Extratos da nossa reunião de 12/02/2017




Mesa diretiva, composta pelo Acadêmico Marco Antônio Fabiani, palestrante do dia, Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, presidente e Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira, Vice- Presidente


Nosso Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos, mais uma vez abrilhantando a reunião


A Acadêmica Neusi Berbel procedeu à leitura do Credo Acadêmico

DESTAQUES ACADÊMICOS:

- Declamação 
Esta vida, do poeta Guilherme de Almeida
Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina

Um sábio me dizia: esta existência,
não vale a angústia de viver.
A ciência, se fôssemos eternos, num transporte
de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece
no infinito do tempo.
E vibra e cresce
e se desdobra e estala num segundo.
Homem, eis o que somos neste mundo.

Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um monge me dizia: ó mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade!
Pensa: o tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto;
o riso, às vezes, quase sempre, um pranto.
Depois o mundo, a luta que intimida,
quadro círios acesos : eis a vida

Isto me disse o monge e eu continuei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um pobre me dizia: para o pobre
a vida, é o pão e o andrajo vil que o cobre.
Deus, eu não creio nesta fantasia.
Deus me deu fome e sede a cada dia
mas nunca me deu pão, nem me deu água.
Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa
de andar de porta em porta, esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.

Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver,
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Uma mulher me disse: vem comigo!
Fecha os olhos e sonha, meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira
que queiras muito e que também te queira.
No telhado, um penacho de fumaça.
Cortinas muito brancas na vidraça
Um canário que canta na gaiola.
Que linda a vida lá por dentro rola!

Pela primeira vez eu comecei a ver, 
dentro da própria vida, o encanto de viver. 
_____________________________

- Reflexão:
Exigências dos Direitos Humanos como Núcleo Ético-Jurídico e Político da Democracia (II)
Acadêmico Sergio Alves Gomes (1)


O Ser Humano: características e necessidades básicas

(OBS. O  texto que segue abaixo foi lido e comentado pelo seu Autor em sua  comunicação (restrita ao tópico nº 1 do tema) apresentada na Reunião Ordinária da ALCAL, no dia 12/02/2017. O texto completo encontra-se publicado como capítulo I, do livro  “Estudos em Direito Negocial: Relações Privadas e Direitos Humanos”, organizado por Miguel Etinger de Araújo Júnior e Ana Cláudia Corrêa Zuin Mattos do Amaral. Editora Boreal, Barigui/SP, 2015. O tema do capítulo em estudo tem por título: “Exigências dos Direitos Humanos como Núcleo Ético-Jurídico e Político da Democracia”). 

Em razão de sua complexidade, o homem pode ser estudado por múltiplas ciências. Cada uma delas busca focalizar aspectos humanos específicos. A Antropologia Filosófica, entretanto, põe a questão abrangente: quem é o homem? 
A relevância da indagação é induvidosa quando se pretende abordar tema que envolve interesses humanos, pois qualquer adjetivação desta natureza pressupõe a compreensão mínima do que seja o homem. Por isso, não há como fugir de tal reflexão em se tratando da temática “direitos humanos”.  
Para Erich Fromm, “o homem não é uma coisa; é um ser envolvido num processo contínuo de desenvolvimento. Em cada ponto de sua vida, ele ainda não é o que pode ser e o que ainda pode vir a ser”. (FROMM,1981, p.130).
Na busca da identificação da natureza humana, faz-se indispensável  a  análise das características do homem. Só é possível elaborar conceitos convincentes mediante a observação dos caracteres do objeto a ser conceituado. Destarte, também, para se  saber “quem é o homem”, mesmo sem a pretensão de conceituá-lo, impõe-se a consideração de suas características. 
Battista Mondin ( 1980, p.27 a 245), ao analisar a fenomenologia do homem, vê  nele dez dimensões:  
1ª: corpórea (homo somaticus); 2ª: da vida humana (homo vivens); 3ª: a do conhecer sensitivo e intelectivo (homo sapiens); 4ª: dimensão da  vontade, da liberdade e do amor (homo volens); 5ª: dimensão da linguagem (homo loquens); 6ª. dimensão social e política (homo socialis); 7ª:  dimensão cultural (homo culturalis); 8ª: do trabalho e da técnica (homo faber); 9ª: do jogo e do divertimento (homo ludens); 10ª: dimensão religiosa (homo religiosus). 
As características presentes no ser humano, ao mesmo tempo que evidenciam as múltiplas dimensões deste, demonstram também sua incapacidade para sobreviver e evoluir sem o convívio com seus semelhantes. Daí a natural sociabilidade (2) e interdependência dos indivíduos. 
A decorrência das características, com as quais o ser humano encontra-se dotado, é a presença de variadas necessidades por ele experimentadas e que clamam por satisfação. “Necessidade” aqui significa exigência da própria natureza humana, por apresentar um modo de ser carente de complementação, inacabado e não autossuficiente. Dentre tais necessidades básicas estão, por exemplo, a manutenção da vida orgânica mediante alimentação adequada; convivência afetuosa para atender necessidades biopsíquicas (aceitação do outro e pelo outro, procriação, manutenção da espécie humana...); autonomia individual para se reconhecer e ser reconhecido como indivíduo que se assemelha e, ao  mesmo tempo, se diferencia dos demais seres humanos; necessidade de comunicar-se livremente com estes, mediante linguagem adequada, que possibilite a interação em torno de interesses comuns e individuais; de educar-se, para vivenciar de modo gratificante e duradouro as várias dimensões de sua existência, isto porque o homem é um ser capaz de aprender e de ensinar e que enquanto ensina também aprende; de professar, livremente, suas crenças; necessidade de integrar-se no meio cultural em que vive e de atuar como cidadão partícipe da história (decorrência da dimensão política), de modo a perceber sua própria identidade e sua dignidade enquanto pessoa. 
Estas e tantas outras necessidades são carências inerentes à natureza humana. Isso equivale a dizer que estão, de um modo geral, presentes em todos os seres humanos. Variam apenas as  normas culturais a respeito de como satisfazê-las. 
Por isso, tais necessidades clamam por atendimento simultâneo e integral. Atender apenas algumas destas exigências em menosprezo das demais  significa não considerar o homem em sua integralidade. A consequência de tal atitude é a morte das dimensões humanas desconsideradas, ou seja, a deformação do próprio ser humano que se vê privado do exercício de faculdades fundamentais componentes de sua “humanidade”, isto é, de sua essência.  
Diante disso, os direitos humanos apresentam-se como instrumentos jurídicos garantidores do atendimento das necessidades fundamentais do ser humano, cujo menosprezo diminui em muito, quando não impossibilita, por completo, o desabrochar das potencialidades a ele inerentes, as quais, ao serem frustradas, afastam qualquer possibilidade de realização do indivíduo como pessoa. 

1-  Professor Associado da Universidade Estadual de Londrina (Departamento de Direito Público). Docente no Programa de Mestrado e na graduação em Direito da Universidade Estadual de Londrina. Doutor em Direito:Filosofia do Direito e do Estado, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestre em Direito e Especialista em Filosofia Política pela Universidade Estadual de Londrina. Juiz de Direito. 

2- Cabe lembrar  a observação de Aristóteles a respeito não apenas da  sociabilidade humana mas também  dos sentimentos do bem e do mal, do justo e do injusto, bem como da capacidade que tem o ser humano de expressá-los pela fala, isto é, por meio da palavra. Diz o filósofo de Estagira: “ o homem é por natureza um animal social, e um homem que por natureza, e não por mero acidente, não fizesse parte de cidade alguma, seria desprezível ou estaria acima da humanidade (como o ‘sem clã, sem leis, sem lar’ de que Homero fala com escárnio, pois ao mesmo tempo ele é ávido de combates), e se poderia compará-lo a uma peça isolada do jogo de gamão. Agora é evidente que o homem, muito mais que a abelha ou outro animal gregário, é um animal social. Como costumamos dizer, a natureza nada faz sem um propósito, e o homem é o único entre os animais que tem o dom da fala.  Na verdade, a simples voz pode indicar a dor e o prazer, e outros animais a possuem (sua natureza foi desenvolvida somente até o ponto de ter sensações do que é doloroso ou agradável e externá-las entre si), mas a fala tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo, e portanto também o justo e o injusto; a característica específica do homem em comparação com os outros animais é que somente ele tem o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e de outras qualidades morais, e é a comunidade de seres com tal sentimento que constitui a família e a cidade”. (ARISTÓTELES, 1997, p.15,   Livro.I, cap.I,1253,a).  
Para MIRACY B.S. GUSTIN (1999, p.31),   dentre as tantas necessidades que o ser humano apresenta,  a autonomia  figura como primordial em relação às demais. Diz ela: “Sugere-se que a condição de autonomia é transcultural e independente da inserção em categorias sociais localizadas e parciais. Ainda em termos preliminares, considera-se o ser autônomo como aquele que é capaz de fazer escolhas próprias, de formular objetivos pessoais respaldados em convicções e de definir as estratégias mais adequadas para atingi-los. Em termos mais restritos, o limite de autonomia equivaleria à capacidade de ação e de intervenção da pessoa ou do grupo sobre as condições de sua forma de vida. Esse limite definiria a capacidade indispensável e mínima para a atribuição de responsabilidade às pessoas”.  JOSEPH  RAZ, ao tratar do tema da autonomia, assevera: “An  autonomous person is one who is the author of his own life. His life is his own making.  The autonomous person’s life is marked not only by what it is but also by what it might have been and by the way it became what it is. A person is autonomous only if he has a variety of acceptable options available for him to choose from and his life became as it is through his choice of some of these options.  A person who has never had any significant choice, or was not aware of it , or never exercised choice in significant matters but simply drifted through  life is not an autonomous person”.  (In: WALDRON, 1984, p. 191). Ainda sobre o tema das necessidades humanas tem-se a importante contribuição do psicólogo norte-americano ABRAHAM MASLOW, “considerado o fundador e líder espiritual do movimento humanista de psicologia” (SCHULTZ D.P.;SCHULTZ, S.E.,2002, p.290 a 297). Para Maslow, há cinco necessidades inatas no ser humano, as quais são hierarquizadas pelo autor que coloca na base de tal hierarquia as necessidades fisiológicas. Na sequência, em sentido ascendente, vem as demais que são necessidades de segurança, de afiliação e amor, de estima e de auto-realização.
Referências bibliográficas (deste tópico): 
ARISTÓTELES. Política. Universidade de Brasília, 1997.
FROMM, Erich. Análise do Homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
GUSTIN, Miracy Barbosa de Souza. Das Necessidades Humanas aos Direitos. Belo Horizonte: Del Rey, 1999. 
MONDIN, Battista.  O Homem, Quem é Ele? Elementos de Antropologia Filosófica. São Paulo: Edições Paulinas, 1982.
RAZ, Joseph. Rights-Based Moralities. In: WALDRON, Jeremy, Theories of Rights. New York: Oxford University Press, 1984.
SCHULTZ, Duane P; SCHULTZ, Sydney Ellen. Teorias da Personalidade. São Paulo: Thomson, 2002.
_____________________________

MOMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA 
Prof. Dr. Vladimir Moreira


Como falantes da Língua Materna, usamos as concordâncias verbais e nominais  com naturalidade. Na linguagem oral, os desvios de concordância são minimizados em face do contexto e entendimento entre os interlocutores. O problema ocorre quando estamos diante de um papel em branco e temos de produzir um texto em linguagem padrão. É nesse momento que precisamos dominar mais esse item da estrutura da gramática normativa: a concordância. Destacaremos hoje, mais precisamente, a concordância verbal. Em vez de nos prendermos à teoria, visualizaremos as estruturas das orações e refletiremos sobre elas. Vejamos:

- Concordância Verbal: o verbo concorda com seu sujeito em pessoa (Eu/Tu/Ele/Nós/Vós/Eles) e em número (singular/plural). Porém, há exceções! Para estudá-las, recomenda-se, a princípio, a atenção com estes conceitos:
- Verbo: palavra que indica um fato (em geral: uma ação, um estado emocional, ou um fenômeno proveniente da força da natureza), localizando-o no tempo.
- Sujeito: termo da frase sobre o qual se declara algo.

I. Efetue a concordância, escolhendo a forma verbal adequada:

1. Naquele dia ...... dez alunos. (faltou/ faltaram)
2......, naquela época, fatos terríveis. (aconteceu/ aconteceram)
3. Ainda....quarenta blocos.(falta/faltam)
4. Ainda não....os documentos. (chegou/ chegaram)
5. ....cinco minutos para começar a aula. (falta/faltam)
6......quatro pessoas para fazer o trabalho. (basta/ bastam)
7. Um bando...... .(chegou/chegaram)
8. Um bando de alunos.... .(chegou/ chegaram)
9. A multidão..... .(gritava/gritavam)
10. A multidão de torcedores... . (gritava/ gritavam)
11. A maioria.... à aula.(faltou/faltaram)
12. A maioria dos alunos.... à aula. (faltou/ faltaram)
13. Grande parte................... à cerimônia. (compareceu/ compareceram)
14. Grande parte dos convidados..................à cerimônia. (compareceu/ compareceram)
15. Minas Gerais...........grandes escritores (revelou/revelaram)
16. As Minas Gerais.........grandes escritores. (revelou/revelaram)
17. Os Estados Unidos....milho. (exporta/ exportam)
18. Campinas.....grandes jogadores. (revelou/ revelaram)
19. O Amazonas.....longe.(fica/ficam)
20. Os Lusíadas....a viagem de Vasco da Gama. (Contam/conta)
21. Vossa Majestade.....à reunião? (compareceu/ compareceram)
22. Vossas Excelências.............a decisão. (apoiaram / apoiastes)
23. Vossa Alteza....os problemas. (conhece/ conheceis)
24. O relógio da Igreja....duas horas. (deu/ deram)
25. .......duas horas no relógio da Igreja.(deu/ deram)
26. A torre da Igreja....quatro horas.(bateu/ bateram)
27. .....quatro horas na torre da Igreja.(bateu/ bateram)
28. .... - se em discos voadores. (acredita/ acreditam)
29. ....- se de assuntos importantes.(tratava/ tratavam)
30. ....-se aos pedidos do mestre.(obedeceu/ obedeceram)
31. ....-se em pessoas honestas. (confia/ confiam)
32. .....-se casas. (vende/vendem)
33. ....-se apartamentos na praia. (aluga/ alugam)
34.....-se aulas de piano.(dá/dão)
35. ...-se roupas.(reforma/reformam)
36. ....muitos torcedores no estádio. (havia/ haviam)
37. ... muitos torcedores no estádio.(existia/ existiam)
38. ...........haver muitos torcedores no estádio. (deve/devem)
39 .............existir muitos torcedores no estádio.(deve/devem)
40 ...........de haver sérios problemas.(há/hão)
41 ..........de existir sérios problemas.(há/hão)
42. Ainda .........resolver quatro exercícios. (falta/faltam)
43. O livro e as encomendas ............. .(chegou/chegaram)
44 ............ o livro e as encomendas. (chegou/chegaram)
45 ........... as encomendas e o livro. (chegou/chegaram)
46. A previsão e os resultados ........ .(falhou/falharam)
47 ............ a previsão e os resultados. (falhou/falharam)
48. Livros, roupas, brinquedos, tudo .......... fora de lugar. (estava/estavam)
49. Primos, tios, sobrinhos, ninguém ......... à festa. (faltou/faltaram)
50. Primos, tios, sobrinhos, todos ........ à festa. (foi/foram)
51. Eu, tu e ele ........ a tarefa. (fizemos/fizestes)
52. Ele, tu e eu ........... o pedido. (confirmamos/confirmastes)
53. Tu e teu colega ........ a tempo. (chegastes/chegaram)
54. Teus amigos e tu .......... o problema. (sabeis/sabem)

_____________________________
PALESTRA

“Tijolos imaginários - a construção literária” 
Acadêmico Marco Antônio Fabiani 
                  
                              “Foi por este rio de modorra e de barro, 
                              que as proas vieram  fundar a pátria?”                                       

Os versos do belo poema de Borges, “A fundação mítica de Buenos Aires,” invocam pátrias fundadas ao som do baque de proas e quilhas, em margens desconhecidas. Embarcações a abrir novos mundos, novas esperanças (e novas dores), na busca incessante de uma vida melhor, nesse impulso natural dos humanos. Em todos os tempos e lugares, homens viveram e morreram à procura de uma nova Canaã, de paraísos imaginários, terras de bem aventurança. Construir utopias, enfim. Está em nós. Ir além. Içar velas, remar, caminhar e abrir caminhos em meio a florestas inóspitas. E nesse fazer, criar imagens, as mais simbólicas, profundamente arraigadas na vasta história da humanidade. Caravelas, proas de Borges, picadas em meio às matas e, aqui, nesse setentrião, a balsa que atravessa o rio Tibagi em 1929. Primeiro movimento fundador do Norte novo do Paraná.
Colocar os pés em novas terras é um movimento que nos acompanha através dos séculos, ou milênios. Hoje, no entanto, está definitivamente encerrado. Não há mais territórios a ocupar, não há o além-mar, o novo mundo, nem terras inexploradas. Não há mais possibilidade de reconstrução de novas vidas, tornar o chão uma âncora de renascimentos e riquezas. Essa atividade humana, nos moldes em que aconteceu, pertence ao passado. 
A geração à qual pertenço chegou, não a testemunhar, mas a sentir, os últimos sopros da experiência derradeira da construção desse pedaço do país, chamado norte do Paraná. Trazemos, em algum pedaço da memória, os cheiros, a visão de cavalos e carroças, homens em camisas de brim grosseiro, mulheres em vestidos de chita, os sotaques, palavreados, medo das geadas, as colheitas fartas. Ouvimos histórias fantásticas de prosperidade, fortunas repentinas. Esse mundo, que deixou de existir fisicamente, espalhou seus espectros e energias que ainda fazem ruídos na memória coletiva. 
O norte do Paraná (o velho e o novo) vai construindo suas narrativas, seus mitos fundadores, criando e sedimentando seus símbolos. Disseminar esses feitos, pode ser escolha dos que escrevem, dos artistas visuais, dos músicos, enfim, dos que querem falar do universo, descrevendo suas aldeias, como bem aconselhava Tolstoi. 
Escritores, como sabemos, são arqueólogos do vento. Recolhem vestígios de existências nos sons de palavras, nas imagens que sobrevivem apenas nas lembranças, nos fatos desimportantes e banais. Inventam assim as irrealidades necessárias para compreensão da vida.  Não resolvem e nem se propõe a resolver mistérios, mas apontá-los. Eles querem mostrar, com a extrema liberdade conferida pela literatura, a disputa pelo lugar ao sol, pelo pedaço de chão, a saga de famílias pioneiras, dos que conseguiram, dos que não conseguiram, ou dos que perderam seu palmo de terra.  
Dr. Lauro Beltrão
História e poesia são irmãs, filhas da deusa Memória. Coube à primeira, a ciência, a busca pela precisão dos fatos. À outra, o descompromisso com verdade, falar da vida, não exatamente como foi, mas como poderia ter sido. 
As duas irmãs constroem os romances.



Ao final da palestra, vários dos presentes formularam perguntas, dentre eles o Dr. Lauro Beltrão (foto à direita), que contribuiu com alguns dados históricos referentes ao Norte do Paraná, destacando suas lembranças de infância junto ao Rio Tibagi.

_____________________________

VISITA ILUSTRE




Nossa reunião foi enriquecida com a presença do Sr. Klaus Nixdorf, membro da UWA - United World Association e da AMU - Associação Mundo Unido, que trouxe o livro escrito por seu pai, Oswald Nixdorf, segundo ele o mais completo livro sobre a história do Norte do Paraná. O livro foi escrito originalmente em alemão, distribuído em vários países do mundo e recentemente traduzido para o português. O Sr. Nixdorf entregou um exemplar à nossa Academia, recebido por nossa presidente Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina e outro exemplar para o Instituto Cultural Gonzaga Vieira, sede da nossa Academia, exemplar esse recebido pela nossa vice-presidente Pilar Álvares Gonzaga Vieira.
Em seguida. relatou aos presentes seus projetos para uma próxima volta ao mundo, inclusive para entregar pessoalmente um exemplar do livro à Rainha Elizabeth II na Inglaterra.


Extratos da reunião de 11/12/2016

Mesa diretiva, com a presidente LeonildaYvonneti Spina e a Vice-Presidente
Pilar Álvares Gonzaga Vieira

Nossa reunião foi conduzida pelo Orador, Acadêmico
Sergio Alves Gomes

A leitura do Credo Acadêmico, por
Clodomiro José Bannwart Jr.

MOMENTO DE DANÇA



Exibindo o Certificado de Participação


A Companhia Entrepassos de Dança - NAFI/CEFE/UEL, sob a coordenação de Paulo Ricardo Freschi Ferreira e Lucília Kunioshi Utiyama brindou os presentes com dois números bem distintos de dança: primeiro, um número onde os dançarinos esbanjaram sensualidade em seus movimentos; em seguida, apresentaram um verdadeiro samba de gafieira. 


___________________________________

"Etimologia das palavras da língua portuguesa"
Pelo Acadêmico Nelso Attílio Ubiali

Etimologia exige muito conhecimento da língua latina e grega, tendo em vista que 80% das palavras do Português têm origem no Latim + 16% provindas do Grego, mas também estas vindas ao português através do Latim.  Os 4% restantes vêm de outras línguas.
No início, as palavras têm um sentido original, primitivo. Com o tempo, podem alterar o significado. Tal disciplina se chama Semântica: mudança de sentido das palavras através dos tempos. 
O Acadêmico apresentou vários exemplos, citando as palavras comer. conclave, correio, estátua, aluno, conde, caderno/livro, rivais, testículo, porta, janela, paciente/paciência/paixão, vagabundo, zona, veado, selo, combustível, hóspede/hospital/hospício.
A Academia certamente terá novas oportunidades de relembrar a etimologia das palavras de nossa língua portuguesa,com o Acadêmico Nelso Attílio Ubiali.
___________________________________

"Gratidão"
Pelo Acadêmico José Ruivo

O Dr. José Ruivo fez uso da palavra para homenagear o Dr. José Gonzaga Vieira, que faleceu  há 15 anos, no dia 10 de dezembro de 2009 e lembrou que na mesma data em 2001 era inaugurada a Casa de Cultura, hoje Instituto Cultural José Gonzaga Vieira.
O Acadêmico recordou uma amizade que se prolongou por mais de 20 anos, enaltecendo a lhaneza de trato, a grande inteligência, a vastíssima cultura e o amor do homenageado pelas artes e pelas letras. Lembrou do amigo que tinha especial preferência por biografias dos homens que escreveram a história, buscando entender suas psicologia e motivações.
Enalteceu a elegância no comportamento do  amigo Gonzaga Vieira, sua abertura de espírito, seu "livre pensar", a fé - guardada no fundo da sua alma -, a generosidade com os necessitados, o amor extremo pela família, a dedicação aos amigos - qualidade que o tornam sempre presente na memória daqueles que tiveram o privilégio de com ele conviver.
Citou a Casa de Cultura (agora Instituto Cultural José Gonzaga Vieira) como uma obra de grande mérito em benefício dos estudiosos e dos amantes das letras e das artes, que por esforços de sua viúva, Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira, hoje acolhe nossa Academia para as reuniões mensais.
O Acadêmico José Ruivo mencionou ainda que lhe pareceu oportuno, após a homenagem prestada à Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira na Sessão Solene de 25/11 deste ano, lembrar a memória do homem que, com o exemplo de sua vida e seu trabalho, deu origem aos bens de que nossa Academia hoje está desfrutando.
___________________________________

38 ANOS DE ACADEMIA

"A Trajetória da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina"
Produzido e apresentado pelo Acadêmico Julio Ernesto Bahr

Foi exibido um áudio-visual com o resumo dos 38 anos de atividades da Academia desde a sua fundação pelo Dr. João Soares Caldas e a instalação na ACIL - Associação Comercial e Industrial de Londrina em 1978, apresentando fotografias de pessoas das mais destacadas à época presentes à reunião, além das figuras ilustres que compuseram a primeira mesa diretiva.
Foram exibidas também algumas fotografias dos primeiros Acadêmicos, o diploma da declaração de Utilidade Pública em 1979, as várias cerimônias de posse na renovação dos membros efetivos, as participações de vários palestrantes, visitas ilustres recepcionadas na Academia, mini-biografias dos dois presidentes falecidos e a cerimônia da outorga, pela Câmara Municipal de Londrina, da Medalha Ouro Verde em 2014.
O aúdio-visual mostrou ainda a participação da nossa Academia nos Encontros das Academia de Letras do Paraná em 2014 e 2016, a Sessão Solene comemorativa dos 38 anos de atividades em novembro deste ano, além da relação atual dos Acadêmicos. 
___________________________________

APRESENTAÇÃO MUSICAL


As cantoras líricas Vera Franzin (canto-soprano-piano), à esquerda, e Cáren Lícia Gonçalves (canto - soprano), nos brindaram com uma mini-audição apresentando:
Quem sabe? (Antônio Carlos Gomes) - Modinha,1859/60.
Poema de Dr. Francisco Leite de Bittencourt Sampaio. Duo - Vera Franzin e Cáren Lícia - Gonçalves. 
Ich Harrete des Hern (Lobgesang) - Felix Mendelssohn, 1840. Duo - Vera Franzin e Cáren Lícia Gonçalves. 
Depp River (Negro Espiritual - anônimo). Solo - Vera Franzin e Duo - Vera Franzin e Cáren Lícia Gonçalves.

Entrega dos Certificados de Participação
________________________________________________________

"BREVIÁRIO FILOSÓFICO"
Pelo Acadêmico Clodomiro José Bannwart Jr.


Na sua apresentação, o Acadêmico abordou a responsabilidade integral (tema e título do seu livro recém-lançado), que trata de metodologia estratégica para o desenvolvimento pessoal, corporativo e educacional.
Oportunamente será incluído neste espaço um resumo da sua apresentação, que está sendo preparado pelo autor.
___________________________________
MOMENTO DA TROVA


A Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina fez uma explanação sobre a União Brasileira de Trovadores (UBT), oficialmente fundada no Rio de Janeiro, em 1966, por iniciativa do odontólogo e escritor Gilson de Castro, que adotou o pseudônimo artístico de Luiz Otávio. Juntamente com outros trovadores, ele criou os Estatutos e Regimento Interno dessa entidade, destinada a agregar os amantes da trova literária, estabelecendo as regras para a sua elaboração.
Hoje a UBT conta com mais de três mil trovadores e possui delegacias e seções espalhadas por todo o país.
Explicou a presidente que, para a UBT, a trova não é uma simples quadra popular, mas um tipo de poesia de sentido completo, sem título, formada apenas por uma estrofe de quatro versos (linhas) de sete sílabas poéticas, sendo que o primeiro verso deve rimar com o terceiro e o segundo com o quarto. As trovas podem ser líricas, filosóficas ou humorísticas.
Durante todo o ano são realizados concursos e Jogos Florais, em inúmeros estados, com participação ativa dos trovadores, que recebem como premiação troféus, medalhas e certificados.
Comentou que Londrina contava com uma seção da UBT, que aos poucos foi se enfraquecendo, em função do estado de saúde da presidente daquela entidade, a Acadêmica Maria Aparecida Machado Frigeri, exímia trovadora.
Informou que a Academia irá incentivar a realização de encontros e oficinas, para que as pessoas interessadas conheçam as orientações estabelecidas pela UBT e Londrina possa novamente participar do movimento trovadoresco nacional.
Em seguida, todos os presentes, com muito entusiasmo, participaram da leitura de trovas de diversos autores, que haviam sido distribuídas. 

___________________________________

ENCERRAMENTO








 

Para fechar o ano com chave de ouro após tantas realizações, entre eleição para a nova Diretoria, participação no XI Encontro de Academias de Letras do Paraná em Curitiba, comemoração dos 38 anos da Academia, palestras de altíssimo nível, renovação do quadro de Membros Efetivos, presença de várias personalidades londrinenses às reuniões e uma frequência cada vez maior de interessados em sorver cultura, os presentes cantaram juntos a canção "Noite Feliz", para em seguida levantar um brinde, externando o desejo de um feliz Natal e um novo ano de muitas realizações na vida pessoal, profissional e acadêmica.

Sessão Solene em comemoração aos 38 anos da Academia

No dia 25 de novembro, a  Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina promoveu uma Sessão Solene em comemoração aos trinta e oito anos de instalação da entidade, que se realizou no salão nobre do Palácio do Comércio, nesta cidade, com a participação especial do Coro da UEL.

A Sessão Solene ocorreu no mesmo local onde, há 38 anos era fundada nossa Academia, com a presença de personagens ilustres da cidade de Londrina à época.


A mesa diretiva, vendo-se à direita o novo Acadêmico empossado, Marco Antonio Fabiani,
no momento do seu pronunciamento

No início da solenidade, foi formada a mesa diretiva, composta pela Vereadora Elza Correia (autora do projeto para concessão da Medalha Ouro Verde pela Câmara Municipal para nossa Academia), a presidente Leonilda Yvonneti Spina, a 1a. Vice-Presidente Pilar Álvares Gonzaga Vieira, a 2a. Vice-Presidente Maria Lucia Victor Barbosa e nosso Orador Sergio Alves Gomes.

Leitura do Credo Acadêmico
por Léo Pires Ferreira
O Acadêmico Léo Pires Ferreira foi convidado pelo Mestre de Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos, a ler o Credo Acadêmico e em seguida foram feitos breves pronunciamentos por parte de Claudio Tedeschi, presidente da ACIL (Associação Comercial e Industrial de Londrina), da veradora Elza Correia e da nossa presidente Leonilda Yvonneti Spina.


Foi a vez do Coral da UEL (Universidade Estadual de Londrina) brindar os presentes com lindas apresentações de consagradas músicas populares brasileiras, sob a regência do Maestro Denis Pereira do Amaral Camargo. 


Em seguida, o Orador Sergio Alves Gomes deu as boas-vindas aos novos Membros Efetivos ou Titulares: Dinaura Godinho Pimentel Gomes, Elve Miguel Cenci, Marco Antonio Fabiani e Neusi Aparecida Navas Berbel, com o pronunciamento que se segue: 

Discurso proferido pelo Acadêmico e Orador Sergio Alves Gomes, recepcionando os novos Acadêmicos

(O orador, após as saudações exordiais, iniciou o discurso tratando sobre as  origens etimológicas da palavra “academia”). Mencionou, com base em suas pesquisas,   que o referido termo está vinculado a  Academo  (do grego AKÁDEMOS) – herói ático que revelou a Castor e Pólux (filhos gêmeos de Zeus) o lugar exato em que Teseu havia escondido Helena, por este raptada.  O túmulo de Academo ficava num subúrbio de Atenas. O lugar em que o herói fora sepultado estava cercado por um bosque sagrado. Platão comprou parte do bosque e nele instalou sua escola. Para homenagear o herói Academo denominou-a “Academia”  que ali funcionou por mais de 1000 anos.
(Na sequência, o Orador destacou que)
Na modernidade, consoante registra a “Enciclopédia Mirador Internacional“ é, sobretudo, a partir do século XVII que florescem as mais importantes academias, não só de letras e de estudos filológicos, mas também de ciências e artes. Em 1603 surge em Roma a Reale Accademia Nazionale dei Lincei, que se dedicou às ciências naturais e à astronomia, tornando-se modelo de outras academias de ciências, como Royal Society, fundada em Londres em 1660, e da Académie Royale de Sciences, de Paris, em 1666. A Académie Française, criada por Luis XIII em 1635, tornou-se [...] modelo geral das academias de letras, sobretudo na Bélgica e Espanha”.  
Atualmente, difundem-se pelo mundo uma multiplicidade de Academias Internacionais, nos mais variados campos do saber humano.  Simultaneamente, é imensa a gama de países que cultivam suas Academias nacionais.  

(Sobre o conceito de “Academia”, o discurso ressaltou o seguinte):  
Na clássica obra do século XVIII, Enciclopédia  ou Dicionário razoado das ciências, das artes e dos ofícios de  DENIS DIDEROT ET JEAN LE ROND D’ALAMBERT, ensina D’ALAMBERT que uma academia é composta “por pessoas de capacidade diferenciada, que comunicam umas às outras suas luzes e compartilham suas respectivas descobertas, para a vantagem mútua” .
(Feita a citação, o Orador convidou o Auditório à seguinte reflexão):
Reflitamos, pois, por um átimo, sobre tal conceito: 
Os diferentes talentos pessoais são inerentes a cada ser humano e se desenvolvem na medida de seu cultivo, por meio da formação, da educação a que se tiver acesso. Todos temos necessidade de estabelecer comunicação recíproca e com o mundo no qual estamos inseridos. Somos também, enquanto seres humanos, capazes de compartilhar experiências, vivências e o conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida. E o ambiente da Academia convida e propicia tais diálogos entre seus partícipes e a sociedade na qual fazem parte. 
Nesta memorável noite, a ACADEMIA DE LETRAS, CIÊNCIAS E ARTES DE LONDRINA muito se enriquece com o ingresso de quatro novos acadêmicos  em seu quadro de sócios efetivos. São pessoas dotadas de luz própria. Cada uma delas traz consigo sua  história de vida, a qual abrange  a de sua formação pessoal, profissional e suas experiências laborais, nas respectivas áreas de atuação.  
Olhemos para cada uma delas e reflitamos um pouco sobre o valor pedagógico e o alcance social de seus estudos, suas práticas e experiências profissionais: 

(Neste trecho central do discurso, o Orador dirigiu a palavra de saudação e acolhimento a cada um dos novos acadêmicos. Olhando para NEUSI APARECIDA NAVES BERBEL, asseverou  que...)
Ao longo de muitos anos, sua dedicação   concentrou-se na área da educação.   Educação que é direito e dever fundamental, nos termos da nossa Constituição  Federal que, em seu art. 205, estabelece três objetivos a serem alcançados por meio do processo educacional: o pleno desenvolvimento da pessoa; seu preparo para o exercício da cidadania; e sua qualificação para o trabalho.
Sobre a educação, diz ROUSSEAU em sua obra Emílio ou da Educação: “nascemos fracos, precisamos de força; nascemos carentes de tudo, precisamos de assistência; nascemos estúpidos, precisamos de juízo. Tudo o que não temos ao nascer e de que precisamos quando grandes nos é dado pela educação”.
Sabe-se também que não há democracia sem educação para a convivência democrática e  que a educação só pode vicejar no ambiente de  liberdade democrática. Logo, trabalhar pela educação  é lutar pela democracia, trabalhar pela democracia implica lutar pela educação. A educação é, pois, condição de possibilidade para a concretização do Estado Democrático de Direito ( CF. art.1º). 
Professora Neusi, seu “currículum vitae” atesta uma trajetória de vida consagrada, proficuamente, à educação. Por isso, a Academia festeja o ingresso de tão experiente educadora no quadro de seus integrantes. Bem vinda à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina. 

(Olhando para DINAURA GODINHO PIMENTEL GOMES, prosseguiu o Orador)
[...]  A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina regozija-se pelo seu ingresso no rol dos sócios efetivos com manifesta disposição para contribuir com os elevados objetivos desta Instituição, por meio dos conhecimentos oriundos da pesquisa, da experiência e do magistério, em seu campo de produção e atuação intelectual. É pública sua trajetória da advocacia ao ensino jurídico, do magistério do Direito à magistratura e desta, novamente, ao magistério jurídico. Reconhece-se que em todos este percurso, a doravante titular da cadeira n.24 manteve o simultâneo exercício das letras jurídicas, compartilhando seu pensamento com o público leitor de suas tantas publicações em livros e revistas especializadas. 
Um parágrafo de sua autoria é suficiente para atestar  sua dedicação à constante busca da Justiça, especialmente nas relações laborais  (extraído do seu  Livro “Direito do Trabalho e Dignidade da Pessoa Humana, no Contexto da Globalização Econômica, publicado pela Editora LTR, de São Paulo)
“Convém reiterar que, à luz da Lei Maior, que tem por fim proteger a dignidade da pessoa humana – um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito – o trabalho deve ser visto sempre como valor social, sendo certo, assim, que tanto a ordem econômica quanto a ordem social devem ter por base o primado do trabalho humano (CF. arts. 170 e 193).”
Trata-se pois da defesa de uma ordem econômica e financeira, conforme prevista na Constituição Federal, que valorize não apenas o lucro e a livre iniciativa mas que também “assegure a todos uma existência digna”.  E este equilíbrio é o que a Constituição Federal denomina “Justiça social”.
Bem vinda, pois, Professora Dinaura, à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.

(Ao dirigir a palavra a ELVE MIGUEL CENCI,  assim se expressou:)
Caro Professor Elve, na sociedade globalizada em que vivemos, sociedade em rede, sociedade do espetáculo, sociedade do risco, sociedade mundial, sociedade do exacerbado consumo por alguns e da carência de quase tudo por milhões de outros, perguntamos: afinal, quem somos nós? Somos humanos? Onde estamos e para onde vamos? O que queremos da vida e do convívio em sociedade? É possível uma convivência democrática? Uma convivência menos injusta, mais fraterna e mais feliz para todos?  E o mundo em que vivemos, o que temos feito dele? Como tratamos a natureza? Depois de nós o dilúvio?(pergunta o filósofo francês FRANÇOIS OST). Será que já aprendemos a conviver? O filósofo alemão GADAMER responde que não. E parece que ele tem razão, quando olhamos para as contínuas guerras, para o terrorismo, para a xenofobia, para a fome que ainda assola milhões... E então o que fazer? 
São questões que, para além da economia, indagam o pensamento filosófico, a Filosofia Política e a Filosofia Jurídica. Por isso, a Academia recebe, com júbilo, também os filósofos. A Filosofia, mãe de todas as ciências, nasce, conforme nos lembra Aristóteles, diante do espanto e da admiração.  E hoje, no mundo em que vivemos, temos muito, sobretudo, com o que nos espantar, mas também temos com o que fomentar nossa admiração e encantamento, se, realmente, aprendermos a distinguir o banal do essencial. 
Pois bem, uma competente, exemplar e frequente  reflexão filosófica,  com viés também  político e jurídico,  tem se feito presente nos  estudos,  projetos,  palestras, livros, aulas do Prof. Elve Miguel Cenci, além de tantas   entrevistas radiofônicas, impressas e televisivas concedidas a tais  meios de comunicação, sempre com o intuito de esclarecer e formar a opinião pública sobre temas de alta relevância para o convívio democrático. 
Professor Elve, com júbilo, a Academia o recebe como membro efetivo, nesta noite, na certeza de que sua presença e atuação muito nos enriquecerão, por meio de seus conhecimentos a serem compartilhados. E - como diria o filósofo londrinense Mário Sergio Cortella, -  por meio, sobretudo, de suas “provocações filosóficas”. 
Bem vindo, pois, à Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.  

(Dirigindo-se a MARCO ANTONIO FABIANI, disse o Orador:)
Na pessoa de Marco Antonio Fabiani ocorre o encontro da Ciência Médica, e de modo especial da Cardiologia com a Literatura. Ambas podem ser vistas como preventivas e curativas. Ambas, certamente, fazem bem ao coração.  A Medicina, consoante o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa,  é o “conjunto de conhecimentos relativos à manutenção da saúde, bem como à prevenção, tratamento e cura das doenças, traumatismos e afecções.”
A Literatura, consoante Nelly Novaes Coelho ,  “é Arte,  é um ato criador que, por meio da palavra, cria um universo autônomo, realista ou fantástico, onde os seres, coisas, fatos, tempo e espaço, mesmo que se assemelhem aos que podemos reconhecer no mundo concreto que nos cerca, ali transformados  em linguagem, assumem uma dimensão diferente: pertencem ao universo da ficção”.
 A ficção, por ser criação humana, relata vivências peculiares que expressam valores, paixões, sentimentos de cunho universal, passíveis de serem vivenciados por todo e qualquer ser humano. A literatura, por meio de seus personagens, diverte, emociona, fantasia, imagina possibilidades, convida a sonhar e enriquece a cultura. Diante disso, como não concluir que a Literatura também “faz bem à nossa saúde mental e espiritual e, consequentemente, inclusive física, considerando que  a dimensão somática  é, comumente,  afetada pelas  emoções?
Na talentosa atuação de  Marco Antonio Fabiani, cruzam-se e fundem-se lições e inspirações que vêm  de HIPÓCRATES e GALENO, na Medicina;  de Dostoiewski, Victor Hugo, Machado de Assis, Gabriel Garcia Marquez, William Sheakspeare e tantos outros mestres da Literatura Universal que, com certeza, lhe fazem ótima  companhia.
Destarte, a Academia sentir-se-á mais saudável ainda com a presença do ilustre médico e escritor FABIANI, que com sua verve peculiar continuará a nos brindar com suas criações literárias, antídoto que parece ser eficiente também contra a depressão e outras patologias contemporâneas às quais se aconselha a “biblioterapia” (terapia por meio de livros, segundo o escritor francês MARC-ALAIN OUAKNIN, autor de obra com tal título).
Afinal, se alguém se sentir muito aborrecido diante da estressante  rotina que leva, não é mais preciso ir embora para Pasárgada, com Manuel Bandeira, e nem para Maracangalha, com Dorival Caymmi. Vá para um lugar escolhido por FABIANI, um lugar onde “tudo é de graça e ouro brota do chão”. Compre uma passagem para SONHOLINDO, e embarque no conto FANTASIAS da obra “Histórias de um Norte Tão Velho”, mas do nosso novo Acadêmico.
Bem vindo, FABIANI à nossa Academia, mas com uma condição: a de que nas próximas férias nos leve todos para SONHOLINDO (risos na plateia). 

(Encaminhando o discurso para seu final, o Orador chamou atenção para o lema da Academia de Letras Ciências e Artes de Londrina e teceu considerações sobre a relação entre conhecimento e sabedoria; cultura biófila e cultura necrófila, invocando para tanto trechos do poeta norte-americano Thomas Stearns Eliot e do filósofo alemão Erich Fromm, respectivamente)

O lema de nossa  Academia  é: “Semeando Conhecimentos e Cultura”.
Ao se falar em conhecimento, vem-me à mente, diante do mundo contemporâneo, as mesmas perguntas que o poeta T.S. ELIOT lançou  em sua obra “The Rock” (1934), quando já se manifestavam os primeiros sinais do totalitarismo que tomou conta da Europa, na II Guerra Mundial:
“Where is the life we have lost in living? (Onde está a vida que perdemos vivendo?)
Where is the wisdom we have lost in Knowledge? (Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?)
Where is the knowledge we have lost in information?” (Onde está o conhecimento que perdemos na informação?)
O filósofo e psicanalista alemão ERICH FROMM, em sua obra “O Coração do Homem” faz a distinção entre  biofilia e necrofilia. A biofilia se caracteriza pelo “amor à vida”, enquanto à necrofilia significa “amor à morte”. Hitler, segundo Fromm, foi um exemplo de sujeito necrófilo e disseminou cultura necrófila. Quem respeita a vida e a promove é sujeito biófilo. O conhecimento e a cultura referidos no lema desta Academia apontam em direção à busca da sabedoria, da prudência, do equilíbrio, da fraternidade, da comunicação que visa à compreensão entre pessoas, povos e nações.
No âmbito da cultura biófila, a vida é valor que inspira respeito. No da cultura necrófila, a vida é quimera, nada vale. Respeito conduz à noção de dignidade, inerente à cada ser humano pelo simples fato de ser uma pessoa.
Por último cabe lembrar que Letras, Ciências e as Artes não conhecem fronteiras, salvo quando reprimidas e proibidas em sua livre expressão, pelo autoritarismo despótico de governos antidemocráticos. 
As Letras formam palavras. Palavras compõem monólogos, diálogos, criam narrativas, elaboram descrições. Palavras produzem ensaios, teses, poesias, peças teatrais, versos e prosas. Palavras dizem preces, sermões, palestras, conferências. Fazem livros, jornais, revistas, cartas, telegramas, e-mails...  Elaboram textos que falam de tudo e de todos, pelas mais diversas formas de expressão. 
As letras estimulam vida e abrem caminhos. Com elas amplia-se o mundo, a compreensão, viaja-se pelo universo. Para encontrá-las, basta abrir um livro, um periódico, olhar para os anúncios. E aí começa o diálogo com o texto escrito. Tamanho é o seu poder e influência que sempre acaba por nos transformar porque constroem linguagens que provocam mudanças em nosso  pensar e em nosso agir. Por isso, o filósofo austríaco Wittgenstein, em lapidar frase nos disse: “Die Grenzen meiner Sprache bedeuten die Grenzen meiner Welt”: os limites da minha linguagem significam (são) os limites do meu mundo”.  
O saber científico de mãos dadas com as Letras engendra a Ciência, evolui e se expande pelo mundo. 
Com as Letras também a Arte se faz. Seja em prosa ou em verso. Na literatura de ficção, na poesia, nos palcos das artes cênicas, na voz dos atores, das atrizes, dos cantores e trovadores...
Sem Arte, as letras não teriam beleza, soariam toscas, sem gosto e sem estilo. Seriam simplesmente letras.   
Dizer Ciência com letras é  fazer Ciência com arte e é Arte de quem sabe as Letras.
Celebremos pois o 38º  aniversário da união, em nossa Academia, desta majestosa tríade: Letras, Ciências e Artes.
Bem vindos, pois, Novos Acadêmicos, com alegria e entusiasmo ao nosso convívio fraterno, ao nosso banquete intelectual.

Muito obrigado!

____________________________________________

Fala do Acadêmico empossado Marco Antonio Fabiani, em nome dos quatro novos Acadêmicos

Literatura é uma viagem infinita e instigante através da alma humana. Percorre territórios desconhecidos do espírito. Toca picos sublimes e vales sombrios, num exercício constante de curiosidade e liberdade. Por esses caminhos, expande os limites da existência. 
Ela, a mais simples das artes, pode expressar-se apenas pela voz, pela grafia de símbolos, seja numa pedra, num papiro, ou acomodar-se em páginas de livros. Pois, como arte que é, responde a um único chamado: expressar o humano sem limites de qualquer espécie. E, nesse universo de palavras, aprendemos a ver a vida e suas vicissitudes sem as amarras da razão. Por isso mesmo, ampliamos o olhar sobre nós e sobre o que nos rodeia. Tanto pela delicadeza ou contundência dos versos, como pela profundidade da prosa. 
Oscar Wilde, certa vez indagou: onde estavam os nevoeiros de Londres, antes que Willian Turner os pintasse? Parafraseando Wilde podemos indagar: onde estavam os Sertões brasileiros antes que Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos os descrevessem? E o Rio de Janeiro, cidade cosmopolita nos fins do século XIX, cujos costumes Machado de Assis nos descreve e encanta? Indo além: onde estarão, no futuro, os cafezais do norte do Paraná, símbolo maior de prosperidade e de uma civilização que impressionou o mundo? Respondemos de imediato: nas páginas de poesias, contos, romances. Obras que servem ao mesmo tempo, de luz e espelho para nos vermos e nos percebermos como humanos, brasileiros, paranaenses, londrinenses. 
Nas páginas de obras universais nascem personagens complexos, nos quais todos nós, em todas as épocas, nos miramos e aprendemos. Há um pedacinho de nós, na loucura de Don Quixote, o fidalgo pobre que resolve matar a realidade e se entregar à fantasia de forma desabrida. Há a futilidade de Madame Bovary, que Flaubert descobre em meio ao tédio feminino. Estão lá os dilemas de Riobaldo e Diadorin, perdidos no sertão encantado de Guimarães Rosa; as dúvidas de amor no olhar oblíquo de Capitu. Ou nos peões de rosto sujo de Londrina nos seus primórdios, retratados à exaustão nos trabalhos literários de nossos escritores.
A riqueza imaterial que a literatura expressa, necessita de cuidados. Precisa de seus campos de cultivo, de arcas seguras que guardem o tesouro, para que a ação do tempo não destrua o que se conquistou. A essa tarefa delicada, a Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, dedica-se há 38 anos. Uma missão inaugurada por seu primeiro presidente, Dr João Soares Caldas, continua e continuará como guardadora fiel dos trabalhos literários, incentivadora de novas aventuras e espaço aconchegante para férteis debates.
O que são as Academias de letras, se não um espaço privilegiado de convívio e compartilhamento de amor pela literatura? Espaço de cultivo da elevação da língua portuguesa a altos de níveis de cuidados e embelezamento. E, claro, um espaço de cultivo de todas as artes e de sua irmã a Ciência. Se a arte e a literatura expandem, a ciência explica, dimensiona. São gêmeas univitelinas.
E se as Academias de Letras de modo geral e a de Londrina em particular aceita esse desafio, só nos resta, de mãos dadas, caminharmos e enfrentá-lo de mãos dadas. Doce tarefa! 
Nós, Neusi Berbel, Elve Cenci, Dinaura Godinho Pimentel e 
Marco Antonio Fabiani, que a partir de hoje nos tornamos novos membros dessa academia, queremos agradecer da maneira mais enfática a oportunidade de conviver e partilhar com os acadêmicos o amor pela literatura, pelas artes e pela ciência. Dividir com todos, a alegria de estarmos, de agora em diante, mais que participando, nos responsabilizando também em levar adiante a boa leitura. 

Obrigado, Academia De Letras, Artes e Ciência de Londrina!



Na mesma oportunidade foram homenageados com o título de Membros Beneméritos o Dr. Luis Parellada Ruiz e a Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira, além de ter sido agraciado com o título de Membro Honorário o nosso Mestre de Cerimônias Jonas Rodrigues de Matos e concedido um certificado de participação ao Maestro Denis Pereira do Amaral Camargo.

PALAVRA DA PRESIDENTE

Ao usar da palavra a presidente Leonilda Yvonneti Spina agradeceu a todos que prestigiaram a noite festiva, especialmente ao senhor Claudio Tedeschi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), por ter cedido os espaços para a realização do evento.  
Ressaltou a alegria em podermos celebrar os 38 anos de fundação da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina (Alcal) naquele auditório, que foi o berço da instituição, em 23 de setembro de 1978. Comentou que ali também ocorreram a posse dos primeiros acadêmicos, em 15 de novembro de 1979 e a primeira reunião ordinária, em março de 1980, com a realização da Noite da Poesia. E manifestou o orgulho de ter ali recebido o diploma de Membro Efetivo, na segunda posse de acadêmicos, em 06 de novembro de 1994.
Comentou que na solenidade de instalação foram registradas presenças importantes da política local, estadual e nacional, autoridades do judiciário e do ensino, representantes do empresariado, jornalistas, poetas, escritores, etc..
Citou ainda a presença de expoentes da cultura estadual e nacional, como o famoso escritor vindo do Rio de Janeiro, José Cândido de Carvalho, da Academia Brasileira de Letras, representando o presidente; do escritor Vasco José Taborda, presidente da Academia Paranaense de Letras e familiares do patrono da nossa Academia, o médico e escritor paranaense Eurico Branco Ribeiro, vindos da capital.
Agradeceu a presença do coral da Universidade Estadual de Londrina - UEL, sob a regência do maestro Denis Pereira do Amaral Camargo, afirmando que o coro faz parte da história da Academia, pois abrilhantou a sua instalação, em 1978, quando arrancou efusivos aplausos, numa festa memorável, noticiada pela imprensa como “uma noite de raro esplendor”. 

Ao final cumprimentou os Membros Beneméritos e o Honorário, pelos relevantes serviços prestados à instituição e encerrou a solenidade convidando todos para uma confraternização.



Após a solenidade, a Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina ofereceu um informal café colonial aos Acadêmicos e convidados, fechando com chave de ouro este evento mais do que especial.

A nossa Academia agradece a todos aqueles que compareceram para prestigiar o evento e aos inúmeros e-mails, telefonemas e mensagens de congratulações recebidos, inclusive via redes sociais.