Extratos da reunião de 12 de março de 2017

Mesa diretiva, composta pelo palestrante Prof. Dr. Nestor Razente, nossa Presidente
Leonilda Yvonneti Spina e pela Vice-Presidente Maria Lucia Victor Barbosa

A reunião foi conduzida pelo nosso Mestre de
Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos

Leitura do nosso Credo Acadêmico, pela Acadêmica 
Dinaura Godinho Pimentel Gomes

DESTAQUES ACADÊMICOS

Homenagem ao Presidente Prof. Leonardo Prota, por ocasião do primeiro ano de seu falecimento.
Pelo Acadêmico Clodomiro José Bannwart Júnior

TRAVESSIA
Em novembro de 2011, pela última vez, eu caminhei ao lado do meu pai. Ao cruzar a avenida central da minha cidade natal, notei a lentidão de seus passos. O seu caminhar vagaroso indicava que, mais que atravessar uma avenida, ele estava concluindo a travessia da vida. Inúmeras foram as vezes que Jesus convidou os discípulos a empreenderem travessias em sua companhia.
Em Mateus, 14:22, lemos que Jesus convidou os discípulos a embarcar e aguardá-lo na outra margem, para que despedisse as multidões”. Porém, às vezes vagamos resignados no grande rio da existência – parafraseando Guimarães Rosa – em canoa de pau vinhático sem pojar em nenhuma das duas beiras. Buscamos distantes, isolados, a terceira margem do rio. A fé, alentada e sedimentada na alma, nos conduz confiantes a alcançar o outro lado. A vida é uma grande travessia. E Jesus afirmou que nós O reencontraríamos do outro lado da margem.
Eu e o pai atravessamos a avenida em silêncio e alcançamos o paço da Igreja Matriz, o Santuário da Mãe Aparecida. Os sinos repicavam lentamente onze horas. E como não há travessia sem despedida, foi ali, aos pés de Nossa Senhora, que, sem saber, eu estava me despedindo daquele que foi, além de pai, um grande amigo. 
E foi assim também que, em novembro de 2015, pela última vez, eu caminhei ao lado do meu segundo pai, o pai intelectual, mestre e professor Leonardo Prota. Seus passos lentos me recobraram, num instante, que a vida guarda sua limitação cingida à temporalidade. Ao atravessar a paisagem da vida, somos, ao mesmo tempo, feridos pelo tempo que crucifica nossa carne e transpassa nossa alma. É ele, o tempo, que mesmo sem autorização para devassar o nosso ser, revolve em nós as lembranças passadas, projeta a esperança vindoura e brinda-nos, de maneira fugaz e sorrateira, com o deleite do presente, com a vida presente, com o presente da vida.
O professor Prota, com sua maestria em manejar conceitos, sempre ensinou com palavras e ações o sentido da vida. Com ele dei os primeiros passos na compreensão do conteúdo de conceitos universais, tão caro ao debate medievo, avivado pela dicotomia entre realistas e nominalistas. O professor Prota sempre ensinava que a universalidade dos conceitos, sobretudo, os conceitos de humanidade e de pessoa, servem de suporte à proteção do núcleo essencial do ser humano, evitando que ele seja desalojado de sua dignidade. O professor Prota, antes de ser (tido) um renomado filósofo, foi um grande humanista.
Ao chegar na UEL, em 1994, como acadêmico do primeiro ano do curso de Filosofia, eu e os demais estudantes da época nos deparamos com um cenário acadêmico em ebulição, ainda sob o efeito da queda do muro de Berlin, em 1989. Os professores que haviam sido formados mais próximos à esquerda, alguns, inclusive, guerrilheiros confessos nas décadas de 1960 e 1970, oscilavam entre o discurso social democrata e o liberal. Alguns poucos marchavam sob a continência da ortodoxia marxista. Outros ainda, um bom número de ex-padres, se posicionavam à margem oposta da fé, na tessitura de argumentos céticos que faziam implodir no expediente de poucas aulas a pretensão metafísica do pensamento filosófico. No meio dessa torre de Babel filosófica estava o professor Leonardo Prota, um porto seguro para estudantes que, como eu, necessitava de calma para o amadurecimento de ideias e pensamentos. Sempre disposto a uma palavra amiga e que rapidamente se transformava em precioso ensinamento, o Professor Prota nunca deixou de portar o indispensável equilíbrio nos debates acalorados e o respeito para com a pluralidade de pensamentos e posicionamentos ideológicos. Nunca se deixou prisioneiro de “ismos” que sufocam a capacidade reflexiva, própria do fazer filosófico. Nele refletia a aura do pensador por excelência, do filósofo prático que conseguia assegurar inteligibilidade aos conceitos, ao mesmo tempo que conferia exemplo e atitude ao conteúdo ensinado.
A confiança que paira acima da dúvida e a irrenunciável convicção que brota da fé fortalecem o meu coração, fazendo-me crer que estes dois homens, sacerdotes do amor e do conhecimento, alcançaram a outra margem e desfrutam da eternidade, na presença de Cristo. Certamente nos deixaram, com seus exemplos, farta orientação para que tenhamos uma travessia segura.
Obrigado pai, pelo dom da vida!
Obrigado professor Leonardo Prota, por ter me formatado naquilo que eu sou: uma pequena nau, muito frágil por sinal, mas consciente da necessidade de empreender a navegação. Como afirma Fernando Pessoa: “É tempo de travessia/E se não ousarmos fazê-la/ Teremos ficado para sempre / À margem de nós mesmos.” 
________________________________

NÓS E OS ALGORITMOS  
Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa

Na sua magistral obra, Homo Deus, Yuval Noah Harari trata de temas extremamente complexos e instigantes de forma compreensível e didática. Entre outros assuntos ele mostra com clareza o que é um algoritmo, termo que vai entrando na moda, mas que é pouco entendido pela maioria:
“Um algoritmo é um conjunto metódico de passos que pode ser usado para realização de cálculos, na resolução de problemas e na tomada de decisões”. Como exemplo simples de algoritmo ele dá uma receita de sopa em que os “passos metódicos” são os ingredientes usados para fazer o alimento.
Acrescenta o autor do best-seller que já vendeu mais de dois milhões no mundo, “que os algoritmos que controlam os humanos funcionam mediante sensações, emoções e desejos”. Este é o ponto que desejo abordar rapidamente, deixando aos leitores de Harari o privilégio de mergulhar em sua obra que leva a profundas reflexões quanto ao futuro da humanidade. Isto porquê, se a tecnologia é algo extraordinário, dependendo do uso que se faz dela pode ser usada não para o bem e sim para o mal como tudo que é humano.
Um dos usos perigosos da tecnologia é o aperfeiçoamento da manipulação que sempre existiu, mas que agora é elaborada por técnicas cada vez mais avançadas. Sem perceber a maioria obedece aos interesses de governos, de partidos políticos, da mídia, do marketing, do mercado, da opinião pública, de outras entidades ou grupos. Isso se faz através de passos metódicos baseados em algoritmos que manipulam sensações, emoções e desejos.
Relembro que a manipulação é facilitada por conta das características psicossociais do ser humano. Uma delas é o aprendizado por imitação. Desse modo, a TV se torna um grande difusor de comportamentos. Através de novelas, modos de vestir de pentear de falar, de pensar caem rapidamente no gosto popular. Cantores medíocres são transformados em astros pop cujas canções são prontamente assimiladas. Participantes de programas de baixo nível ganham eleições.
Ao mesmo tempo, há uma necessidade do indivíduo se identificar com seus grupos que podem ser políticos, religiosos, de trabalho, de profissão, de amizade, etc. Por isto, comportamentos não aceitos pelos grupos resultam em sofrimento causado pela exclusão.
Em termos da própria sociedade que enquadra comportamentos, a opinião pública funciona com controle social e fator de manipulação. Por isso hoje em dia poucos se atrevem a ir contra o “politicamente correto”. Mesmo porquê, além de não ser agradável destoar dos demais existem sanções pesadas para o que passou a ser considerado como preconceito.
Porém, não dizer certas coisas não significa que se concorde com elas. Certamente Donald Trump ganhou a eleição para presidência dos Estados Unidos porque foi politicamente incorreto. Ele disse coisas que pessoas pensavam, mas não tinha coragem de dizer.
A mídia é outro poderoso instrumento de manipulação. Mesmo porquê existe o “setting”, um tipo de efeito social que compreende a seleção, a disposição e a incidência de notícias sobre temas que o público falará e discutirá. A agenda é pautada por diversas conveniências do governo e a necessidade de verba de publicidade dos meios de comunicação. O que um canal de TV, um jornal ou uma revista postam, todos seus concorrentes seguirão a pauta”.
Não se pode esquecer do marketing, hoje enriquecido pela Internet e sofisticado pelo uso de computadores que ditam o que devemos consumir. Inclusive, em quem devemos votar. Na verdade, em grande parte quem ganha uma eleição é o marqueteiro que constrói a imagem perfeita e irreal do político que o público deve consumir, ou seja, votar.
Inclusive, pesquisas sobre candidatos podem funcionar como marketing, pois as pessoas preferem votar em quem está na frente para se sentirem também vitoriosas.  
A mídia e o marketing são usados por governos e, como não podia deixar de ser, foi largamente utilizada pelo governo petista. Desse modo, Lula se tornou intocável e inimputável. Criticá-lo era sacrilégio, crime de lesa-majestade, algo politicamente incorreto. Ele teve bons marqueteiros que fizeram a mágica de apresentar aos eleitores o “Lulinha de paz e amor”.
Eleito presidente da República na quarta tentativa, Lula foi reeleito malgrado o escândalo do mensalão e, para provar que detinha quase a maioria do povo a seu favor elegeu e reelegeu sua sucessora, uma façanha política e tanto. 
Entretanto, uma das características da vida e das sociedades é o dinamismo e por um processo ligado a uma série de fatores mudanças acontecem mesmo em sistemas autoritários e totalitários. Nas democracias a satisfação ou a insatisfação popular se manifestam livremente e existe algo com relação ao qual nenhum marketing consegue fazer sua mágica, ou seja:  nenhum governo resiste quando a economia vai mal.
Os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff mergulharam o Brasil na pior recessão da nossa história. Como consequência aconteceu o impeachment na esteira da insatisfação popular. Atentos às suas necessidades de votos, parlamentares foram sensíveis à reivindicação de milhões de brasileiros, que nas maiores manifestações já havidas no País foram às ruas pedir a saída de Rousseff.
O governo petista esboroou na esteira da insatisfação popular com o desemprego, a inflação, a inadimplência. Nas eleições municipais de 2016 o PT perdeu 60% de suas prefeituras e Lula viu minguar seu prestigio.
Diante disto, lideranças petistas agora fazem cálculos para recuperar o enorme poder que já desfrutaram, mas sabem que só podem resgatá-lo mediante a volta à presidência da República do seu único candidato viável, Lula da Silva, em que pese ele ser cinco vezes réu.
Lula sabe instintivamente manipular sensações, emoções e desejos. Em 2018 tudo vai depender das circunstâncias, mas é bom lembrar do que escreveu Nicolau Maquiavel, em 1513, na sua eterna obra, O Príncipe: “Os homens são tão pouco argutos e se inclinam de tal modo às necessidades imediatas, que quem quiser enganá-los encontrará sempre quem se deixe enganar”.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, professora, 
autora entre outras obras de 
“O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – a ética da malandragem” 
e “América Latina – em busca do paraíso perdido”. 
________________________________


Os jesuítas como educadores
Acadêmico Sergio Alves Gomes

Em harmonia  com a homenagem  prestada a José de Anchieta, pela Presidente da ALCAL,  Leonilda Yvonneti Spina, mediante a apresentação de poema de sua autoria, o acadêmico Sergio Alves Gomes fez a leitura  do seguinte texto histórico, pertinente ao tema,  escrito por Moreira de Azevedo, em 1893  e   citado por Arnaldo Niskier, na obra  “Educação Brasileira: 500 anos de história” (p.36-37), 2ªed. Rio de Janeiro:Consultor,1995.
“[...] Os jesuítas como educadores  [...] ‘A educação era feita pelos jesuítas, que foram os primeiros que abriram aulas no mundo descoberto por Cabral. Em seus colégios instituíram aulas, onde ensinavam os elementos da instrução e entregavam-se com todo o zelo à educação da mocidade, de sorte que entre os serviços importantes que prestaram esses padres à terra de Santa Cruz é preciso não esquecer o ensino que distribuíam à juventude.
Eram aulas desses regulares as únicas no abandono completo em que Portugal deixava viver em sua colônia. Nas capitanias em que tinham colégios ensinavam gratuitamente Gramática Latina, Filosofia, Teologia Dogmática e Moral, primeiras letras e Matemáticas Elementares. E essas disciplinas eram exercidas por professores de verdadeiro merecimento. Davam graus científicos, literários e teológicos, entre outros o de Mestre em Artes, que era então mais estimado do que é hoje o de doutor por qualquer academia. No colégio da Bahia, além daquelas aulas, criaram logo da de Retórica.
No Colégio de Piratininga, depois chamado de São Paulo, ostentou todo o seu zelo e manifestou sua dedicação evangélica o padre José de Anchieta. Encarregado do ensino dos neófitos, escrevia, na falta de livros, as lições nos cadernos que distribuía por cada aluno. Aprendiam assim os jovens catecúmenos e os filhos dos colonos os princípios das línguas portuguesa, espanhola, latina e brasílica ou tupi, indispensável para o trato com os indígenas. E para ensinarem esta última disciplina abriram os jesuítas escolas, que frequentavam chamando graciosamente, lá entre si, a língua indígena de grega, como escreve Varnhagen.
Para derramar na alma dos discípulos as sãs virtudes da fé e da caridade compunham eles romances ou antes baladas todas baseadas na moral cristã. Entoavam hinos sagrados, que eram repetidos pelos meninos índios de ambos os sexos, desenvolvendo neles o amor pela religião e a inclinação para a música.  E assim conseguiram muito. Bem conheciam eles a utilidade do meio que empregavam. Dizia o padre Manuel da Nóbrega: ‘Com a música e a harmonia atrevo-me a atrair a mim todos os índios da América’. Introduziram também as representações teatrais, como fizeram em Coimbra e em Évora. Em 1575 representaram em Pernambuco o Rico Avarento e o Lázaro Pastor. Punham em cena nesses dramas os mistérios do catolicismo, improvisando os teatros ou no adro ou no interior das igrejas, como por ocasião da quaresma, em que com cores vivas e naturais eram repetidos os grandes quadros dos martírios do divino homem do Calvário’.

(Texto de M.D. Moreira de Azevedo, “Instrução Pública nos Tempos Coloniais”, 
conforme citado por Arnaldo Niskier, na obra deste supra referida. 
Este mesmo autor informa como fonte de sua pesquisa a “Revista Trimestral 
do Instituto Histórico, tomo LXV, pp.141-142, publicada no Rio de Janeiro, em 1893).
     
________________________________

JOSÉ DE ANCHIETA
Poema apresentado pela Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, de sua autoria, em homenagem aos 420 anos da morte do Santo Jesuíta:


“Canário de Tenerife”, alça vôo
a Coimbra, que lhe aprimora o canto,
suaviza-lhe o trinado...
Vem gorjear em selvas brasileiras
para espalhar, com amor, a semente
da fé cristã que exalava fervente!

Anchieta chegou quando a Pária nascia
e ainda emitia selvagens vagidos.
Enfrentou desavenças, doenças, crueza, 
das flechas a destreza de índios temidos.

Pelo antigo caminho do litoral à serra, 
em áspera jornada, o jesuíta
funda São Paulo de Piratininga, 
que o futuro contempla pujante e bonita!

Quantos caminhos e veredas trilhou
a ensinar, catequizando, os curumins!
Pelo batismo, a fé cristã derramou
em almas pagãs de distantes confins.

“Caçador de almas”, invade o sertão 
com férrea coragem, áureo coração.
Nenhum sacrifício minava-lhe a vontade
de agradar a Deus, servir à Humanidade!

De tantos ofícios, de tanto saber,
não os queria somente para si...
Para isso aprendeu e ainda ensinou 
 a língua nativa Tupi-Guarani.

Franzino, pequeno, o Apóstolo bondoso 
sereno se entrega à sagrada messe.
Humilde, piedoso, logo se agiganta 
pelo saber que transborda com força tanta!

Saúde precária, de físico frágil, 
misteres diversos exercia tão ágil:
professor, carpinteiro, alfaiate, barbeiro,
(médico e enfermeiro, quando ali não havia..).
Manejava, ainda, com arte o fogão
 e calçados (para outros...)  também fazia,
pois, lhe aprazia andar de pés no chão...

Arauto da literatura brasileira,
escritor pioneiro, poeta de escol!
 encontrava tempo para versejar
em português, latim, tupi, espanhol.

Fronte aureolada de casta virtude, 
no duro trabalho, na lida tão rude!
À Virgem suplica que forças lhe traga,
quando em Iperoig em silêncio vaga, 
pois dos Tamoios de vê prisioneiro.
- Justo ele tão santo, tenaz, verdadeiro!

Pelas índias tamoias por vezes tentado, 
enquanto o corpo com a mente guerreia, 
com o bordão, a afugentar o pecado,
escreve, encurvado, mil versos na areia.

No longo poema em louvor à Virgem,
que imensa prova nos deixou de amor 
o imaculado “Embaixador da Paz”, 
dos Tamoios o “Pacificador”!

Divino menestrel que o solo brasileiro
fecundou com a força viva da fé!
Que com doçura, professor primeiro,
 amargando sofrimento, revolta e ira
acendeu na selva claro luzeiro, 
gênio incansável, como igual não se vira!

No altar da Pátria, teu vulto sagrado
se cobre de glória e respeito profundo.
Serás, para sempre, venerado!
Anchieta - Santo e herói do Novo Mundo!

A Acadêmica Saide Maruch apresentou sua tela retratando José de Anchieta, pintura à óleo
________________________________

PALESTRA

POVOAÇÕES ABANDONADAS NO BRASIL
Prof. Dr. Nestor Razente *

Livro do Prof. Dr.
Nestor Razente, que trata
do tema
A temática “povoações abandonadas” não é tratada cientificamente no Brasil. No restante do mundo, com exceção dos Estados Unidos e Chile, ocupa espaço reduzido nos diferentes campos do conhecimento, embora o fenômeno do abandono de povoações se apresente em diferentes países, desde os mais pobres até os mais ricos. Por povoação abandonada o autor entende um conjunto de edificações que outrora foi um lugar com moradias, escola, igreja e atividades comerciais, tendo sido arraial, vila ou cidade, e que, na atualidade (2015), encontra-se em ruínas (ou não), desabitado ou com pouquíssimas pessoas residindo. 
A pergunta fundamental que orienta a questão das “cidades fantasmas” é: por que, num mundo cada vez mais urbanizado, há cidades ou povoados com pouquíssimos (ou nenhum) morador?
Frente à complexidade da temática, na  palestra, assim como em seu  livro “Povoações Abandonadas no Brasil”, Nestor Razente discute as expressões consagradas para referir-se ao tema: cidade fantasma, cidade deserta, cidade morta, vila abandonada, atrofia urbana, decadência urbana, urbicídio, ruínas modernas, urban decline, entre outras. Para todas comparece um descontentamento com a imprecisão das denominações. Por isso mesmo, adota a expressão “povoações abandonadas”.
Cidades abandonadas são formações sócias da modernidade e pós-modernidade. Elas não foram construídas somente com a urbanização intensiva. Os vários exemplos existentes no mundo após o século XX, permitem tal afirmação. 
Para estudá-las, Razente refuta todas as teorias que tentam explicar a construção e abandono das povoações, em especial o declínio urbano (urban decline) largamente utilizado por intelectuais de língua inglesa. Conclui que não há uma teoria que dê conta do fenômeno. 
Assim como Janus, deus da mitologia clássica romana, que tinha duas faces, uma para cada lado, povoações abandonadas têm diferentes cargas conceituais. Mas todas indicam dois sentidos. Uma remete para a tarefa da construção, a outra aponta o horizonte da destruição. Encontrar os elos entre elas é a tarefa metodológica para conhecermos as povoações abandonadas.
Elas podem estar vazias de gente, mas não de História. Se repousam teimosamente, resistindo ao poder transformador do tempo, muitas delas em processo de degradação física, último estágio para a volta à Natureza, um dia conheceram a energia e a força da ação do homem e a vitalidade da vida urbana.
Apresentando seu livro
Belas e horrendas, evocando o passado e o presente, aparentando e ocultando, sendo testemunhas e vítimas do tempo, povoações abandonadas – e suas ruínas arquitetônicas – são inebriantes. Nelas quase tudo se personifica: Natureza, guerra, registro da História e do tempo, memória contra o esquecimento, futuro, alegorias, fascínio, simbologia e objeto estético. 
Assim, para reconstruir o esvaziamento populacional e o abandono do lugar deve-se ver tais povoações como vivências pretéritas encrustadas nos fragmentos ruinosos. São processos sociais e espaciais, faces de uma mesma moeda. Para tanto, deve-se explorar vários domínios do conhecimento humano: sociologia, história, geografia, urbanismo, arqueologia, economia, meio ambiente e arte. 
É o que o palestrante faz em seu livro quando reconstrói a história de oito povoações brasileiras, seis delas em ruínas: Airão Velho (Amazonas), Fordlândia (Pará), Ouro Fino (Goiás), Biribiri e Desemboque (Minas Gerais), Bom Jesus do Pontal (Tocantins), Cococi (Ceará) e Ararapira (Paraná). Em síntese, uma viagem pela história do Brasil.

Nestor Razente é licenciado em Filosofia, graduado em Arquitetura e Urbanismo, mestre em Desenvolvimento Urbano e doutor pela Universidade de São Paulo (USP). 
É professor da Universidade Estadual de Londrina desde 1981. 
Seu livro tem 325 páginas, dezenas de fotos e mapas. 
Está sendo lançado pela Editora da Universidade Estadual de Londrina (EDUEL)

________________________________



Mais uma vez tivemos a grata surpresa de receber o Sr. Klaus Nixdorf, que presenteou nossa Academia com a Coletânea 2016 da ALM - Academia de Letras de Maringá. Nossos agradecimentos!

Extratos da nossa reunião de 12/02/2017




Mesa diretiva, composta pelo Acadêmico Marco Antônio Fabiani, palestrante do dia, Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, presidente e Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira, Vice- Presidente


Nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos, mais uma vez abrilhantando a reunião


A Acadêmica Neusi Berbel procedeu à leitura do Credo Acadêmico

DESTAQUES ACADÊMICOS:

- Declamação 
Esta vida, do poeta Guilherme de Almeida
Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina

Um sábio me dizia: esta existência,
não vale a angústia de viver.
A ciência, se fôssemos eternos, num transporte
de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece
no infinito do tempo.
E vibra e cresce
e se desdobra e estala num segundo.
Homem, eis o que somos neste mundo.

Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um monge me dizia: ó mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade!
Pensa: o tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto;
o riso, às vezes, quase sempre, um pranto.
Depois o mundo, a luta que intimida,
quadro círios acesos : eis a vida

Isto me disse o monge e eu continuei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um pobre me dizia: para o pobre
a vida, é o pão e o andrajo vil que o cobre.
Deus, eu não creio nesta fantasia.
Deus me deu fome e sede a cada dia
mas nunca me deu pão, nem me deu água.
Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa
de andar de porta em porta, esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.

Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver,
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Uma mulher me disse: vem comigo!
Fecha os olhos e sonha, meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira
que queiras muito e que também te queira.
No telhado, um penacho de fumaça.
Cortinas muito brancas na vidraça
Um canário que canta na gaiola.
Que linda a vida lá por dentro rola!

Pela primeira vez eu comecei a ver, 
dentro da própria vida, o encanto de viver. 
_____________________________

- Reflexão:
Exigências dos Direitos Humanos como Núcleo Ético-Jurídico e Político da Democracia (II)
Acadêmico Sergio Alves Gomes (1)


O Ser Humano: características e necessidades básicas

(OBS. O  texto que segue abaixo foi lido e comentado pelo seu Autor em sua  comunicação (restrita ao tópico nº 1 do tema) apresentada na Reunião Ordinária da ALCAL, no dia 12/02/2017. O texto completo encontra-se publicado como capítulo I, do livro  “Estudos em Direito Negocial: Relações Privadas e Direitos Humanos”, organizado por Miguel Etinger de Araújo Júnior e Ana Cláudia Corrêa Zuin Mattos do Amaral. Editora Boreal, Barigui/SP, 2015. O tema do capítulo em estudo tem por título: “Exigências dos Direitos Humanos como Núcleo Ético-Jurídico e Político da Democracia”). 

Em razão de sua complexidade, o homem pode ser estudado por múltiplas ciências. Cada uma delas busca focalizar aspectos humanos específicos. A Antropologia Filosófica, entretanto, põe a questão abrangente: quem é o homem? 
A relevância da indagação é induvidosa quando se pretende abordar tema que envolve interesses humanos, pois qualquer adjetivação desta natureza pressupõe a compreensão mínima do que seja o homem. Por isso, não há como fugir de tal reflexão em se tratando da temática “direitos humanos”.  
Para Erich Fromm, “o homem não é uma coisa; é um ser envolvido num processo contínuo de desenvolvimento. Em cada ponto de sua vida, ele ainda não é o que pode ser e o que ainda pode vir a ser”. (FROMM,1981, p.130).
Na busca da identificação da natureza humana, faz-se indispensável  a  análise das características do homem. Só é possível elaborar conceitos convincentes mediante a observação dos caracteres do objeto a ser conceituado. Destarte, também, para se  saber “quem é o homem”, mesmo sem a pretensão de conceituá-lo, impõe-se a consideração de suas características. 
Battista Mondin ( 1980, p.27 a 245), ao analisar a fenomenologia do homem, vê  nele dez dimensões:  
1ª: corpórea (homo somaticus); 2ª: da vida humana (homo vivens); 3ª: a do conhecer sensitivo e intelectivo (homo sapiens); 4ª: dimensão da  vontade, da liberdade e do amor (homo volens); 5ª: dimensão da linguagem (homo loquens); 6ª. dimensão social e política (homo socialis); 7ª:  dimensão cultural (homo culturalis); 8ª: do trabalho e da técnica (homo faber); 9ª: do jogo e do divertimento (homo ludens); 10ª: dimensão religiosa (homo religiosus). 
As características presentes no ser humano, ao mesmo tempo que evidenciam as múltiplas dimensões deste, demonstram também sua incapacidade para sobreviver e evoluir sem o convívio com seus semelhantes. Daí a natural sociabilidade (2) e interdependência dos indivíduos. 
A decorrência das características, com as quais o ser humano encontra-se dotado, é a presença de variadas necessidades por ele experimentadas e que clamam por satisfação. “Necessidade” aqui significa exigência da própria natureza humana, por apresentar um modo de ser carente de complementação, inacabado e não autossuficiente. Dentre tais necessidades básicas estão, por exemplo, a manutenção da vida orgânica mediante alimentação adequada; convivência afetuosa para atender necessidades biopsíquicas (aceitação do outro e pelo outro, procriação, manutenção da espécie humana...); autonomia individual para se reconhecer e ser reconhecido como indivíduo que se assemelha e, ao  mesmo tempo, se diferencia dos demais seres humanos; necessidade de comunicar-se livremente com estes, mediante linguagem adequada, que possibilite a interação em torno de interesses comuns e individuais; de educar-se, para vivenciar de modo gratificante e duradouro as várias dimensões de sua existência, isto porque o homem é um ser capaz de aprender e de ensinar e que enquanto ensina também aprende; de professar, livremente, suas crenças; necessidade de integrar-se no meio cultural em que vive e de atuar como cidadão partícipe da história (decorrência da dimensão política), de modo a perceber sua própria identidade e sua dignidade enquanto pessoa. 
Estas e tantas outras necessidades são carências inerentes à natureza humana. Isso equivale a dizer que estão, de um modo geral, presentes em todos os seres humanos. Variam apenas as  normas culturais a respeito de como satisfazê-las. 
Por isso, tais necessidades clamam por atendimento simultâneo e integral. Atender apenas algumas destas exigências em menosprezo das demais  significa não considerar o homem em sua integralidade. A consequência de tal atitude é a morte das dimensões humanas desconsideradas, ou seja, a deformação do próprio ser humano que se vê privado do exercício de faculdades fundamentais componentes de sua “humanidade”, isto é, de sua essência.  
Diante disso, os direitos humanos apresentam-se como instrumentos jurídicos garantidores do atendimento das necessidades fundamentais do ser humano, cujo menosprezo diminui em muito, quando não impossibilita, por completo, o desabrochar das potencialidades a ele inerentes, as quais, ao serem frustradas, afastam qualquer possibilidade de realização do indivíduo como pessoa. 

1-  Professor Associado da Universidade Estadual de Londrina (Departamento de Direito Público). Docente no Programa de Mestrado e na graduação em Direito da Universidade Estadual de Londrina. Doutor em Direito:Filosofia do Direito e do Estado, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestre em Direito e Especialista em Filosofia Política pela Universidade Estadual de Londrina. Juiz de Direito. 

2- Cabe lembrar  a observação de Aristóteles a respeito não apenas da  sociabilidade humana mas também  dos sentimentos do bem e do mal, do justo e do injusto, bem como da capacidade que tem o ser humano de expressá-los pela fala, isto é, por meio da palavra. Diz o filósofo de Estagira: “ o homem é por natureza um animal social, e um homem que por natureza, e não por mero acidente, não fizesse parte de cidade alguma, seria desprezível ou estaria acima da humanidade (como o ‘sem clã, sem leis, sem lar’ de que Homero fala com escárnio, pois ao mesmo tempo ele é ávido de combates), e se poderia compará-lo a uma peça isolada do jogo de gamão. Agora é evidente que o homem, muito mais que a abelha ou outro animal gregário, é um animal social. Como costumamos dizer, a natureza nada faz sem um propósito, e o homem é o único entre os animais que tem o dom da fala.  Na verdade, a simples voz pode indicar a dor e o prazer, e outros animais a possuem (sua natureza foi desenvolvida somente até o ponto de ter sensações do que é doloroso ou agradável e externá-las entre si), mas a fala tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo, e portanto também o justo e o injusto; a característica específica do homem em comparação com os outros animais é que somente ele tem o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e de outras qualidades morais, e é a comunidade de seres com tal sentimento que constitui a família e a cidade”. (ARISTÓTELES, 1997, p.15,   Livro.I, cap.I,1253,a).  
Para MIRACY B.S. GUSTIN (1999, p.31),   dentre as tantas necessidades que o ser humano apresenta,  a autonomia  figura como primordial em relação às demais. Diz ela: “Sugere-se que a condição de autonomia é transcultural e independente da inserção em categorias sociais localizadas e parciais. Ainda em termos preliminares, considera-se o ser autônomo como aquele que é capaz de fazer escolhas próprias, de formular objetivos pessoais respaldados em convicções e de definir as estratégias mais adequadas para atingi-los. Em termos mais restritos, o limite de autonomia equivaleria à capacidade de ação e de intervenção da pessoa ou do grupo sobre as condições de sua forma de vida. Esse limite definiria a capacidade indispensável e mínima para a atribuição de responsabilidade às pessoas”.  JOSEPH  RAZ, ao tratar do tema da autonomia, assevera: “An  autonomous person is one who is the author of his own life. His life is his own making.  The autonomous person’s life is marked not only by what it is but also by what it might have been and by the way it became what it is. A person is autonomous only if he has a variety of acceptable options available for him to choose from and his life became as it is through his choice of some of these options.  A person who has never had any significant choice, or was not aware of it , or never exercised choice in significant matters but simply drifted through  life is not an autonomous person”.  (In: WALDRON, 1984, p. 191). Ainda sobre o tema das necessidades humanas tem-se a importante contribuição do psicólogo norte-americano ABRAHAM MASLOW, “considerado o fundador e líder espiritual do movimento humanista de psicologia” (SCHULTZ D.P.;SCHULTZ, S.E.,2002, p.290 a 297). Para Maslow, há cinco necessidades inatas no ser humano, as quais são hierarquizadas pelo autor que coloca na base de tal hierarquia as necessidades fisiológicas. Na sequência, em sentido ascendente, vem as demais que são necessidades de segurança, de afiliação e amor, de estima e de auto-realização.
Referências bibliográficas (deste tópico): 
ARISTÓTELES. Política. Universidade de Brasília, 1997.
FROMM, Erich. Análise do Homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
GUSTIN, Miracy Barbosa de Souza. Das Necessidades Humanas aos Direitos. Belo Horizonte: Del Rey, 1999. 
MONDIN, Battista.  O Homem, Quem é Ele? Elementos de Antropologia Filosófica. São Paulo: Edições Paulinas, 1982.
RAZ, Joseph. Rights-Based Moralities. In: WALDRON, Jeremy, Theories of Rights. New York: Oxford University Press, 1984.
SCHULTZ, Duane P; SCHULTZ, Sydney Ellen. Teorias da Personalidade. São Paulo: Thomson, 2002.
_____________________________

MOMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA 
Prof. Dr. Vladimir Moreira


Como falantes da Língua Materna, usamos as concordâncias verbais e nominais  com naturalidade. Na linguagem oral, os desvios de concordância são minimizados em face do contexto e entendimento entre os interlocutores. O problema ocorre quando estamos diante de um papel em branco e temos de produzir um texto em linguagem padrão. É nesse momento que precisamos dominar mais esse item da estrutura da gramática normativa: a concordância. Destacaremos hoje, mais precisamente, a concordância verbal. Em vez de nos prendermos à teoria, visualizaremos as estruturas das orações e refletiremos sobre elas. Vejamos:

- Concordância Verbal: o verbo concorda com seu sujeito em pessoa (Eu/Tu/Ele/Nós/Vós/Eles) e em número (singular/plural). Porém, há exceções! Para estudá-las, recomenda-se, a princípio, a atenção com estes conceitos:
- Verbo: palavra que indica um fato (em geral: uma ação, um estado emocional, ou um fenômeno proveniente da força da natureza), localizando-o no tempo.
- Sujeito: termo da frase sobre o qual se declara algo.

I. Efetue a concordância, escolhendo a forma verbal adequada:

1. Naquele dia ...... dez alunos. (faltou/ faltaram)
2......, naquela época, fatos terríveis. (aconteceu/ aconteceram)
3. Ainda....quarenta blocos.(falta/faltam)
4. Ainda não....os documentos. (chegou/ chegaram)
5. ....cinco minutos para começar a aula. (falta/faltam)
6......quatro pessoas para fazer o trabalho. (basta/ bastam)
7. Um bando...... .(chegou/chegaram)
8. Um bando de alunos.... .(chegou/ chegaram)
9. A multidão..... .(gritava/gritavam)
10. A multidão de torcedores... . (gritava/ gritavam)
11. A maioria.... à aula.(faltou/faltaram)
12. A maioria dos alunos.... à aula. (faltou/ faltaram)
13. Grande parte................... à cerimônia. (compareceu/ compareceram)
14. Grande parte dos convidados..................à cerimônia. (compareceu/ compareceram)
15. Minas Gerais...........grandes escritores (revelou/revelaram)
16. As Minas Gerais.........grandes escritores. (revelou/revelaram)
17. Os Estados Unidos....milho. (exporta/ exportam)
18. Campinas.....grandes jogadores. (revelou/ revelaram)
19. O Amazonas.....longe.(fica/ficam)
20. Os Lusíadas....a viagem de Vasco da Gama. (Contam/conta)
21. Vossa Majestade.....à reunião? (compareceu/ compareceram)
22. Vossas Excelências.............a decisão. (apoiaram / apoiastes)
23. Vossa Alteza....os problemas. (conhece/ conheceis)
24. O relógio da Igreja....duas horas. (deu/ deram)
25. .......duas horas no relógio da Igreja.(deu/ deram)
26. A torre da Igreja....quatro horas.(bateu/ bateram)
27. .....quatro horas na torre da Igreja.(bateu/ bateram)
28. .... - se em discos voadores. (acredita/ acreditam)
29. ....- se de assuntos importantes.(tratava/ tratavam)
30. ....-se aos pedidos do mestre.(obedeceu/ obedeceram)
31. ....-se em pessoas honestas. (confia/ confiam)
32. .....-se casas. (vende/vendem)
33. ....-se apartamentos na praia. (aluga/ alugam)
34.....-se aulas de piano.(dá/dão)
35. ...-se roupas.(reforma/reformam)
36. ....muitos torcedores no estádio. (havia/ haviam)
37. ... muitos torcedores no estádio.(existia/ existiam)
38. ...........haver muitos torcedores no estádio. (deve/devem)
39 .............existir muitos torcedores no estádio.(deve/devem)
40 ...........de haver sérios problemas.(há/hão)
41 ..........de existir sérios problemas.(há/hão)
42. Ainda .........resolver quatro exercícios. (falta/faltam)
43. O livro e as encomendas ............. .(chegou/chegaram)
44 ............ o livro e as encomendas. (chegou/chegaram)
45 ........... as encomendas e o livro. (chegou/chegaram)
46. A previsão e os resultados ........ .(falhou/falharam)
47 ............ a previsão e os resultados. (falhou/falharam)
48. Livros, roupas, brinquedos, tudo .......... fora de lugar. (estava/estavam)
49. Primos, tios, sobrinhos, ninguém ......... à festa. (faltou/faltaram)
50. Primos, tios, sobrinhos, todos ........ à festa. (foi/foram)
51. Eu, tu e ele ........ a tarefa. (fizemos/fizestes)
52. Ele, tu e eu ........... o pedido. (confirmamos/confirmastes)
53. Tu e teu colega ........ a tempo. (chegastes/chegaram)
54. Teus amigos e tu .......... o problema. (sabeis/sabem)

_____________________________
PALESTRA

“Tijolos imaginários - a construção literária” 
Acadêmico Marco Antônio Fabiani 
                  
                              “Foi por este rio de modorra e de barro, 
                              que as proas vieram  fundar a pátria?”                                       

Os versos do belo poema de Borges, “A fundação mítica de Buenos Aires,” invocam pátrias fundadas ao som do baque de proas e quilhas, em margens desconhecidas. Embarcações a abrir novos mundos, novas esperanças (e novas dores), na busca incessante de uma vida melhor, nesse impulso natural dos humanos. Em todos os tempos e lugares, homens viveram e morreram à procura de uma nova Canaã, de paraísos imaginários, terras de bem aventurança. Construir utopias, enfim. Está em nós. Ir além. Içar velas, remar, caminhar e abrir caminhos em meio a florestas inóspitas. E nesse fazer, criar imagens, as mais simbólicas, profundamente arraigadas na vasta história da humanidade. Caravelas, proas de Borges, picadas em meio às matas e, aqui, nesse setentrião, a balsa que atravessa o rio Tibagi em 1929. Primeiro movimento fundador do Norte novo do Paraná.
Colocar os pés em novas terras é um movimento que nos acompanha através dos séculos, ou milênios. Hoje, no entanto, está definitivamente encerrado. Não há mais territórios a ocupar, não há o além-mar, o novo mundo, nem terras inexploradas. Não há mais possibilidade de reconstrução de novas vidas, tornar o chão uma âncora de renascimentos e riquezas. Essa atividade humana, nos moldes em que aconteceu, pertence ao passado. 
A geração à qual pertenço chegou, não a testemunhar, mas a sentir, os últimos sopros da experiência derradeira da construção desse pedaço do país, chamado norte do Paraná. Trazemos, em algum pedaço da memória, os cheiros, a visão de cavalos e carroças, homens em camisas de brim grosseiro, mulheres em vestidos de chita, os sotaques, palavreados, medo das geadas, as colheitas fartas. Ouvimos histórias fantásticas de prosperidade, fortunas repentinas. Esse mundo, que deixou de existir fisicamente, espalhou seus espectros e energias que ainda fazem ruídos na memória coletiva. 
O norte do Paraná (o velho e o novo) vai construindo suas narrativas, seus mitos fundadores, criando e sedimentando seus símbolos. Disseminar esses feitos, pode ser escolha dos que escrevem, dos artistas visuais, dos músicos, enfim, dos que querem falar do universo, descrevendo suas aldeias, como bem aconselhava Tolstoi. 
Escritores, como sabemos, são arqueólogos do vento. Recolhem vestígios de existências nos sons de palavras, nas imagens que sobrevivem apenas nas lembranças, nos fatos desimportantes e banais. Inventam assim as irrealidades necessárias para compreensão da vida.  Não resolvem e nem se propõe a resolver mistérios, mas apontá-los. Eles querem mostrar, com a extrema liberdade conferida pela literatura, a disputa pelo lugar ao sol, pelo pedaço de chão, a saga de famílias pioneiras, dos que conseguiram, dos que não conseguiram, ou dos que perderam seu palmo de terra.  
Dr. Lauro Beltrão
História e poesia são irmãs, filhas da deusa Memória. Coube à primeira, a ciência, a busca pela precisão dos fatos. À outra, o descompromisso com verdade, falar da vida, não exatamente como foi, mas como poderia ter sido. 
As duas irmãs constroem os romances.



Ao final da palestra, vários dos presentes formularam perguntas, dentre eles o Dr. Lauro Beltrão (foto à direita), que contribuiu com alguns dados históricos referentes ao Norte do Paraná, destacando suas lembranças de infância junto ao Rio Tibagi.

_____________________________

VISITA ILUSTRE




Nossa reunião foi enriquecida com a presença do Sr. Klaus Nixdorf, membro da UWA - United World Association e da AMU - Associação Mundo Unido, que trouxe o livro escrito por seu pai, Oswald Nixdorf, segundo ele o mais completo livro sobre a história do Norte do Paraná. O livro foi escrito originalmente em alemão, distribuído em vários países do mundo e recentemente traduzido para o português. O Sr. Nixdorf entregou um exemplar à nossa Academia, recebido por nossa presidente Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina e outro exemplar para o Instituto Cultural Gonzaga Vieira, sede da nossa Academia, exemplar esse recebido pela nossa vice-presidente Pilar Álvares Gonzaga Vieira.
Em seguida. relatou aos presentes seus projetos para uma próxima volta ao mundo, inclusive para entregar pessoalmente um exemplar do livro à Rainha Elizabeth II na Inglaterra.