Extratos da reunião de 09/04/2017

Mesa diretiva: ao centro a Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, presidente, 
ladeada pela Acadêmica Pilar Álvares Gonzaga Vieira, vice presidente 
e pelo palestrante Prof. Dílson Catarino

Nosso Mestre de Cerimônias,
Jonas Rodrigues de Matos

Leitura do Credo Acadêmico, pela 
Acadêmica Rosa Maria de Mello Bomfim

DESTAQUES ACADÊMICOS:

Declamação

FLOR DO ABISMO
(Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, 
de sua autoria)

Disse-me a índia
que era “flor do abismo”
e a colocara sobre a mureta do portão.

Era estranha... e sobre enorme
tubérculo, envolto em terra e musgo,
surgia imponente, sobre o caule
longo e roliço... Folha nenhuma.

As pétalas cor-de-rosa,
semifechadas,
anunciavam a exótica flor.

A índia se pôs a dizer
como ela era bonita (a flor),
e qual a forma de cultivá-la
com amor, para sempre florir... 
E eu, preocupada
com os compromissos de então,    
quase não lhe dava atenção.

Dei-lhe arroz, dei-lhe pão...
Mas não lhe comprei a flor,
à qual, com singeleza,
dera tanto valor.
Ponho-me agora a pensar
no abismo que há entre os seres:
- A índia vendia uma flor...
E eu, preocupada com os afazeres!

Era apenas uma flor,
com as pétalas recém-nascidas.
Quem sabe, com muito amor,
encantariam crescidas...

A índia quis explicar 
como a flor era bela.
- Onde fora encontrar
uma raridade daquela?

- Quanto sacrifício terá feito
(hoje eu cismo...)
para colher a “flor do abismo”?

A índia, a criança sentada
no chão e a estranha flor colocada
sobre a mureta do portão.  

Ah! Meu Deus! Como esta
cena me comove o coração!
Penso na face desbotada
da mulher humilde, toda prosa,
em contraste com o porte altivo 
daquela flor cor-de-rosa!

Fico triste, enquanto cismo
com a fascinante “flor do abismo”!

Se um dia cruzar com a índia
pelas ruas da cidade,
comprar-lhe-ei uma flor
na primeira oportunidade.

Se é verdadeira ou não
e se algum dia irá vingar,
não faz a menor diferença...

Quero ouvi-la falar
do quanto a flor é bela,
encarar-lhe o olhar opaco
e dizer que acredito nela.

Pois eu, por comodismo,
fiquei com a triste visão
da índia, a criança...
E a “flor do abismo”
sobre a mureta do portão! 
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Apresentação


MONTEIRO LOBATO E A CRITICIDADE DA JUVENTUDE 
Acadêmico Léo Pires Ferreira


Aos seis anos, meninas já não se acham tão inteligentes.

Meninos lideram, fazem grandes descobertas científicas e são muito, muito inteligentes.   As meninas, nem tanto.  É essa a imagem que muitas garotas têm de si mesmas já a partir dos seis anos de idade.  Segundo os cientistas, é a partir dessa idade que os estereótipos relacionados a gênero começam a se firmar. 
Até os cinco anos, garotas e garotos associam de modo semelhante o próprio gênero à inteligência. Contudo, a partir dos seis anos, as garotas se mostravam significativamente menos propensas a fazer tal associação.  
Não há como determinar um único fator responsável pelo que é observado, é um fenômeno cultural, relacionado ao mundo da criança. 
Segundo a Unesco, professores, de ambos os sexos, interagem mais com garotos em sala de aula, o que pode desencorajar a pro-atividade entre as meninas.
(Folha de Londrina, Caderno Cidades/Saúde, 06.02.2017)
Esse comporamento diferencial entre meninas e meninos é preocupante. Assim, há a necessidade de ações direcionadas à discussões para a correção desse tipo de desajuste educacional e social. 
À luz desse problema, certas ideias e atividades da Emília, a boneca-gente do Sítio do Picapau Amarelo, possibilitam mudanças no seu enfrentamento. São textos pinçados de obras de Monteiro Lobato que mostram a capacidade de criticidade de uma boneca pensante. 
CAÇADAS DE PEDRINHO. Dona Benta recebe a visita do dono do circo alemão e de seu advogado, na busca do animal.  Para se ver livre de ambos, Emília sugere que Dona Benta ofereça a eles rapé. Como sendo rapé, ela lhes oferece o pó de pirlimpimpim que, tão logo aspirado, faz com que ambos desapareçam instantaneamente. Esse é o modo de ação desse pó, criado pelo Visconde de Sabugosa, para que os habitantes do Sítio façam viagens. Assim, se livram do dono do circo alemão e de seu esperto advogado.
A REFORMA DA NATUREZA. As duas senhoras idosas do Sítio, Dona Benta e Tia Nastácia, são convidadas pelos “mandantes do mundo” (reis, presidentes e ditadores  ...) para irem lhes ensinar a paz. 
A Emília fica sozinha no Sítio e promove uma reforma da natureza. Cria o ‘livro comestível’, na vaca Mocha, bota ‘bolinhas de feltro’ como proteção nos chifres e troca duas das quatro tetas por torneirinhas, produz o 'pássaro ninho' com uma depressão nas costas do pássaro-macho, criando ali um ninho para que os machos tenham a obrigação do cuidado com os filhotes. Fica pensando no erro da natureza em colocar o fruto enorme e pesado da abóbora em uma planta com um ramo tão delicado e o fruto da jabuticaba, pequeno e leve, preso ao tronco da árvore.
OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES. É a ‘dadeira de ideias’. Sentada no ombro musculoso do herói Hércules, vai dizendo, à altura do seu ouvido, tudo o que ele deve fazer a cada passo das tarefas a serem realizadas.
MEMÓRIAS DA EMÍLIA. – A vida senhor Visconde é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre? – perguntou o Visconde. – Depois que morre vira hipótese.  É ou não é?   O Visconde teve de concordar que era.
“Emília faz coisas de louca, e também coisas que até espantam a gente, de tão sensatas. Diz asneiras enormes, e também coisas tão sábias que Dona Benta fica a pensar. Tem saídas para tudo. Não se aperta, não se atrapalha.  
“Um dia, em que muito me impressionei com qualquer coisa que ela disse, propus-lhe esta pergunta: – Mas, afinal de contas, Emília, que é que você é?”.
“Emília levantou para o ar aquele implicante narizinho de retrós e respondeu : 
– Sou a Independência ou Morte”. Na realidade, o que Emília é, é isso: uma independenciazinha de pano. 
ALTER-EGO LOBATIANO. Lobato dizia que ao escrever suas obras, na ocasião da datilografia dos textos, quem apertava os dedos dele sobre as teclas da máquina de escrever era a Emília.

(Monteiro Lobato / Obras Completas – Editora Globo
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MOMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA


Textos Oficiais: uso do pronome de tratamento; de títulos honoríficos e harmonização do tratamento na Academia
Prof. Dr. Vladimir Moreira

CORRESPONDÊNCIAS E ATOS OFICIAIS

Quadro demonstrativo das formas de tratamento:

DESTINATÁRIO
TRATAMENTO
ABREVIATURA
VOCATIVO
ENDEREÇAMENTO
Oficiais ate Coronel, funcionários graduados (diretores, chefes de seção) profissionais liberais, pessoas de cerimônia, demais autoridades
Vossa Senhoria
V.Sª.
Senhor (seguido do cargo)
Ao Senhor
Nome do signatário
Cargo
Endereço
CEP       Cidade/UF
Monsenhores, sacerdotes, clérigos e religiosos em geral
Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima
V.Rev. ou V.Sª Revmª.
Reverendíssimo Senhor (seguido do titulo) Ex: Reverendíssimo Senhor Monsenhor.
A Sua (Senhoria) Reverendíssima
Nome do signatário
Cargo
Endereço
CEP       Cidade/UF
Bispos e arcebispos
Vossa Excelência Reverendíssima
V.Exª Revmª
Excelentíssimo ou Reverendíssimo Senhor (seguido do titulo) Ex; Excelentíssimo ou Reverendíssimo Senhor Bispo
A Sua Excelência Reverendíssima Dom
Nome do signatário
Cargo
Endereço
CEP       Cidade/UF
Cardeais
Vossa Eminência Reverendíssima ou Vossa Eminência
V.Emª Rermª ou V. Emª
Excelentíssimo ou Reverendíssimo Senhor (seguido do titulo) Ex; Excelentíssimo ou Reverendíssimo Senhor Cardeal
A Sua Eminência Reverendíssima Dom
Nome do signatário
Cargo
Endereço
CEP       Cidade/UF
Papa
Vossa santidade
Não se admite a forma abreviada
Santíssimo Padre
A Sua Santidade o Papa
Nome do signatário
Cargo
Endereço
CEP       Cidade/UF
Reitor de universidade, Vice-Reitor, Pró-Reitor
Vossa magnificência ou Vossa Excelência
V.Mag.ª ou . Exª
Magnífico Reitor ou Excelentíssimo Senhor reitor
A Sua Magnificência o Senhor
Nome do signatário
Cargo
Endereço
CEP       Cidade/UF
Presidente e Vice-presidente da República
Vossa Excelência
Não se admite a forma abreviada
Excelentíssimo Senhor Presidente, ou Vice-Presidente da república Federativa do Brasil
Ao Excelentíssimo  Senhor
Nome do signatário
Cargo
Endereço
CEP       Brasília/DF

Não deve ser usado o tratamento Digníssimo às autoridades arroladas no quadro 3.1. A dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária a sua repetida evocação.
Vossa é empregado para a pessoa com quem se fala, a quem se dirige a correspondência. Ex.: “ Tenho a honra de convidar Vossa Excelência para.../” Comunicamos Vossa Senhoria que...”.
Sua é empregado para a pessoa de quem se fala. Ex.: “A placa comemorativa foi descerrada por Sua Excelência o Senhor Governador do Estado.”/” Em audiência concedida a um grupo de turistas gaúchos, Sua Santidade o Papa manifestou o desejo de visitar o Brasil”  (BELTRÃO, 1993, p. 90).

CONCORDÂNCIA PARA PRONOMES DE TRATAMENTO
Concordância de gênero: faz-se a concordância não com o gênero gramatical, mas com o sexo das pessoas por ela representada: Ex.: “ Vossa Senhoria será arrolado como testemunha.”/”Vossa Excelência será informada imediatamente sobre a solução dada ao caso.”/” Diga a Sua Excelência que nós o aguardamos no aeroporto.”
Concordância de pessoa: o verbo e os pronomes devem estar na terceira pessoa. Ex.:” Na expectativa de seu comparecimento, apresentamos a Vossa Senhoria nossas atenciosas saudações.”/”Vossa Excelência e sua comitiva serão nossos convidados.”/”Dirijo-me a Vossa Excelência, Senhor Ministro, a fim de informá-lo do ocorrido.”
Grafia (por extenso ou abreviada) das formas de tratamento: não há normas rígidas nesse particular, à exceção da fórmula de tratamento para Presidente e Vice-Presidente da República. Quanto aos demais destinatários (autoridades e particulares em geral), existem algumas recomendações internas a certos órgãos. A forma por extenso demonstra maior respeito e deferência, sendo, pois, recomendável em correspondência mais formal ou cerimoniosa. Na correspondência interna e na externa mais informal, nada impede que se abrevie a forma de tratamento. Na correspondência interna informal, isto é, aquela trocada sobre assuntos de rotina entre chefes de seções, chega-se a omitir as formas de tratamento, substituindo-as pelos pronomes pessoais oblíquos da terceira pessoa. Ex.: “ Comunico-lhe que...”
Tratamento e variações pronominais: alguns autores não recomendam o uso, no corpo da correspondência, dos pronomes possessivos (seu, sua) e das formas pessoais oblíquas (o, lhe) em substituição às formas de tratamento. Outros, no entanto, não vêem nenhum inconveniente no emprego desses pronomes com a finalidade de se evitar a repetição das formas de tratamento. O aconselhável parece ser que se empreguem as formas de tratamento na introdução e no fecho, usando-se no corpo da correspondência, sempre que se fizerem necessárias, as formas pronominais seu, sua, o e lhe.
Singular ou plural?: Numa comunicação oficial, quando quem a subscreve representa o órgão em que exerce suas funções, será preferível o emprego da primeira pessoa do plural. Ex.:” Comunicamos a Vossa Senhoria...”/”,Temos a honra de convidar Vossa Excelência para... “/”Encaminhamos a Vossa Senhoria, em anexo,...”. Quando o ato contiver assunto de responsabilidade exclusiva e pessoal de quem o assina, aí, então, caberá o emprego da primeira pessoa do singular: Ex.: “ Atesto, para fins de...”/” Em cumprimento ao despacho ...” / “.Certifico que...” (BELTRÃO, 1993, p.72-75)

Lembretes 
Nas correspondências, reservar palavras como “honra”, “satisfação”, “prazer” e outras semelhantes para a transmissão de mensagens que sejam, realmente, motivo de honra,satisfação, prazer, etc.
Ex.: “ Temos a honra de convidar Vossa Excelência para comparecer à solenidade ..”.;
“Temos a satisfação de comunicar a Vossa Senhoria que, a partir desta data, temos à sua disposição ...”;”.Temos o prazer de enviar-lhe um exemplar do primeiro número da publicação ...”; “.Ficamos muito honrados com o convite para ...”...

Assinatura em texto oficial
Nome do signatário, cargo e função. O designativo do cargo ou função deve ser separado por vírgula do nome, pois se trata de um aposto. Não se antepõe qualquer título profissional ao nome; cargo ou função não deve ser grafado com maiúsculas (só a primeira letra).

Exemplo:         Vladimir Moreira,
    Coordenador do Programa PDE.

Detalhes
Fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor. 
Segundo o Manual de Redação da Presidência da República,  doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como regra geral, empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado. O tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações.
“Doutor” vem do latim doctor, que significa “mestre, o que ensina”. Até meados do século 11, designava quem dominava uma área do conhecimento, como professores e teólogos.
A primeira universidade a empregar o referido título foi a de Bolonha, na Itália, por volta do século XII d.C. 
No Brasil imperial, em agosto de 1827, foi promulgada uma lei que instituía dois cursos de Direito no Brasil, um em Olinda e o outro em São Paulo. Ficou acertado que o título de doutor seria concedido aos advogados que tivessem bacharelado e que posteriormente defendessem uma tese. Mas somente seria chamado de doutor se o advogado atuasse na profissão e se defendesse uma tese. Se apenas concluísse o curso seria chamado apenas de bacharel.
Com relação aos médicos (que somente foram chamados de doutor no século XIX) a explicação pode estar na força etimológica da palavra doutor com a associação ao ensino, ao magistério, que pressupõe uma função que exige notório conhecimento.

Tratamento na Academia
Academia (do grego antigo Ακαδήμεια, transl. Akadémeia, transl. Akádēmos, "Academo") é o nome dado, no Ocidente, a várias instituições vocacionadas para o ensino superior e ensino universitário na promoção das suas atividades nomeadamente as artísticas, literárias, científicas e físicas, filosóficas, etc.
A designação provém da escola de filosofia que o Platão fundou Grécia Antiga, em 387 a.C., junto a um jardim a noroeste de Atenas, em terreno dedicado à deusa Atena que, segundo a tradição, pertencera a uma personagem mitológica com o nome de Academo.
Muitas academias tornaram-se famosas através de tempos e lugares, nas várias áreas de sua atuação. Entre as academias de letras, tornou-se paradigmática a Academia Francesa, cujo modelo inspirou a Academia Brasileira de Letras
A harmonia no tratamento usado na Academia é muito interessante, uma vez que ao se tornar membro efetivo da Academia, o indivíduo passa a participar de um grupo específico: de Acadêmicos.
Nos momentos em que se reúnem os membros da Academia, os títulos honoríficos passam para segundo plano, todos são ACADÊMICOS. 

Polêmica envolvendo o pronome de tratamento
O Prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) publicou nesta quinta-feira (6) uma portaria que determina o fim do tratamento de referência como "Vossa Excelência" ou "Ilustríssimo" em documentos públicos e cerimônias da Prefeitura. A partir de agora, é para chamar de "senhor" ou "senhora". (G1)

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. Normas sobre correspondência e atos oficiais. Brasília: 1994. 
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PALESTRA

RESPONSABILIDADE INTEGRAL
Prof. Dílson Catarino

O palestrante Prof. Dílson Catarino oferece variações no tema proposto, dependendo do público ao qual se dirige. 
Se são jovens, ele se refere às responsabilidades que devem ter quanto ao corpo, ao espírito, à razão e à emoção. 
Se adultos pais de jovens, às responsabilidades em estabelecer os limites necessários à formação de um indivíduo consciente de seus deveres e direitos. 
Se professores, às responsabilidades em ajudar os jovens a aprender a conviver em sociedade. 

Nesta palestra apresentada na nossa Academia de Letras, o palestrante optou por comentar livros que trazem algum ensinamento acerca da responsabilidade:
O Pequeno Príncipe, quanto à responsabilidade de criar laços e os manter; 
O Ensaio sobre a Cegueira, quanto à responsabilidade de se manter alerta aos problemas na sociedade e não fugir a eles, como grande parte dos cidadãos o faz; 
O palestrante Prof. Dílson Catarino recebendo
o Certificado de Participação das mãos da
presidente Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina
Memórias Póstumas de Brás Cubas, quanto à responsabilidade de ensinar o bom comportamento aos jovens para que sua formação seja fortalecida e para que seja criado um adulto de caráter íntegro. 
A cada palestra o palestrante transmite uma sucessão de ideias, sensações, teorias, etc.


Dílson Catarino é Professor de Linguagem e Comunicação, pós-graduado em 
Psicopedagogia e em Ética e Valores na 
Educação. Autor de vários livros, palestrante, 
conferencista e consultor. 

Extratos da reunião de 12 de março de 2017

Mesa diretiva, composta pelo palestrante Prof. Dr. Nestor Razente, nossa Presidente
Leonilda Yvonneti Spina e pela Vice-Presidente Maria Lucia Victor Barbosa

A reunião foi conduzida pelo nosso Mestre de
Cerimônias, Jonas Rodrigues de Matos

Leitura do nosso Credo Acadêmico, pela Acadêmica 
Dinaura Godinho Pimentel Gomes

DESTAQUES ACADÊMICOS

Homenagem ao Presidente Prof. Leonardo Prota, por ocasião do primeiro ano de seu falecimento.
Pelo Acadêmico Clodomiro José Bannwart Júnior

TRAVESSIA
Em novembro de 2011, pela última vez, eu caminhei ao lado do meu pai. Ao cruzar a avenida central da minha cidade natal, notei a lentidão de seus passos. O seu caminhar vagaroso indicava que, mais que atravessar uma avenida, ele estava concluindo a travessia da vida. Inúmeras foram as vezes que Jesus convidou os discípulos a empreenderem travessias em sua companhia.
Em Mateus, 14:22, lemos que Jesus convidou os discípulos a embarcar e aguardá-lo na outra margem, para que despedisse as multidões”. Porém, às vezes vagamos resignados no grande rio da existência – parafraseando Guimarães Rosa – em canoa de pau vinhático sem pojar em nenhuma das duas beiras. Buscamos distantes, isolados, a terceira margem do rio. A fé, alentada e sedimentada na alma, nos conduz confiantes a alcançar o outro lado. A vida é uma grande travessia. E Jesus afirmou que nós O reencontraríamos do outro lado da margem.
Eu e o pai atravessamos a avenida em silêncio e alcançamos o paço da Igreja Matriz, o Santuário da Mãe Aparecida. Os sinos repicavam lentamente onze horas. E como não há travessia sem despedida, foi ali, aos pés de Nossa Senhora, que, sem saber, eu estava me despedindo daquele que foi, além de pai, um grande amigo. 
E foi assim também que, em novembro de 2015, pela última vez, eu caminhei ao lado do meu segundo pai, o pai intelectual, mestre e professor Leonardo Prota. Seus passos lentos me recobraram, num instante, que a vida guarda sua limitação cingida à temporalidade. Ao atravessar a paisagem da vida, somos, ao mesmo tempo, feridos pelo tempo que crucifica nossa carne e transpassa nossa alma. É ele, o tempo, que mesmo sem autorização para devassar o nosso ser, revolve em nós as lembranças passadas, projeta a esperança vindoura e brinda-nos, de maneira fugaz e sorrateira, com o deleite do presente, com a vida presente, com o presente da vida.
O professor Prota, com sua maestria em manejar conceitos, sempre ensinou com palavras e ações o sentido da vida. Com ele dei os primeiros passos na compreensão do conteúdo de conceitos universais, tão caro ao debate medievo, avivado pela dicotomia entre realistas e nominalistas. O professor Prota sempre ensinava que a universalidade dos conceitos, sobretudo, os conceitos de humanidade e de pessoa, servem de suporte à proteção do núcleo essencial do ser humano, evitando que ele seja desalojado de sua dignidade. O professor Prota, antes de ser (tido) um renomado filósofo, foi um grande humanista.
Ao chegar na UEL, em 1994, como acadêmico do primeiro ano do curso de Filosofia, eu e os demais estudantes da época nos deparamos com um cenário acadêmico em ebulição, ainda sob o efeito da queda do muro de Berlin, em 1989. Os professores que haviam sido formados mais próximos à esquerda, alguns, inclusive, guerrilheiros confessos nas décadas de 1960 e 1970, oscilavam entre o discurso social democrata e o liberal. Alguns poucos marchavam sob a continência da ortodoxia marxista. Outros ainda, um bom número de ex-padres, se posicionavam à margem oposta da fé, na tessitura de argumentos céticos que faziam implodir no expediente de poucas aulas a pretensão metafísica do pensamento filosófico. No meio dessa torre de Babel filosófica estava o professor Leonardo Prota, um porto seguro para estudantes que, como eu, necessitava de calma para o amadurecimento de ideias e pensamentos. Sempre disposto a uma palavra amiga e que rapidamente se transformava em precioso ensinamento, o Professor Prota nunca deixou de portar o indispensável equilíbrio nos debates acalorados e o respeito para com a pluralidade de pensamentos e posicionamentos ideológicos. Nunca se deixou prisioneiro de “ismos” que sufocam a capacidade reflexiva, própria do fazer filosófico. Nele refletia a aura do pensador por excelência, do filósofo prático que conseguia assegurar inteligibilidade aos conceitos, ao mesmo tempo que conferia exemplo e atitude ao conteúdo ensinado.
A confiança que paira acima da dúvida e a irrenunciável convicção que brota da fé fortalecem o meu coração, fazendo-me crer que estes dois homens, sacerdotes do amor e do conhecimento, alcançaram a outra margem e desfrutam da eternidade, na presença de Cristo. Certamente nos deixaram, com seus exemplos, farta orientação para que tenhamos uma travessia segura.
Obrigado pai, pelo dom da vida!
Obrigado professor Leonardo Prota, por ter me formatado naquilo que eu sou: uma pequena nau, muito frágil por sinal, mas consciente da necessidade de empreender a navegação. Como afirma Fernando Pessoa: “É tempo de travessia/E se não ousarmos fazê-la/ Teremos ficado para sempre / À margem de nós mesmos.” 
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NÓS E OS ALGORITMOS  
Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa

Na sua magistral obra, Homo Deus, Yuval Noah Harari trata de temas extremamente complexos e instigantes de forma compreensível e didática. Entre outros assuntos ele mostra com clareza o que é um algoritmo, termo que vai entrando na moda, mas que é pouco entendido pela maioria:
“Um algoritmo é um conjunto metódico de passos que pode ser usado para realização de cálculos, na resolução de problemas e na tomada de decisões”. Como exemplo simples de algoritmo ele dá uma receita de sopa em que os “passos metódicos” são os ingredientes usados para fazer o alimento.
Acrescenta o autor do best-seller que já vendeu mais de dois milhões no mundo, “que os algoritmos que controlam os humanos funcionam mediante sensações, emoções e desejos”. Este é o ponto que desejo abordar rapidamente, deixando aos leitores de Harari o privilégio de mergulhar em sua obra que leva a profundas reflexões quanto ao futuro da humanidade. Isto porquê, se a tecnologia é algo extraordinário, dependendo do uso que se faz dela pode ser usada não para o bem e sim para o mal como tudo que é humano.
Um dos usos perigosos da tecnologia é o aperfeiçoamento da manipulação que sempre existiu, mas que agora é elaborada por técnicas cada vez mais avançadas. Sem perceber a maioria obedece aos interesses de governos, de partidos políticos, da mídia, do marketing, do mercado, da opinião pública, de outras entidades ou grupos. Isso se faz através de passos metódicos baseados em algoritmos que manipulam sensações, emoções e desejos.
Relembro que a manipulação é facilitada por conta das características psicossociais do ser humano. Uma delas é o aprendizado por imitação. Desse modo, a TV se torna um grande difusor de comportamentos. Através de novelas, modos de vestir de pentear de falar, de pensar caem rapidamente no gosto popular. Cantores medíocres são transformados em astros pop cujas canções são prontamente assimiladas. Participantes de programas de baixo nível ganham eleições.
Ao mesmo tempo, há uma necessidade do indivíduo se identificar com seus grupos que podem ser políticos, religiosos, de trabalho, de profissão, de amizade, etc. Por isto, comportamentos não aceitos pelos grupos resultam em sofrimento causado pela exclusão.
Em termos da própria sociedade que enquadra comportamentos, a opinião pública funciona com controle social e fator de manipulação. Por isso hoje em dia poucos se atrevem a ir contra o “politicamente correto”. Mesmo porquê, além de não ser agradável destoar dos demais existem sanções pesadas para o que passou a ser considerado como preconceito.
Porém, não dizer certas coisas não significa que se concorde com elas. Certamente Donald Trump ganhou a eleição para presidência dos Estados Unidos porque foi politicamente incorreto. Ele disse coisas que pessoas pensavam, mas não tinha coragem de dizer.
A mídia é outro poderoso instrumento de manipulação. Mesmo porquê existe o “setting”, um tipo de efeito social que compreende a seleção, a disposição e a incidência de notícias sobre temas que o público falará e discutirá. A agenda é pautada por diversas conveniências do governo e a necessidade de verba de publicidade dos meios de comunicação. O que um canal de TV, um jornal ou uma revista postam, todos seus concorrentes seguirão a pauta”.
Não se pode esquecer do marketing, hoje enriquecido pela Internet e sofisticado pelo uso de computadores que ditam o que devemos consumir. Inclusive, em quem devemos votar. Na verdade, em grande parte quem ganha uma eleição é o marqueteiro que constrói a imagem perfeita e irreal do político que o público deve consumir, ou seja, votar.
Inclusive, pesquisas sobre candidatos podem funcionar como marketing, pois as pessoas preferem votar em quem está na frente para se sentirem também vitoriosas.  
A mídia e o marketing são usados por governos e, como não podia deixar de ser, foi largamente utilizada pelo governo petista. Desse modo, Lula se tornou intocável e inimputável. Criticá-lo era sacrilégio, crime de lesa-majestade, algo politicamente incorreto. Ele teve bons marqueteiros que fizeram a mágica de apresentar aos eleitores o “Lulinha de paz e amor”.
Eleito presidente da República na quarta tentativa, Lula foi reeleito malgrado o escândalo do mensalão e, para provar que detinha quase a maioria do povo a seu favor elegeu e reelegeu sua sucessora, uma façanha política e tanto. 
Entretanto, uma das características da vida e das sociedades é o dinamismo e por um processo ligado a uma série de fatores mudanças acontecem mesmo em sistemas autoritários e totalitários. Nas democracias a satisfação ou a insatisfação popular se manifestam livremente e existe algo com relação ao qual nenhum marketing consegue fazer sua mágica, ou seja:  nenhum governo resiste quando a economia vai mal.
Os governos Lula da Silva e Dilma Rousseff mergulharam o Brasil na pior recessão da nossa história. Como consequência aconteceu o impeachment na esteira da insatisfação popular. Atentos às suas necessidades de votos, parlamentares foram sensíveis à reivindicação de milhões de brasileiros, que nas maiores manifestações já havidas no País foram às ruas pedir a saída de Rousseff.
O governo petista esboroou na esteira da insatisfação popular com o desemprego, a inflação, a inadimplência. Nas eleições municipais de 2016 o PT perdeu 60% de suas prefeituras e Lula viu minguar seu prestigio.
Diante disto, lideranças petistas agora fazem cálculos para recuperar o enorme poder que já desfrutaram, mas sabem que só podem resgatá-lo mediante a volta à presidência da República do seu único candidato viável, Lula da Silva, em que pese ele ser cinco vezes réu.
Lula sabe instintivamente manipular sensações, emoções e desejos. Em 2018 tudo vai depender das circunstâncias, mas é bom lembrar do que escreveu Nicolau Maquiavel, em 1513, na sua eterna obra, O Príncipe: “Os homens são tão pouco argutos e se inclinam de tal modo às necessidades imediatas, que quem quiser enganá-los encontrará sempre quem se deixe enganar”.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, professora, 
autora entre outras obras de 
“O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – a ética da malandragem” 
e “América Latina – em busca do paraíso perdido”. 
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Os jesuítas como educadores
Acadêmico Sergio Alves Gomes

Em harmonia  com a homenagem  prestada a José de Anchieta, pela Presidente da ALCAL,  Leonilda Yvonneti Spina, mediante a apresentação de poema de sua autoria, o acadêmico Sergio Alves Gomes fez a leitura  do seguinte texto histórico, pertinente ao tema,  escrito por Moreira de Azevedo, em 1893  e   citado por Arnaldo Niskier, na obra  “Educação Brasileira: 500 anos de história” (p.36-37), 2ªed. Rio de Janeiro:Consultor,1995.
“[...] Os jesuítas como educadores  [...] ‘A educação era feita pelos jesuítas, que foram os primeiros que abriram aulas no mundo descoberto por Cabral. Em seus colégios instituíram aulas, onde ensinavam os elementos da instrução e entregavam-se com todo o zelo à educação da mocidade, de sorte que entre os serviços importantes que prestaram esses padres à terra de Santa Cruz é preciso não esquecer o ensino que distribuíam à juventude.
Eram aulas desses regulares as únicas no abandono completo em que Portugal deixava viver em sua colônia. Nas capitanias em que tinham colégios ensinavam gratuitamente Gramática Latina, Filosofia, Teologia Dogmática e Moral, primeiras letras e Matemáticas Elementares. E essas disciplinas eram exercidas por professores de verdadeiro merecimento. Davam graus científicos, literários e teológicos, entre outros o de Mestre em Artes, que era então mais estimado do que é hoje o de doutor por qualquer academia. No colégio da Bahia, além daquelas aulas, criaram logo da de Retórica.
No Colégio de Piratininga, depois chamado de São Paulo, ostentou todo o seu zelo e manifestou sua dedicação evangélica o padre José de Anchieta. Encarregado do ensino dos neófitos, escrevia, na falta de livros, as lições nos cadernos que distribuía por cada aluno. Aprendiam assim os jovens catecúmenos e os filhos dos colonos os princípios das línguas portuguesa, espanhola, latina e brasílica ou tupi, indispensável para o trato com os indígenas. E para ensinarem esta última disciplina abriram os jesuítas escolas, que frequentavam chamando graciosamente, lá entre si, a língua indígena de grega, como escreve Varnhagen.
Para derramar na alma dos discípulos as sãs virtudes da fé e da caridade compunham eles romances ou antes baladas todas baseadas na moral cristã. Entoavam hinos sagrados, que eram repetidos pelos meninos índios de ambos os sexos, desenvolvendo neles o amor pela religião e a inclinação para a música.  E assim conseguiram muito. Bem conheciam eles a utilidade do meio que empregavam. Dizia o padre Manuel da Nóbrega: ‘Com a música e a harmonia atrevo-me a atrair a mim todos os índios da América’. Introduziram também as representações teatrais, como fizeram em Coimbra e em Évora. Em 1575 representaram em Pernambuco o Rico Avarento e o Lázaro Pastor. Punham em cena nesses dramas os mistérios do catolicismo, improvisando os teatros ou no adro ou no interior das igrejas, como por ocasião da quaresma, em que com cores vivas e naturais eram repetidos os grandes quadros dos martírios do divino homem do Calvário’.

(Texto de M.D. Moreira de Azevedo, “Instrução Pública nos Tempos Coloniais”, 
conforme citado por Arnaldo Niskier, na obra deste supra referida. 
Este mesmo autor informa como fonte de sua pesquisa a “Revista Trimestral 
do Instituto Histórico, tomo LXV, pp.141-142, publicada no Rio de Janeiro, em 1893).
     
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JOSÉ DE ANCHIETA
Poema apresentado pela Acadêmica Leonilda Yvonneti Spina, de sua autoria, em homenagem aos 420 anos da morte do Santo Jesuíta:


“Canário de Tenerife”, alça vôo
a Coimbra, que lhe aprimora o canto,
suaviza-lhe o trinado...
Vem gorjear em selvas brasileiras
para espalhar, com amor, a semente
da fé cristã que exalava fervente!

Anchieta chegou quando a Pária nascia
e ainda emitia selvagens vagidos.
Enfrentou desavenças, doenças, crueza, 
das flechas a destreza de índios temidos.

Pelo antigo caminho do litoral à serra, 
em áspera jornada, o jesuíta
funda São Paulo de Piratininga, 
que o futuro contempla pujante e bonita!

Quantos caminhos e veredas trilhou
a ensinar, catequizando, os curumins!
Pelo batismo, a fé cristã derramou
em almas pagãs de distantes confins.

“Caçador de almas”, invade o sertão 
com férrea coragem, áureo coração.
Nenhum sacrifício minava-lhe a vontade
de agradar a Deus, servir à Humanidade!

De tantos ofícios, de tanto saber,
não os queria somente para si...
Para isso aprendeu e ainda ensinou 
 a língua nativa Tupi-Guarani.

Franzino, pequeno, o Apóstolo bondoso 
sereno se entrega à sagrada messe.
Humilde, piedoso, logo se agiganta 
pelo saber que transborda com força tanta!

Saúde precária, de físico frágil, 
misteres diversos exercia tão ágil:
professor, carpinteiro, alfaiate, barbeiro,
(médico e enfermeiro, quando ali não havia..).
Manejava, ainda, com arte o fogão
 e calçados (para outros...)  também fazia,
pois, lhe aprazia andar de pés no chão...

Arauto da literatura brasileira,
escritor pioneiro, poeta de escol!
 encontrava tempo para versejar
em português, latim, tupi, espanhol.

Fronte aureolada de casta virtude, 
no duro trabalho, na lida tão rude!
À Virgem suplica que forças lhe traga,
quando em Iperoig em silêncio vaga, 
pois dos Tamoios de vê prisioneiro.
- Justo ele tão santo, tenaz, verdadeiro!

Pelas índias tamoias por vezes tentado, 
enquanto o corpo com a mente guerreia, 
com o bordão, a afugentar o pecado,
escreve, encurvado, mil versos na areia.

No longo poema em louvor à Virgem,
que imensa prova nos deixou de amor 
o imaculado “Embaixador da Paz”, 
dos Tamoios o “Pacificador”!

Divino menestrel que o solo brasileiro
fecundou com a força viva da fé!
Que com doçura, professor primeiro,
 amargando sofrimento, revolta e ira
acendeu na selva claro luzeiro, 
gênio incansável, como igual não se vira!

No altar da Pátria, teu vulto sagrado
se cobre de glória e respeito profundo.
Serás, para sempre, venerado!
Anchieta - Santo e herói do Novo Mundo!

A Acadêmica Saide Maruch apresentou sua tela retratando José de Anchieta, pintura a óleo
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PALESTRA

POVOAÇÕES ABANDONADAS NO BRASIL
Prof. Dr. Nestor Razente *

Livro do Prof. Dr.
Nestor Razente, que trata
do tema
A temática “povoações abandonadas” não é tratada cientificamente no Brasil. No restante do mundo, com exceção dos Estados Unidos e Chile, ocupa espaço reduzido nos diferentes campos do conhecimento, embora o fenômeno do abandono de povoações se apresente em diferentes países, desde os mais pobres até os mais ricos. Por povoação abandonada o autor entende um conjunto de edificações que outrora foi um lugar com moradias, escola, igreja e atividades comerciais, tendo sido arraial, vila ou cidade, e que, na atualidade (2015), encontra-se em ruínas (ou não), desabitado ou com pouquíssimas pessoas residindo. 
A pergunta fundamental que orienta a questão das “cidades fantasmas” é: por que, num mundo cada vez mais urbanizado, há cidades ou povoados com pouquíssimos (ou nenhum) morador?
Frente à complexidade da temática, na  palestra, assim como em seu  livro “Povoações Abandonadas no Brasil”, Nestor Razente discute as expressões consagradas para referir-se ao tema: cidade fantasma, cidade deserta, cidade morta, vila abandonada, atrofia urbana, decadência urbana, urbicídio, ruínas modernas, urban decline, entre outras. Para todas comparece um descontentamento com a imprecisão das denominações. Por isso mesmo, adota a expressão “povoações abandonadas”.
Cidades abandonadas são formações sócias da modernidade e pós-modernidade. Elas não foram construídas somente com a urbanização intensiva. Os vários exemplos existentes no mundo após o século XX, permitem tal afirmação. 
Para estudá-las, Razente refuta todas as teorias que tentam explicar a construção e abandono das povoações, em especial o declínio urbano (urban decline) largamente utilizado por intelectuais de língua inglesa. Conclui que não há uma teoria que dê conta do fenômeno. 
Assim como Janus, deus da mitologia clássica romana, que tinha duas faces, uma para cada lado, povoações abandonadas têm diferentes cargas conceituais. Mas todas indicam dois sentidos. Uma remete para a tarefa da construção, a outra aponta o horizonte da destruição. Encontrar os elos entre elas é a tarefa metodológica para conhecermos as povoações abandonadas.
Elas podem estar vazias de gente, mas não de História. Se repousam teimosamente, resistindo ao poder transformador do tempo, muitas delas em processo de degradação física, último estágio para a volta à Natureza, um dia conheceram a energia e a força da ação do homem e a vitalidade da vida urbana.
Apresentando seu livro
Belas e horrendas, evocando o passado e o presente, aparentando e ocultando, sendo testemunhas e vítimas do tempo, povoações abandonadas – e suas ruínas arquitetônicas – são inebriantes. Nelas quase tudo se personifica: Natureza, guerra, registro da História e do tempo, memória contra o esquecimento, futuro, alegorias, fascínio, simbologia e objeto estético. 
Assim, para reconstruir o esvaziamento populacional e o abandono do lugar deve-se ver tais povoações como vivências pretéritas encrustadas nos fragmentos ruinosos. São processos sociais e espaciais, faces de uma mesma moeda. Para tanto, deve-se explorar vários domínios do conhecimento humano: sociologia, história, geografia, urbanismo, arqueologia, economia, meio ambiente e arte. 
É o que o palestrante faz em seu livro quando reconstrói a história de oito povoações brasileiras, seis delas em ruínas: Airão Velho (Amazonas), Fordlândia (Pará), Ouro Fino (Goiás), Biribiri e Desemboque (Minas Gerais), Bom Jesus do Pontal (Tocantins), Cococi (Ceará) e Ararapira (Paraná). Em síntese, uma viagem pela história do Brasil.

Nestor Razente é licenciado em Filosofia, graduado em Arquitetura e Urbanismo, mestre em Desenvolvimento Urbano e doutor pela Universidade de São Paulo (USP). 
É professor da Universidade Estadual de Londrina desde 1981. 
Seu livro tem 325 páginas, dezenas de fotos e mapas. 
Está sendo lançado pela Editora da Universidade Estadual de Londrina (EDUEL)

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Mais uma vez tivemos a grata surpresa de receber o Sr. Klaus Nixdorf, que presenteou nossa Academia com a Coletânea 2016 da ALM - Academia de Letras de Maringá. Nossos agradecimentos!