antiga rota de tropeiros!

Morretes, Porto de Cima,
Os solares de Antonina
Com sua história secular.

Ilha do Mel, Serra do Mar,
Paranaguá – Porto primeiro!
Azuis encostas, mil gaivotas
Alçando voos altaneiros.

Garças brancas, guaxinins
Habitando os manguezais.
Frágeis codornas, perdizes,
Nos férteis Campos Gerais.
Equilibrando com graça
Lá vai Maria fumaça
Cortando abismos, rochedos,
Mais parecendo um brinquedo
Ante o pico Marumbi!

Véu de Noiva, chuva de prata
Resplendente desce em cascata
Regando a flora majestosa.

Antiga Estrada da Graciosa,
Santuário da Natureza.
Primavera eterna: - Bromélias,
Orquídeas, brincos de princesa.

Surucuás, saíras, sabiás-laranjeira,
Canários da terra, gaviões-tesoura,
Bem-te-vis... Fontes, vales, riachos,
Ribeiras... Arapongas e colibris.

Paraná, da Capital das Araucárias,
Formosa Curitiba, Cidade Sorriso!
Paraná, Shangri-la: - Paraíso!
Lendário Paiquerê, Eldorado!
Tem os doces de Antonina,
De Morretes o barreado.
Tem o porco no rolete,
O risoto e a polenta
De Santa Felicidade.

Pulmão verde brasileiro,
Do mundo eterno celeiro,
Cereais – Ouro a granel!
O semeador, com sorriso,
Colhe aqui grãos qual granizo,
Frutos de sol e de mel.

Doces murmúrios de matas,
Cantares das Cataratas
Do Iguaçu – Louco tropel!
Paraná, pinho, promessa...
Pinheiro, pinha, pinhão.
Gralha-azul arrulha em meu peito:
- Paraná, meu coração!

Observações:
O poema, publicado há mais de duas décadas, foi inspirado no precioso livro “O Paraná”, em edição especial, com belíssimas fotos, de autoria do escritor e fotógrafo Carlos Renato Fernandes, membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Paraná, com apoio do Grupo Empresarial Corujão, cujo diretor presidente era José Carlos Gomes de Carvalho, de quem recebi a rica obra.
Todas as referências étnicas, geográficas, símbolos do Paraná, aves, pássaros, flores, animais e expressões como “Rio caudaloso”, “Terra de todas as  gentes”, “Santuário da natureza”, “Primavera eterna”, ‘O Semeador”, “Shangri-la”, “Paiquerê”, “Eldorado”, “Pulmão verde”, “Véu de noiva”, “Maria fumaça”, etc., foram retiradas desse magnífico livro.


__________________________________________
Análise:
De quem é a Escola?
Acadêmico Dr. José Ruivo


Motivado pela pergunta que a “esclarecida e experiente” sabedoria da adolescente Ana Lucia Pires Ribeiro, de 15 anos, a levou a fazer em 27 de Outubro de 2016, na Assembleia Legislativa do Paraná, quando da sua apaixonada e emocionada intervenção: “De quem é a escola? A quem a escola pertence?”, eu desejaria esclarecer o significado de algumas palavras:
- Nação: é o conjunto de pessoas, nascidas ou não em delimitado espaço territorial, e que entre si estão ligadas geralmente pelas suas origens étnicas, familiares, religiosas, sociais, linguísticas e culturais, o que lhes dá uma maneira de ser própria e uma identidade intrínseca ou adotada.
- Estado: é a Nação politicamente organizada.Quer isto dizer que, num grupo de pessoas que vivem num território definido, é preciso estabelecer um conjunto de normas que, no dia a dia, permitam um relacionamento e convivência harmoniosa dos integrantes do aglomerado Nação. O principio mais geralmente aceito, nos diz que “O direito de um, termina onde começa o direito dos outros.”
Para escolha destas normas e as fazer cumprir, dentre os integrantes da Nação deveriam ser escolhidos os mais dignos, os mais íntegros os mais sábios, e capazes para administrar. (“Primum inter pares”). Daqui a necessária conclusão: os administradores dos bens ou das riquezas tidos e obtidos pela comunidade, não são propriedade sua, porque nada contribuíram para a sua obtenção; deles apenas são gerentes em nome de outrem: - a comunidade, ou seja; a Nação
“Governar é a arte de estabelecer prioridades, tendo como finalidade a obtenção do Bem-Comum das populações; e não o bem pessoal dos governantes ou dos partidos a que estão filiados”.
Deste modo as famílias associaram-se para as eleições de administradores que, em seu nome, gerenciam o produto do seu trabalho, na parte que é posta em comum. (os impostos).
Assim pensando, a definição de Estado, em si é uma pura abstração; o estado não é uma pessoa, não tem alma, não tem pensamento, não tem livre-arbítrio ou vontade própria, não tendo capacidade de decidir, não lhe é possível atribuir responsabilidade social ou jurídica; ele apenas a toma dos governantes eleitos pela nação.
Em França, na porta de entrada de um instituto de ensino superior, segundo me parece, o 
Instituto de Agronomia está escrito: “A ciência não tem Pátria, nem Religião”. Ao que Louis Pasteur um dos melhores cientistas e benfeitor da humanidade objetou; “mas os cientistas têm”.
Algo parecido está sendo repetido pelos meios de comunicação; “O Estado é laico; não tem religião”. Ao que podemos dizer parafraseando Pasteur “mas os governantes têm segundo sua livre consciência”, que pode ser diferente da dos seus governados.
O Estado é o único dono. Como o Estado não é um ser, na verdade a propriedade passa à tutela do governante ou do partido que representa. Do mesmo modo alguns afirmam que as famílias são incapazes de educar e instruir os filhos. Logo esta deve ser a tarefa do Estado, que é ninguém.
Outros ainda vão mais longe: abolindo a família tradicional. O sexo livre, como no rebanho, gera filhos que imediatamente devem passar a tutela do Estado.  Hitler fez isso, resultando nos filhos de Hitler; as "S.S". e as outras tropas de elite, com todos os horrores subsequentes.
Pensando como o direito natural diz, entendo que a Educação é dever estrito da Família. A Instrução, ou seja a transmissão dos conhecimentos e a maneira de como com eles procedem (leis do pensamento) naquilo que as transcende, é delegada pelas famílias a um conjunto de mestres, especialistas nas várias áreas do saber, a que as mesmas famílias podem não ter tido acesso.
Penso que, aqui encontramos a resposta à pergunta: De quem é a Escola? Sendo as famílias que, com o fruto do seu trabalho as construíram, mantém e pagam os salários dos professores e empregados necessários para seu funcionamento, a resposta é óbvia. A Escola é da Família; mesmo quando sob administração estatal. São os impostos pagos pelas famílias que as constroem e pagam. Os alunos, que nada produzem em termos econômicos, apenas são os beneficiários dos esforços e sacrifícios de seus pais, pelos quais se deveriam mostrar gratos e a eles agradecer. Não acusá-los de opressores. Há casos raros; mas esses são exceções.
É pois um abuso, o julgarem-se donos de qualquer coisa, para a edificação da qual não contribuíram, e que para eles é um dom da família. E mais uma vez vale o princípio: “O direito de um termina aonde começa o direito dos outros.” Tendo em presença o universo de todos os alunos.
E às famílias cabe o direito de orientar nas escolas a formação social, profissional, política ou religiosa que querem para seus filhos; ou seja: o como devem comportar-se na sociedade de que fazem parte. Se dela quiserem sair, devem assumir todas as consequências de seus atos. 
Na realidade, e considerando as invasões das instituições e suas subsequentes ocupações, penso que tanto é crime contra a sociedade o impedir o normal funcionamento das instituições criadas para a garantia da obtenção do bem-comum, como o é a depredação de suas instalações.
Talvez seja um crime maior o da omissão dos administradores, a quem foi confiada a sua gerência, bem como o de garantir o seu livre funcionamento, sempre numa perspectiva de garantir o bem-comum de toda a comunidade nacional.
Para a consecução destes objetivos, ou seja, o garantir a livre harmonia dos integrantes da Nação, a ordem e o livre exercício dos direitos de todos, aos governantes foi confiado o poder, e o dever, de legitimamente exercer a força, sempre em função de garantir a obtenção do bem-comum.

__________________________________________
Apresentação:
Momento da Língua Portuguesa
Prof. Vladimir Moreira


O “Momento da Língua Portuguesa” tratou de dois fatos da língua: a forma de escrita de uma palavra que foi assunto durante as olimpíadas e o uso das palavras por que, por quê, porque e porquê.

O primeiro fato apresentado foi a diferença entre as palavras “paraolimpíada e paralimpíada”. Você já percebeu que agora o nome “Paralimpíadas” ou a expressão “atletas paralímpicos” aparecem sem a letra “o”? A mudança foi feita para igualar ao uso de todos os outros países de Língua Portuguesa.
Desde que os jogos para pessoas com deficiência começaram, os outros sete países que têm o Português como língua oficial (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) já usavam a forma atual. Para que o Brasil não ficasse diferente dos outros países, o Comitê Paralímpico Internacional pediu que fosse feita a alteração.
A mudança foi durante o lançamento da logomarca dos Jogos Paralímpicos de 2016.
Uma curiosidade: O termo vem do inglês: paralympic, criado com base no cruzamento de para(plegic) + (o)lympics. Atleta paralímpico 

O segundo fato foi a diferença no uso das palavras por que, por quê, porque e porquê. Uma primeira análise aponta como principal problema o fato dessas palavras serem  homófonas, ou seja, a não identificação da diferença entre oralidade e escrita. Oralmente são todas iguais. As diferenças aparecem somente na relação sintática que o contexto exigir, a saber:
Por que 
O por que tem dois empregos diferenciados:
Quando for a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefinido que, possuirá o significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”:
Exemplos: Por que você não vai ao cinema? (por qual razão)
Não sei por que não quero ir. (por qual motivo)
Quando for a junção da preposição por + pronome relativo que, possuirá o significado de “pelo qual” e poderá ter as flexões: pela qual, pelos quais, pelas quais.
Exemplo: Os lugares por que passamos eram encantadores. (pelos quais)
Por quê
Quando vier antes de um ponto, seja final, interrogativo, exclamação, o por quê deverá vir acentuado e continuará com o significado de “por qual motivo”, “por qual razão”.
Exemplos: Vocês não comeram tudo? Por quê?
Andar cinco quilômetros, por quê? Vamos de carro.
Porque
É conjunção causal ou explicativa, com valor aproximado de “pois”, “uma vez que”, “para que”.
Exemplos: Não fui ao cinema porque tenho que estudar para a prova. (pois)
Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo. (uma vez que)
Porquê
É substantivo e tem significado de “o motivo”, “a razão”. Vem acompanhado de artigo, pronome, adjetivo ou numeral. 
Exemplos: O porquê de não estar conversando é porque quero estar concentrado. (motivo)
Diga-me um porquê para não fazer o que devo. (uma razão)
__________________________________________

PALESTRA
Leonardo da Vinci:
Uma vida para as Ciências e as Artes
Dr. Glauco Borba*


Auto retrato de Da Vinci
A conclusão é que Leonardo da Vinci foi tão inventor, cientista e artista como seu legado deixado nas artes e projetos de invenções espetaculares! Nascido próximo a Vinci na região da Toscana, viveu uma vida intensa apesar de ua condição de filho bastardo de uma camponesa com um tabelião.
Após os 4 anos seu pai biológico Piero da Vinci assumiu os cuidados com o filho e este teve todo apoio da família para cultivar e desenvolver o seu talento nato.

A Pintura

Leonardo passou por uma conceituada escola /estúdio de
A fantástica Monalisa
artes em Florença e por 12 anos desenvolveu sua capacidade em várias áreas das ciências biológicas, exatas e humanas. Foi uma celebridade durante suas passagens por diversas cidades da Itália para finalmente no final da vida morar na França.
A obra de Leonardo foi um marco de qualidade na Renascença e graças ao seu conceito em técnicas apuradas de pintura deixou para a humanidade verdadeiras obras primas, hoje algumas delas expostas em museus ou estampadas em murais de igrejas. 
Metralhadora criada por Da Vinci
Sua contribuição para o desenvolvimento da ciência é motivo de considerar seu nome como referência no conhecimento para melhorar a qualidade de vida em seus diversos aspectos.




* Cirurgião Dentista, com clínica própria em Londrina. Graduado pela Faculdade de Odontologia de Marília-SP, com Aperfeiçoamento em Prótese.

Entrega do Certificado ao palestrante Dr. Glauco Borba
pela Vice-Presidente, Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira

Extratos da reunião de 09/10/2016

Mesa diretiva, composta  pelo palestrante do dia, Dr. Luiz Eduardo Cheida, ,
a Acadêmica 1a. Vice-Presidente 
Pilar Álvares Gonzaga Vieira, que dirigiu os trabalhos
e a 1a. Secretária Acadêmica Fátima Mandelli


Nosso Mestre de Cerimônias,
Jonas Rodrigues de Mattos

Leitura do Credo Acadêmico,
pela Acadêmica Fátima Mandelli

DESTAQUES ACADÊMICOS
Reflexão, pela Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira:
Da Inquietude do Homem


Ouvimos constantes comentários sobre a inquietação mental e física sentida pela maioria dos povos e nações da Terra.
Dizem esses comentários que essa inquietação é maior do que tem sido por muitos séculos; que o mundo está num estado mental completamente confuso e que isto significa infelicidade, desgraça e atraso do progresso.
Todas estas declarações, particularmente a que se refere ao atraso do progresso, indicam uma análise incompleta e falha da situação. A inquietação do homem em qualquer sentido, físico, mental, espiritual e de outros tipos, sempre foi e continua a ser o maior fator de contribuição para o progresso e desenvolvimento da humanidade.
Se o homem não tivesse se sentido inquieto e preocupado, incomodado e desapontado com as condições em que vivia, no estado primitivo, é bem provável que ele ainda estivesse dormindo nos ramos das árvores ou morando em cabanas de barro espalhadas ao longo das margens dos rios.
Foi porque não se sentia satisfeito com suas condições e porque acreditava poder obter algo melhor, ou porque acreditou que podia fazer coisas melhores, que surgiu a capacidade de construir habitações mais confortáveis e seguras, o desenvolvimento de comunidades organizadas, a confecção de vestuário e a criação de todos os dispositivos que vieram a melhorar a vida material da humanidade.
Não existe sinal mais saudável de progressos reais para o futuro do que a intensa inquietação que hoje é sentida em todo mundo. É verdade que quando nos sentimos inquietos e procuramos descobrir ou criar algo melhor, perturbamos a paz e a tranqüilidade de nossa vida, dos negócios; passamos o sentimento de sermos irrefletidos e sem rumo, em busca de algo ilusório.
No presente, a inquietação que varre o mundo é espiritual, religiosa, política e econômica, e de vários modos é perturbadora e desiquilibrante. Mas é ao mesmo tempo, uma perturbação construtiva, comparável a algo novo, impulsionando o progresso.
Nada pode ser tão contrário ao progresso, tão destrutivo em relação à elevação do homem, individual e coletivamente, do que uma atitude de completa satisfação.
Se você é mental e fisicamente inquieto e sente que nada é completamente satisfatório em sua vida; se você tem o desejo de saber mais, ver mais, aprender e experimentar mais coisas e melhorar as condições ao seu redor, você está no caminho que leva a maiores e melhores coisas, porque sua natureza está se expressando de modo natural.
Toda inquietação nos leva a enfrentar desafios. Todo desafio em nossa vida é um momento que nos conduz para um ensinamento acima do nível em que nos encontramos. É por meio dos desafios que podemos perder o que pensamos amar, para conquistar o que realmente amamos; é por meio dos desafios que tiramos de nossa vida o que julgamos importante, para conquistar o que realmente é importante; é por meio dos desafios que nos aproximamos dos princípios divinos quando orgulho nos afasta de uma conduta dentro de valores reais. 
Todo desafio é um alerta para que encontremos nosso verdadeiro caminho. Quando nossa consciência tem dificuldade em despertar, geralmente tem início uma fase de dificuldades. Nela, o inaceitável parece não ter fim. Não são castigos...São fatores que nos conduzem rumo à verdade de nossa própria vida. Quem não entende isso fica longe do despertar e perde todas as possibilidades de aprimorar sua vida, não percebe a verdadeira causa dos desafios que lhe foram impostos e se depara com dificuldades para vivenciar o verdadeiro efeito positivo que eles trazem nas entrelinhas dos acontecimentos que geram. É no fogo que tempera o aço, atribuindo a ele propriedades mais nobres. Do mesmo modo, é nos desafios que um mundo desconhecido surge à nossa frente, e, para explorá-Ia, uma parte de nossa bagagem deve ficar para trás. 
O universo nos fez num sopro e, quando nos desvíamos de suas leis, ele tenta nos recuperar e nos inspira, colocando-nos de volta no caminho certo - muitas vezes contra nossa vontade - até por meio de fatos que nos causam feridas, tudo porque precisamos aprender algo e progredir. 
Todo desafio é uma oportunidade de crescimento, uma porta que nos leva a despertar forças que não pensávamos ter. Devemos agradecer por eles estarem em nossa vida e decifrá-Ias com entusiasmo e dedicação. Cada desafio vencido-faz de você uma pessoa ainda melhor.
Graças à inquietude e às idéias brilhantes de grandes homens que muito contribuíram para ajudar o progresso, que hoje usufruímos de tantos benefícios, em especial na área médica, de comunicação, transportes e outras tantas que tornaram a vida contemporânea, mais ágil, mais confortável e menos dolorida com o avanço extraordinário na medicina.  
Imaginem como seria o mundo sem a invenção destes grandes gênios:
Santos Dumont, que realizou o sonho de tantos seres humanos – voar, inventando algo mais leve que o ar e aquecido, encurtando longas distâncias e unindo continentes. A sua inquietação levou-o a alçar longos vôos.
Thomas Green Morton, que descobriu a anestesia, tornando possível realizar cirurgias com menos sofrimento, sem dor, objetivo perseguido pelos estudiosos de medicina desde Hipócrates.
Alexander Graham Bell, inventor do telefone.
Benjamin Franklin, inventor do pára-raios.
Alan Turing, inventor do computador.
Steve Jobs, o gênio da informática moderna.
Não é nossa intenção ficar desfilando os nomes dos grandes gênios da história da humanidade, mas lembrar  que sem esses homens e mulheres abnegados, que tanto contribuíram para o progresso, a humanidade não estaria usufruindo de todas essas benesses que tornam nossas vidas menos sofridas e mais confortável.
A todos esses grandes homens e mulheres de grande inteligência e elevação espiritual, nossa profunda gratidão. 
____________________________________________

Relato, pela Acadêmica Ludmila Kloczak:
Participação da nossa Academia no XI Encontro da Academias de Letras do Paraná e comemoração de 80 anos da Academia Paranaense de Letras
Curitiba, setembro


O grupo que representou nossa Academia foi composto pela nossa Presidente Leonilda Yvonneti Spina, e pelas Acadêmicas Rosa Maria de Mello Bonfim, Maria Aparecida de Fátima Mandeli e Ludmila Kloczak.
Na cerimônia de abertura o acadêmico da Academia Paranaense de Letras, Laurentino Gomes, proferiu a palestra “Por que estudar História do Brasil hoje. Como o passado nos ajuda a entender e organizar a construção do futuro”.
Esta palestra introduziu o tema que percorreu todos os trabalhos, o qual se concentrou no estudo da História do Paraná para “a formação de cidadãos conscientes da identidade, do potencial e das possibilidades de valorização do nosso Estado”, conforme reza a legislação de 10/11/2006: O Novo Tratamento Pedagógico da História do Paraná. 
Assim, o tema da primeira palestra proferida no sábado foi: "A Academia Paranaense de Letras e a História do Paraná. As Academias de Letras do Paraná" e “A Academia vai à Escola”-, proferida pela presidente da APL , acadêmica Chloris Casagrande Justen. 
Não é possível transmitir o entusiasmo, a vivacidade e alegria com que Chloris, na sabedoria acumulada em seus 93 anos de vida, incentivou a nos perguntarmos quem somos nós, os paranaenses. Professora e esposa de juiz, teve a oportunidade e a liberdade de propor atividades culturais junto aos alunos de 1o. e 2o. graus no sentido de promover  o conhecimento e a compreensão das suas raízes identitárias.
presidente da APL, Chloris Casagrande Justen, com nossas Acadêmicas 
Fátima Mandelli, Ludmila Loczak e Leonilda Yvonneti Spina

Em seguida, com o tema "A Academia, a literatura e a formação da cidadania. História do Paraná – Momentos Marcantes", os acadêmicos e escritores Adélia Maria Woellner e Antonio Celso Mendes demonstraram que é possível despertar nos alunos o gosto pelo estudo da história do Paraná através de iniciativas muito simples. “Não é possível esperar por recursos, pois nunca os teremos, mas é possível  usar de criatividade e boa vontade para criar situações de aprendizado”. Para ilustrar sugerem às crianças e jovens que pesquisem a história da sua rua, dos vizinhos, da sua família, do bairro e da cidade. Tudo é história!
A apresentação seguinte teve como tema "A Academia hoje", sob a coordenação do acadêmico Nilson Monteiro. Nesta etapa, nove Academias tiveram a oportunidade de expor seu trabalho, suas dificuldades e modos de resolvê-las. Várias Academias desenvolvem atividades de inserção nas suas comunidades com eventos literários e culturais variados. A nossa Academia de Londrina, representada pela nossa Presidente Leonilda Yvonneti Spina, historiou nossa situação atual. Mostrou como organizamos nossas atividades e conduzimos nossa reunião mensal que é aberta ao público em geral. Outras Academias, conforme suas características, participam de eventos em escolas, estimulam e coordenam  concursos literários. Em Maringá, a Academia participa do Festival Literário equivalente ao Londrix (de Londrina) com uma banca na qual os acadêmicos conversam sobre cultura e literatura.  

Os participantes foram brindados com uma apresentação musical dos “Calouros do Ritmo”, amigos que cantam junto  desde a juventude músicas de composição própria e outras, música brasileira de qualidade. Quatro senhores cantores e um jovem no teclado, neto da Acadêmica Chloris.  
Após, foi constituída a mesa-redonda: "Literatura no Paraná", sob a coordenação da acadêmica e professora de literatura Marta Morais da Costa, na qual se apresentaram os acadêmicos Eduardo Rocha Virmond, que discorreu acerca da literatura paranaense  nos anos quarenta e cinqüenta. Em seguida, o acadêmico Ernani Buchmann relacionou a literatura ao jornalismo, ao apontar como grandes escritores paranaenses tiveram sua origem no jornalismo e/ou fizeram literatura jornalística ou jornalismo literário. Na qualidade de jornalista esportivo, assinalou a quantidade de obras que têm o futebol como tema ou pano de fundo. Após sua apresentação, procurei contribuir ao lembrar o reconhecimento internacional que tem o jornalismo literário, quando o prêmio Nobel de Literatura do ano passado foi atribuído à jornalista Svetlana Alieksievitch, com obras como: “A guerra não tem rosto de mulher” e “Vozes de Tchernobil”. Em seguida, o acadêmico Paulo Venturelli discorreu sobre a nova safra de escritores paranaenses que tem se destacado no cenário nacional. Ao término de sua apresentação, o acadêmico Nilson Monteiro referiu-se a si mesmo como “Pé Vermelho” e destacou os escritores do Norte do Paraná, como Rodrigo Garcia Lopes, Domingos Pelegrini e Marco Fabiani. 
À noite os participantes foram brindados com um belo concerto da Camerata Antiqua de Curitiba, com o tema Beatles, Shakespeare e os madrigais Ingleses. Programa em homenagem aos 400 anos da morte de William Shakespeare, apresentado na Capela Santa Maria. Sob a regência de Mara Campos, poemas, música e teatro contagiaram a platéia.
O encontro foi encerrado com jantar de confraternização no restaurante do SENAC – PR. Um violonista apresentou músicas que compôs em homenagem a várias cidades paranaenses. A dedicada para Londrina é muito bonita.
Esta apresentação teve o propósito de partilhar a magnífica experiência que tivemos e, em especial, estimular e nossos Acadêmicos a participarem dos próximos Encontros. O próximo Encontro, em 2017, será realizado em Cornélio Procópio. E, quem sabe, poderíamos sediar o Encontro que coincidirá com a comemoração dos quarenta anos de existência da nossa Academia, que ocorrerá dentro de dois anos. 
_____________________________

Apresentação pelo Colaborador Cultural Aparecido Guergolette:
Aproximação
Em homenagem ao Dia da Criança

Antes de ler o texto autoral, em alusão ao dia Internacional da Criança, Aparecido Guergolette compartilhou com os presentes uma experiência, segundo ele, que ocorreu entre um aluno da escola onde era vice-diretor e o pai do referido aluno, que um dia irrompeu em sua sala, expressando palavras de baixo calão, impróprias, ofensivas, agressivas e imorais, sempre em ataque ao filho. 
Segundo o pai, o filho falava que iria à escola, mas na verdade faltava; tinha certeza que o filho não se encontrava em sala de aula. Para dirimir sua dúvida, o pai pediu que alguém fosse verificar “in loco” se o filho estaria ou não na classe. Na verdade, o aluno estava, sim. Devido à insistência do pai, o menino foi chamado à diretoria, quando ocorreu uma conversa nada agradável entre ambos. Logo em seguida o menino voltou à aula. Na sequência, foi mostrado ao pai o boletim do filho dele, que não apresentava faltas. Foi demonstrado também que o filho era bastante estudioso, comprovado pelas notas do boletim no decorrer dos três bimestres, do ano letivo. Na oportunidade, Aparecido teceu comentários elogiosos ao menino como estudante e tranquilizou o pai, dizendo que o seu filho certamente teria um belo futuro, cursaria uma universidade, etc.  
No intervalo do recreio o menino procurou Aparecido, disse que gosta do pai, mas este se comporta como se fosse uma criança. “Meu pai não é feliz, não tem ética, às vezes falo com ele por meio de bilhete ou cartinha... faço de tudo para compreendê-lo, digo para darmos um sentido à vida, valorizar nossa família...”
Aparecido citou o livro de Franz Kafka, de título “Carta ao Pai”, que o autor escrevera ao pai: “Minha atividade de escritor tratava de ti, eu apenas me queixava daquilo que não podia me queixar junto ao teu peito”. Citou ainda trechos do livro “Hermenêutica Constitucional”, de autoria do Dr. Sérgio Alves Gomes, Acadêmico de nossa Academia de Letras, que relata: “A vida humana consiste numa permanente busca de sentido, de compreensão, de significado... Quem é feliz vive bem e age bem, porque se pode dizer que a felicidade é quase um viver bem e um agir bem...”
Aparecido entendeu que o aluno era uma boa pessoa e estava fazendo de tudo para entender o pai. Continuando, lembrou que com as crianças estão ocorrendo tráfico, exploração sexual, indução às drogas, ausência nas escolas, os pais presos, doenças, sequestros, etc.
Em seguida, Aparecido Guergolette apresentou um texto de sua autoria, para homenagear o Dia da Criança:

Aproximação
Meu pai. Eu nasci de ti e de minha mãe. Não sei se nasci porque me amaste e escolheste, ou se foi um acaso de mau gosto na tua vida. Nunca te perguntei nem me disseste. Foi uma pergunta que sempre me angustiou e que morreu dentro de mim como tantas outras que te quis fazer. Tenho te amado nas trevas, sem saber se o que sinto por ti é puro ou se está ligado ao misto de agradecimento e dependência ao qual me encontrei desde a infância. Tantas vezes abri a boca para te dizer ou perguntar alguma coisa. Entretanto, ou não tinhas tempo a perder comigo ou teu olhar e teu modo de ser me impediram de falar e calei com dor... Meu querido pai! Meu amado! Nunca consegui tua amizade ou nunca soube ser teu amigo. Esperei muito de ti e por muito tempo, tu foste o meu modelo. Tenho crescido a teu lado, ombro a ombro e não te conheço, nem me conheces. O pior e o melhor de mim, és o último a saber e não sei por culpa de quem... Querido pai, neste dia 12 de outubro, o dia Internacional da criança, que também é teu e que está prestes a terminar, quero te fazer uma proposta de amor.
 Estou pronto a perder qualquer coisa, dentro ou fora de mim, para reparar a distância que há entre mim e ti. Gostaria de comungar contigo, com tudo que sou e tenho. Seja legítimo ou não. Prometo-te fazer uma força muito grande para ser gente, para colocar-me numa posição de amor.
Eu sei que isto será difícil, tanto para mim quanto para ti. Mas o meu Deus que também é teu nivelará as discrepâncias, no amor. E, como tenho a impressão, que foi Ele quem me ditou na essência do meu ser estas coisas, espero que cheguemos a nos conhecer e nos amar verdadeiramente. Meu estimado pai, neste dia, com carinho, com amor e com alegria escrevo indelevelmente em meu coração: qualquer homenagem a ti, ainda é pouca!... Meu estimado pai, assim posto, que o Pai de todos os pais e filhos, nos abençoe a todos! 
____________________________

PALESTRA
Mudanças Climáticas
Luiz Eduardo Cheida*


Em palestra bastante cativante e extremamente realista, o dr. Luiz Eduardo Cheida demonstrou, através de gráficos e fotografias, a avassaladora redução das matas no estado do Paraná, que têm sido destruídas para cultivo agrícola e hoje possuem apenas um pequeno porcentual da cobertura original existente antes que o estado se tornasse um grande produtor agrícola.
O palestrante Dr. Luiz Eduardo Cheida
recebendo o Certificado de Participação
das mãos da 1a. Vice-Presidente
Pilar Álvares Gonzaga Vieira
Esta destruição, que ocorre em todo o planeta, está provocando gradual e inexorável aquecimento global, com o aumento da temperatura média, o degelo nos polos, o aumento do nível dos oceanos e a poluição da atmosfera, causados por massivas emissões de gases que intensificam o efeito estufa, originados de uma série de atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis, assim como de várias outras fontes secundárias. O palestrante não se limitou a apontar os problemas climáticos: trouxe várias sugestões que representam soluções, especialmente para Londrina, uma das cinco cidades brasileiras com maior incidência do sol, equiparando-se a algumas cidades do Nordeste. Londrina não tem muitos ventos, o que descarta a possibilidade de energia eólica; a energia elétrica demandaria cada vez mais necessidade de construções de barragens e usinas; descartou completamente a energia nuclear e geração por termo-elétricas.
Por isso, esta sua sugestão para que nossa cidade adote a energia solar como fonte principal de energia - uma energia limpa e de baixo custo. Preconizou inclusive o uso futuro de carros movidos a eletricidade, fornecida pela energia solar, eliminando-se cada vez mais a utilização de petróleo. 

*Médico, ambientalista e político brasileiro. 
Teve ativa participação na campanha pela anistia, na campanha pelas 
eleições presidenciais (Diretas-Já), e nas campanhas pela 
instalação da Assembleia Nacional Constituinte. 
Foi vereador em Londrina entre 1989 e 1992, prefeito e 
Secretário Estadual de Meio Ambiente do Paraná.