Entrevista na Rádio UEL FM

A Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina foi convidada pela jornalista Valéria Giani para uma entrevista na Rádio UEL FM.
Representando a Academia, lá estiveram os Acadêmicos Clodomiro José Bannwart Jr. e Julio Ernesto Bahr.
A entrevista está inserida em vídeo no Facebook da Rádio UEL FM e pode ser visto: copie o link abaixo e posicione o cursor no minuto 31

https://www.facebook.com/uelfm/videos/1636362759746866/

Extratos da reunião de 13/05/2018


Mesa diretiva: Acadêmicos Pilar Álvares Gonzaga Vieira, Presidente da Academia, 
ladeada pela Vice-Presidente Maria Lucia Victor Barbosa e 
Clodomiro José Bannwart Jr., o palestrante do dia

Jonas Rodrigues de Matos, nosso Mestre de Cerimônias, conduziu a reunião


Acadêmica Saide Maruch leu o Credo Acadêmico



Pilar Alvares Gonzaga Vieira

Escravidão e Servidão Humana

Hoje, 13 de maio de 2018, comemora-se uma data muita significativa para os brasileiros e para o Brasil, aniversário dos 130 anos da assinatura da “Lei Áurea” que encerrou a escravidão de pessoas, pondo fim a um período de dores e sofrimentos para nossos irmãos da raça negra.
A escravidão humana se manifestou somente com pessoas da raça negra. Outros povos de raça branca, através de suas guerras, notadamente de conquistas, faziam prisioneiros entre os povos conquistados, e estes eram mantidos como seus escravos.
No entanto, além da escravidão física, aquela sofrida através de torturas e sentida na carne, existe a escravidão dos sentidos. A escravidão dos sentidos, dos egos, das paixões, da arrogância, a ambição desenfreada de determinados governos. 

Esta escravidão é a mais nefasta para um povo, para uma nação, e é contra ela que devemos lutar, e isto só acontecerá quando as pessoas entenderem que só através do conhecimento ele adquire a liberdade, deixando a condição de servidão humana.  
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Homenagens às mães

Colaborador Cultural Aparecido Guergolette*

Dia treze de maio, data consagrada ao tributo às criaturas mais generosas e mais sofredoras neste mundo: as mães.
Elas merecem as homenagens e a admiração de seus filhos, pois conduzem com carinho e complacência os passos da criança, dando-lhe a mais dedicada e a mais purificada das assistências.  
Jamais recuariam diante do maior obstáculo na divina missão de acalentar um filho, de buscar a felicidade para a criatura que a fez sofrer as dores mais atrozes no instante de trazê-lo à luz deste mundo. Mistério santo e inefável da Natureza!
Que alta nobreza encerra o amor materno mesmo no coração do mais ínfimo e do mais árduo deste mundo!
Seu seio é um verdadeiro altar, onde não falta o incenso do sacrifício, onde não deixa de arder à vela do amor, onde há constantemente o murmúrio angelical de uma prece, onde se dá a transformação da água de seu clamor no vinho de seu sangue, onde seu filho recebe a bendita comunhão de seu leite.
Quantos padecem por este mundo afora as crianças que não têm mães, os deserdados da sorte, aqueles que perderam o melhor tesouro que a terra ingrata escondeu para sempre! 
Mães ─ incomparáveis mães ─ mães das metrópoles, mães das aldeias, mães dos campos, mães dos desertos, mães das selvas! Onde quer que seja, fale-se uma língua primorosa ou uma língua estrangeira, onde se vista elegantemente ou onde a nudez continua sendo a primitiva indumentária humana, onde exista um leito luxuoso ou uma rede tosca, há de sempre se ouvir uma doce cantiga de 
embalar o deleite acalanto do civilizado e do bárbaro, do branco e do negro, do rico e do pobre, o carinho de uma sorridente mãe junto aos soluços de um pequeno filho.
Mãe, que bom sentir o rumor de teus passos, andando pela casa, no afã do dia a dia, no silêncio da noite.
Mãe, que bom sentir o teu riso, o teu semblante amigo, semblante de que acredita e tem esperança... 
A tua voz aconselhando, corrigindo, ensinando e abençoando... Que bom sentir tuas cantigas de ninar, teus cantares soando pela sala, pelos quartos, pela casa inteira, pelos quintais e jardins, vencendo muros, correndo planícies, invadindo o céu, a terra e o mar: a tua voz enche de júbilo o mundo inteiro; o teu cântico de paz, amor, esperança, recria o homem e faz crescer a criança. 
Eis por que ─ nós vos saudamos ─ nobres e sublimes criaturas, mães de todos os filhos, em nome dos filhos de todas as mães. Que a paz reine em seus corações! Nós te amamos, queridas mães!  
Sejam felizes! 
* Aparecido Guergolette é Professor 
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Colaborador Cultural Dr. Luiz Parellada Ruiz

Dia das NÃO mães.

Muitas mulheres são mães 
E celebram o seu dia,
Muitas outras nunca foram,
Mas ficaram esquecidas:
Não encontraram um bom par;
Ou bons hormônios não tinham;
Ou deviam trabalhar
Porque a fome premia ;
Ou seguiam profissão,
Que sacrifício exigia;
Ou faltava vocação 
Para aumentar a família;
Ou elas sentiam vontade 
E o marido não queria.
Qualquer que seja o motivo 
É bom que tenham seu dia.

* Médico especialista em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial
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Colaborador Cultural Edilson Elias *

Pai João
Ciro Costa

Do taquaral à sombra, em solitária furna,
Para onde, com tristeza, o olhar, curioso, alongo,
Sonha o negro, talvez, na solidão noturna,
Com os límpidos areais das solidões do Congo...

Ouve-lhe a noite a voz nostálgica e soturna,
Num suspiro de amor, num murmurejo longo... 
E o rouco, surdo som, zumbindo na cafurna, 
É o urucungo a gemer na cadência do jongo...

Bendito sejas tu, a quem, certo, devemos
A grandeza real de tudo quanto temos!
Sonha em paz! Sê feliz! E que eu fique de joelhos,

Sob o fúlgido céu, a relembrar, magoado,
Que os frutos do café são glóbulos vermelhos

Do sangue que escorreu do negro escravizado!

Edilson Elias é jornalista
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 Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa *

Não há amor maior, laço mais profundo, doação mais perfeita, integração mais divina em termos humanos, do que a de mãe e filho.
Além disso, mãe é coisa universal. Não importa a raça, o credo, a cultura, a classe social. Em toda parte do mundo quando o filho chora a mãe acode.  Quando está em perigo, ela o protege. E se o filho chama, às vezes só pelo prazer de dizer mãe, ela responde.
Mães são guardiães da vida. Quando a criança ainda está em seu corpo, ela o nutre com seu sangue. Quando nasce, o alimenta com seu leite. Enquanto crescem elas cuidam de “suas crianças”, nas doenças e na saúde. E pela vida afora estão presentes para sempre ajudar, porque, como disse Vinicius de Moraes: “filhos são para sempre”.
Em todas as sociedades, em todos os tempos, mãe é uma das figuras mais respeitadas, na verdade, quase sagrada. É sagrada a figura da mãe em todas as religiões. A terra representa a mãe fecunda e dadivosa. Tem mãe de deuses. Tem mãe de Deus chamada de Maria.
No Brasil celebra-se as mães no mês de maio. Mês de azul intenso durante o dia. Das noites mais estreladas quando o Cruzeiro Sul resplandece em toda sua plenitude, pintando da cor mais bonita, bordando com joias mais fulgurantes o manto daquela que é chamada na hora da aflição: “A Vós suspiramos, gememos, choramos nesse vale de lágrimas”.
Mãe tem de todo jeito. Algumas são suaves. Outras impacientes. E qual mãe já não se enraiveceu diante das travessuras do filho pequeno ou dos erros do filho adulto? Mas, da palmada ao xingatório, das pequenas implicâncias ao zelo excessivo, tudo é amor de mãe e os filhos compreendem porque nessa relação especial prevalece a capacidade infinita do perdão, que as criaturas humanas aprenderam com Deus.
Sim, tem mãe de todo jeito. Tem as que não podendo trazer ao mundo um filho de sua carne, geram um filho de seu coração. E dá na mesma. Não faltam a essas mulheres noites sem dormir, preocupações e alegrias, cuidados e percepção de detalhes que cada filho requer, prevalecendo sempre o constante amor de que são feitas as mães. São elas mães adotivas. Tias que são como mães de seus sobrinhos. Freiras que cuidam de crianças como se fossem seus filhos, porque todos são filhos de Deus. A essas, que não tendo filhos deram um jeito de exercer a maternidade, podemos chamar de mães sem parto.
Também têm mães desnaturadas. Que matam, abandonam ou maltratam os filhos ou convivendo com eles lhes são indiferentes.  Indiferença é desamor e nada dói mais em um filho do que a indiferença materna. Essas mães no futuro, como sempre acontece com as ações humanas, colherão o que plantaram.  Mas não nos compete julgá-las, porque ninguém é capaz de julgar o desespero do outro.
Para compensar as desnaturadas, têm as avós. Duas vezes mães, duplamente privilegiadas. Mais maduras e experientes, muitas vezes consertam através dos netos os erros que cometeram com os filhos e enxergam, com maior lucidez, a beleza do renovar constante da vida. Uma avó pode melhor entender o que escreveu Guimarães Rosa: “Nasceu um menino, o mundo vai começar outra vez”. Ou então, olhando com ternura o netinho adormecido, pensará: Não morro mais, pois aqui está minha continuação, mais bonita e mais perfeita do que eu.
E têm as mães que perderam seus filhos, sendo esse o sofrimento mais profundo que existe. Mais para essas, quanto para todas as demais, que a homenagem do Dia das Mães esteja na poesia de Khalil Gibran:

Seus filhos não são teus filhos.
São filhos e filhas da Vida por si mesma.
Eles vêm através de ti, mas não de ti.
E embora estejam contigo, não te pertencem.

Poderá lhes dar teu amor,
Mas não teus pensamentos.
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Poderás acolher seus corpos,
Mas não suas almas.
Pois suas almas habitam a mansão do amanhã.
Que não podes visitar nem mesmo em teus sonhos.
Poderás tentar ser como eles,
Mas não tentes torná-los semelhantes a ti.

Tu és o arco pelo qual teus filhos,
Como flechas vivas são projetados.
O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito
E Ele te dá Sua força
Para que as flechas voem céleres para longe.
Que tua firmeza pela mão do Arqueiro
Seja para a alegria.
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
Ama o arco que permanece firme.

* Maria Lucia Victor Barbosa é acadêmica, socióloga, escritora.
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Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo 
O Acadêmico Maurício Fernandes Leonardo fez uma breve apresentação homenageando também o Dia das Mães. 
O Acadêmico notabilizou-se pela sua especialidade: trovas. Foi premiado em vários concursos pelo Brasil afora. Muitas das suas trovas são apresentadas de improviso.

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5 de maio, Dia da Língua Portuguesa 
Acadêmico Julio Ernesto Bahr *
(Texto de Eduardo Affonso, arquiteto, mineiro. Escreve como hobby. Tem textos sobre os neologismos, o hífen, a reforma ortográfica, o subjuntivo, a prosódia, o trema, a perífrase e outros ligados ao idioma) 

Volta e meia alguém olha atravessado quando escrevo “leiaute”, “becape” ou “apigreide” – possivelmente uma pessoa que não se avexa de escrever “futebol”, “nocaute” e “sanduíche”.
Deve se achar um craque no idioma, me esnobando sem saber que “craque” se escrevia “crack” no tempo em que “gol” era “goal”, “beque” era “back” e “pênalti” era “penalty”. E possivelmente ignorando que esnobar venha de “snob”.
Quem é contra a invasão das palavras estrangeiras (ou do seu aportuguesamento) parece desconsiderar que todas as línguas do mundo se tocam, como se falar fosse um enorme beijo planetário.
As palavras saltam de uma língua para outra, gotículas de saliva circulando em beijos mais ou menos ardentes, dependendo da afinidade entre os falantes. E o português é uma língua que beija bem.
Quando falamos “azul”, estamos falando árabe. E quando folheamos um almanaque, procuramos um alfaiate, subimos uma alvenaria, colocamos um fio de azeite, espetamos um alfinete na almofada, anotamos um algarismo.
Falamos francês quando vamos ao balé, usamos casaco marrom, fazemos uma maquete com vidro fumê, quando comemos um croquete ou pedimos uma omelete ao garçom; quando acendemos o abajur pra tomar um champanhe reclinados no divã ou quando um sutiã provoca um frisson.
Falamos tupi ao pedir um açaí, um suco de abacaxi ou de pitanga; quando vemos um urubu ou um sabiá, ficamos de tocaia, votamos no Tiririca, botamos o braço na tipoia, armamos um sururu, comemos mandioca (ou aipim), regamos uma samambaia, deixamos a peteca cair. Quando comemos moqueca capixaba, tocamos cuíca, cantamos a Garota de Ipanema.
Dá pra imaginar a Bahia sem a capoeira, o acarajé, o dendê, o vatapá, o axé, o afoxé, os orixás, o agogô, os atabaques, os abadás, os babalorixás, as mandingas, os balangandãs? Tudo isso veio no coração dos infames “navios negreiros”.
As palavras estrangeiras sempre entraram sem pedir licença, feito uma tsunami. E muitas vezes nos pegando de surpresa, como numa blitz.
Posso estar falando grego, e estou mesmo. Sou ateu, apoio a eutanásia, gosto de metáforas, adoro bibliotecas, detesto conversar ao telefone, já passei por várias cirurgias. E não consigo imaginar que palavras usaríamos para a pizza, a lasanha, o risoto, se a máfia da língua italiana não tivesse contrabandeado esse vocabulário junto com a sua culinária.
Há, claro, os exageros. Ninguém precisa de um “delivery” se pode fazer uma “entrega”, ou anunciar uma “sale” se se trata de uma “liquidação”. Pra quê sair pra night de bike, se dava tranquilamente pra sair pra noite de bicicleta?
Mas a língua portuguesa também se insinua dentro das bocas falantes de outros idiomas. Os japoneses chamam capitão de “kapitan”, copo de “koppu”, pão de “pan”, sabão de “shabon”. Tudo culpa nossa. Como o café, que deixou de ser apenas o grão e a bebida, para ser também o lugar onde é bebido. E a banana, tão fácil de pronunciar quanto de descascar, e que por isso foi incorporada tal e qual a um sem-fim de idiomas. E o caju, que virou “cashew” em inglês (eles nunca iam acertar a pronúncia mesmo).
“Fetish” vem do nosso fetiche, e não o contrário. “Mandarim”, seja o idioma, seja o funcionário que manda, vem do portuguesíssimo verbo “mandar”. O americano chama melaço de “molasses”, mosquito de “mosquito” e piranha, de “piranha” – não chega a ser a conquista da América, mas é um começo.
Tudo isso é a propósito do 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa, cada vez mais inculta e nem por isso menos bela. Uma língua viva, vibrante, maleável, promíscua – vai de boca em boca, bebendo de todas as fontes, lambendo o que vê pela frente.

*Julio Ernesto Bahr é publicitário, escritor, blogueiro


Com o pintor Euzébio Denner


Euzebio tem seu trabalho como retratista reconhecido pela qualidade de uma vida dedicada à arte. Já retratou personalidades da região de Londrina, como Dom Albano Cavalin e Dom Geraldo Magella. “Minha força está na minha arte, sem ela não seria ninguém”, diz o artista.
Morador em Rolândia, professor de pintura há vários anos, atende alunos de toda a região, inclusive de Londrina, passando a eles as mais variadas técnicas: óleo sobre tela, acrílica, aquarela, giz pastel, porcelana, etc.
Para o artista "pintar um retrato não é só jogar tinta na tela", é preciso capturar a alma do retratado, habilidade que só se adquire com o tempo e muita observação, fundamental no processo de execução da obra. Euzebio Denner pinta com uma paleta de cores reduzida. Segundo ele, o artista tem que ter a sua cor, a sua personalidade artística. Nas cores está o DNA do artista.


"Os Três Poderes" (Executivo, Legislativo e Judiciário)


Os paradoxos da política brasileira: 
perspectivas e desafios
Acadêmico Clodomiro José Bannwart Jr. *

Valemo-nos ainda de um Código Eleitoral que fora concebido em 1965, momento em que, por ironia da história, ocorria o recrudescimento dos direitos políticos no país. A consolidação do Estado de Direito e da democracia a partir da Constituição de 1988 produziram na década seguinte a base da legislação que passaria a reger a estabilidade do processo eleitoral e das eleições no Brasil. É o caso da Lei da Inelegibilidades (Lei Complementar 64, de 1990); da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei 9096, de 1995) e da Lei das Eleições (Lei 9504, de 1997).
Em quase trinta anos de democracia, apenas quatro projetos de Iniciativa Popular foram aprovados no país, sendo dois deles na esfera eleitoral: a Lei 9840, de 1999, com o objetivo de combater a compra de votos, e a Lei Complementar 135, de 2010, também conhecida como Lei da Ficha Limpa, que alterou a Lei das Inelegibilidades, tornando inelegível por oito anos os condenados em processos criminais em decisão colegiada, políticos cassados ou que tenha renunciado para evitar a cassação.
Quase regra, nos anos ímpares se observa uma reforma eleitoral modificando aspectos pontuais da legislação já mencionada. A tentativa de aperfeiçoamento das regras do jogo democrático não esconde doses generosas de casuísmo. As duas últimas reformas eleitorais, a de 2015 e a de 2017, merecem atenção.
A primeira foi patrocinada pelo ex-Presidente da Câmara dos Deputados, o agora presidiário Eduardo Cunha. Em linhas gerais a reforma teve por objetivo diminuir o astronômico custo das campanhas eleitorais. Uma saída simplista foi abreviar o tempo de campanha. Houve a redução de 50% no tempo da campanha eleitoral. De 90 dias passaram para apenas 45 dias. E a propaganda eleitoral em rádio e TV que ocupava 45 dias, por força da Lei 13.165/15, foi comprimida em 35 dias.
É patente que a diminuição e a restrição do tempo de campanha e da propaganda eleitoral sofrida por parte de candidatos e partidos, afetando inclusive os próprios cidadãos, fere os direitos fundamentais da livre expressão e da liberdade de informação, indispensáveis para o saudável exercício da cidadania e fortalecimento da democracia. Não é excessiva a afirmação de que o resultado desta reforma eleitoral mitigou direitos fundamentais consagrados na Constituição, alijando o exercício da soberania popular, cuja expressão máxime é alocada no processo eleitoral e de forma mais visível na campanha eleitoral.
A reforma eleitoral de 2017, por sua vez, foi promovida para sanar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da ADI 4650, em setembro de 2015, que proibiu o financiamento empresarial de campanha. Consubstanciada nas Leis 13.487 e 13.488, a reforma de 2017 criou o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para custear as campanhas eleitorais. Este fundo, de quase dois bilhões de reais, não se confunde com o Fundo partidário, que anualmente distribui aos Partidos Políticos a cifra de quase um bilhão de reais. Os dois fundos passarão a irrigar o sistema político com um montante de aproximadamente 2,6 bilhões de reais, os quais serão geridos pelos caciques das siglas, em um cenário em que os partidos padecem de democracia interna. Resta saber se esse dinheiro chegará a todos os candidatos, principalmente aos novos. A nova legislação impõe ao candidato a necessidade de fazer requerimento por escrito ao órgão partidário respectivo para acesso aos recursos do FEFC. A questão, no entanto, é que os Partidos Políticos gozam de autonomia e a Lei é, nesse sentido, silente quanto aos critérios que as siglas adotarão na distribuição dos recursos do fundo. É bem provável que este dinheiro não alcance a todos os candidatos, criando, pois, obstáculo à renovação na política.
Parte do montante que subsidiará o FEFC virá da renúncia fiscal a ser economizada com o fim da propaganda partidária nas emissoras de rádio e de televisão. A reforma eleitoral de 2017 deu fim à propaganda partidária. Em um cenário de permanente proliferação dos partidos políticos – quase quarenta atualmente –, no qual o eleitor tem dificuldade de identificar ideologias, propostas e bandeiras defendidas pela diversidade das siglas, extinguir a propaganda partidária é tornar mais custoso o acesso e o conhecimento de atividades e ações propugnadas pelos partidos. Isso se resume em uma conta bem simples: menos informação ao cidadão, mais dinheiro aos partidos.
Nessa contabilidade, em que a democracia sairá deficitária, há outro aspecto bastante preocupante a considerar. Trata-se do autofinanciamento de campanha. No texto aprovado pela Câmara dos Deputados, ano passado, os candidatos podiam usar até 10% de seus rendimentos na campanha. O Presidente Temer vetou o texto e o Congresso Nacional, na sequência, derrubou o veto do presidente. Como no Brasil, a Justiça Eleitoral tem função normativa, com a prerrogativa de densificar o conteúdo das normas gerais produzidas pelo Legislativo, o Tribunal Superior eleitoral (TSE) publicou mês passado a íntegra da Resolução 23.553, autorizando aos candidatos o financiamento de 100% de suas campanhas. 
A Acadêmica Neusi Berbel entrega o certificado
ao palestrante Acadêmico Clodomiro José Bannwart Jr,
Se compete a Justiça eleitoral a garantia da normalidade e, sobretudo, a legitimidade das eleições, é fundamental sua atuação para coibir ações de candidatos ou partidos que provoquem o desequilibro da disputa, sobretudo aqueles cometidos por abuso do poder econômico. Ao que parece, o autofinanciamento produzirá desequilíbrio econômico na eleição vindoura, porém, dentro da legalidade.
Surtirão pouco efeito os apelos costumeiros para que o cidadão, em ano de eleição, vote consciente. É quase ofensivo exigir coerência do eleitor diante de um sistema que sobrevive sob a insígnia do contrassenso.

* Clodomiro José Bannwart Júnior é Doutor em Filosofia na área de Ética e Filosofia Política, com Especialização em Direito Eleitoral,
e Professor na Universidade Estadual de Londrina
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Ao final da reunião. foram distribuídas
flores às senhoras presentes em comemoração
ao Dia das Mães

Extratos da reunião de 08/04/2018

Mesa diretiva, com nossa presidente Pilar Alvares Gonzaga Vieira ladeada pelos Acadêmicos Ricardo Vélez Rodrigues, palestrante do dia, e 
Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa

Jonas Rodrigues de Mattos, nosso Mestre de Cerimônias,
conduziu a reunião

O Acadêmico Julio E. Bahr foi convidado
a ler o Credo Acadêmico

MOMENTO DE ARTE

Nosso Momento de Arte contou com a presença de pianistas alunos do Prof. Rafael Matter, além da participação do Prof. Fernando Mourão ao violão, deliciando os presentes com suas interpretações.
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PALAVRA DA PRESIDENTE

As Responsabilidades Recíprocas

Estamos vivendo tempos em que, muito se fala em direitos pessoais e liberdade individual, e nos questionamos até onde esses direitos e liberdades são efetivos ou apenas teorias sem ação.
Existem pessoas que interpretam que todo tipo de proibição ou restrição é cercear nossas liberdades impostas por políticos ou governantes, com o único objetivo de nos causar maldades.
Essas pessoas se opõem a toda e qualquer espécie de limitação ou controle. Elas pensam que têm o direito à liberdade irrestrita, porém, de forma estranha, não concedem a mesma liberdade aos demais. Reclamam que elas deveriam gozar de privilégios amplos, fazendo qualquer coisa que lhe venham à mente.
Imaginemos se no imenso universo criado por Deus, os astros celestiais resolvessem alterar o sistema e ordem estabelecidos e o Sol, e outros astros, acharem que deveriam inverter essa ordem, e o Sol nascendo a noite, a Lua de dia, e assim por diante, transformariam o universo em um caos de destruição cósmica.
É muito importante saber que ninguém pode ser uma pessoa inteiramente livre, sem qualquer repressão ou controle, agindo como lhe aprouver, porque, de certa forma, cada um de nós é responsável pelo seu irmão. Não podemos viver, pensar e agir sem exercer alguma influência ou efeito sobre outras pessoas.
A liberdade de um é a liberdade de todos; o poder de um é o poder unificado de todos os seres.
Qualquer ação será egoísta e, portanto, perigosa, a menos que venha a exercer uma influência benéfica sobre o outro.
Ninguém pode esperar ser feliz, bem sucedido, e próspero, se os esforços realizados representarem sacrifícios ou perdas por parte de outras pessoas.
A única felicidade que podemos realmente sentir, além da felicidade espiritual, e a alegria física, material, que se manifesta como resultado da felicidade acumulada das pessoas que nos cercam.
Para gozar a vida com plenitude, devemos partilhar as bênçãos que recebemos. Devemos estar conscientes de nossas fraquezas e de seus efeitos sobre os outros.
Ninguém pode continuar a desfrutar o que por direito é seu, se estiver irradiando ou produzindo algo que seja destrutivo, prejudicial ou desarmônico em relação ao universo.
Limitemos nossas ambições pessoais se elas puderem dar motivos à tristeza, necessidades ou sofrimento a outras criaturas.
Tornemo-nos responsáveis pelos nossos irmãos, no sentido de ser um guardião de seus interesses, do mesmo modo que os são dos nossos próprios, assim obedecendo aos ditames da consciência humana.
Pilar Alvares Gonzaga Vieira
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DESTAQUES ACADÊMICOS


Técnicas de Manipulação e
Regimes Totalitários
Acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa*

No nazismo, assim como no comunismo, técnicas de persuasão e manipulação funcionaram como lavagem cerebral, portanto, de dominação do psiquismo coletivo. Sinais foram invertidos, o que lembra o termo “novilíngua” criado por George Orwell em sua obra “1984”, a significar o contrário de algo. Desse modo, o mal se transforma em bem, a mentira vira verdade.
Nos sistemas totalitários, nazista e comunista, tais técnicas foram levadas à perfeição. No nazismo, Joseph Paul Goebbels, ministro da Propaganda e da Informação de Hitler foi o grande artífice da manipulação. Assim, quando fracassou o boicote de Goebbels às lojas dos judeus porque foi ignorada pelo povo, ele foi às rádios e com sua oratória inflamada proclamou vitória no lugar do fracasso.
O boicote foi apenas o começo da perseguição implacável aos judeus, obsessão de Goebbels, de Hitler e de outros asseclas do Führer, o que redundou no horror do Holocausto, essa mancha negra incrustada na história da humanidade. Goebbels justificou o Holocausto persuadindo os alemães que a debacle econômica após o fracasso na segunda guerra mundial era culpa dos judeus.
Seria impossível repetir a experiência do nazismo de forma idêntica. Ela aconteceu a partir de certas circunstâncias, em um dado país, numa determinada época, sob o influxo de uma personalidade carismática sui-generis. Mas, não seria errado dizer que as maléficas sementes nazistas germinaram sob outras formas.
Vejamos, então, o que vem acontecendo em nosso País com relação ao Partido dos Trabalhadores, cujo líder, finalmente preso em 07/04/2018 por corrupção, todavia ainda sonha voltar ao poder ou influenciar a eleição de um preposto seu.
1º) O Partido Nacional Socialista dos trabalhadores da Alemanha, surgido em 1920, era oriundo do Partido dos Trabalhadores da Alemanha fundado em 1904. Entre os fatores que caracterizaram o Nacional-Socialismo cumpre ressaltar a ascensão e a veneração de cunho religioso do Führer.
Lula, apesar de estar anos-luz longe de Hitler. obteve a veneração de seus militantes e adeptos. Além disso, como no nazismo, as atividades do movimento petista se baseiam no líder e os correligionários continuam dependendo dele para suas pretensões eleitorais.
2º) A figura de Adolf Hitler representava o homem comum, de origem humilde, ansioso para compensar seus sentimentos de inferioridade através da militância política.
Qualquer semelhança com Lula nesse aspecto não é mera coincidência.
3º) Hitler e seu partido, além da penetração popular foram encarados pela classe alta como representantes de seus interesses.
Lula ofereceu caridades oficiais aos pobres e enriqueceu como nunca banqueiros, empreiteiros e outros representantes da classe alta, que agora ele critica como sendo uma das causas de sua desgraça e os chama de elite. Muitos desta elite foram presos graças a operação Lava Jato por estarem envolvidos nas falcatruas de Lula e seu partido.
4º) A pregação nacional-socialista fascinou muitos intelectuais. Tanto é que, em 1926, na Universidade de Göttingen, que chegou a ser o maior centro de pesquisas de matemática do mundo, mais da metade dos alunos era nazista.
A grande chocadeira ideológica do PT foi implantada nas universidades. Em vez de nazismo, os intelectuais orgânicos do PT ensinaram palavras de ordem de cunho marxista e obtiveram abundantes convertidos, que se tornaram devotados eleitores petistas.
5º) Hitler seduziu a nação através de intensa propaganda produzida pelos meios de comunicação dominados por Goebbels. Em exaltados discursos o Führer acentuou a esperança, a autoestima, as boas notícias e prometeu ao povo alemão um futuro brilhante, numa linguagem que podia ser compreendida até pelas pessoas mais simples. A aprovação de Hitler chegou a 80% e ele seguiu à risca a ideia do seu grande inspirador, Mussolini, que dizia: “Em política, 97% do apoio popular vem da propaganda governamental e só 3º das realizações efetivas”.
Duda Mendonça e Santana (de codinome Feira), os homens da propaganda petista, seguiram à risca, talvez, instintivamente, as recomendações de Goebbels e de Mussolini.
Hitler foi preso e na prisão outro detendo, o escritor Rudolf Hess, escreveu um livro, “Minha Luta”, no qual ideias de Hitler se misturaram às de Hess.
Lula, mesmo antes de ser preso, mandou jornalistas colocar em livro três entrevistas suas.  O título é: “A Verdade Vencerá – o povo sabe porque me condenaram”.
Novamente isso lembra a “novilíngua”, pois o título correto é: “A Mentira Vencerá”. Quanto ao povo, sem dúvida sabe porque o condenaram.
Condenado e preso em 07/04/2018, por conta de um de seus inúmeros processos e esperando ser julgado por outros seis, Lula é um fakenews, a farsa personificada que diz estar na (minha) luta e se faz de vítima.
E esperar para ver se vencerá a verdade ou a mentira, a Justiça ou a insegurança jurídica, o Estado Democrático de Direito ou a anarquia.
*A acadêmica Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, professora, escritora.
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"Sobre a tirania: não obedeça de antemão"
Leitura pela Acadêmica Ludmila Kloczak *

(Texto de Timothy Snyder: Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente. 1ª.ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2017) 

Entre as vinte lições do século XX para o presente, Timothy Snyder, historiador da Universidade de Yale, ensina a não obedecer de antemão ao poder. Para ele, “a maior parte do poder do autoritarismo é concedido voluntariamente”. Para fundamentar suas observações, percorre eventos  históricos autoritários consolidados facilmente pela obediência por antecipação da população. Assim, a implantação do nazismo na Alemanha, a anexação da Áustria, a caça aos judeus pelos nazistas austríacos, a eleição dos comunistas na Checoslováquia com a rápida e completa mudança de um regime democrático para o regime comunista, só foram possíveis porque a obediência por antecipação mostrou à alta cúpula do poder, em ambos os casos, o que poderiam fazer para se perpetuar no poder. 
O autor cita um experimento conduzido por Stanley Milgram na mesma Universidade, em que pessoas deveriam aplicar supostos choques elétricos a sujeitos desconhecidos numa situação de suposta aprendizagem. Os participantes aplicavam os choques sem se deixar afetar pelas cenas de (aparente) horrível sofrimento e aumentavam sua intensidade até os sujeitos sucumbirem à (aparente) morte. 
Os eventos históricos totalitários e o experimento, ambos calcados na obediência por antecipação, a indicar ”que as pessoas são particularmente receptivas a novas regras num ambiente novo”, revelam, ao mesmo tempo, que as pessoas são dotadas de uma inclinação autoritária que é só necessário estimular e dar condições para a sua manifestação. 
* Ludmila Kloczak é psicóloga
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PALESTRA


Segurança Pública: 
a Experiência Colombiana e o Brasil
Acadêmico Ricardo Vélez Rodríguez*

A Intervenção Federal no Rio, decretada pelo Presidente Michel Temer e aprovada pelo Congresso no final do mês de fevereiro de 2018, abriu as portas para a efetivação de um Plano Nacional de Segurança. Isso porque o decreto de Intervenção Federal veio acompanhado da criação do Ministério da Segurança Pública. A decisão foi motivada, inicialmente, pelo aumento expressivo da violência praticada por narcoterroristas no Rio. Mas certamente responde, também, ao fato de que mais de 60.000 pessoas são assassinadas por ano no Brasil, o que nos coloca no topo das nações mais violentas do mundo. A situação é catastrófica. Medidas excepcionais devem ser tomadas em face de problemas igualmente excepcionais. O potencial de violência contra a sociedade civil só tende a aumentar, se levarmos em consideração a disseminação do crack, o refugo mais tóxico da cocaína, em 97% dos municípios brasileiros. Em face dessa realidade, a Intervenção Federal no Rio é a ponta de lança para a implantação de uma Política Nacional de Segurança Pública.  
No ano de 2007, os governadores dos Estados de Minas Gerais (Aécio Neves) e do Rio de Janeiro (Sérgio Cabral) estiveram na Colômbia, visitando as realizações sociais que, nas cidades de Bogotá e Medellín, tinham ajudado a restabelecer a paz, diminuindo sensivelmente os índices de violência. 
No Rio de Janeiro foram empreendidos projetos que se inspiraram nas políticas públicas desenvolvidas nas metrópoles colombianas. As “Unidades de Polícia Pacificadora” implantadas pelo governador do Rio mudaram para melhor o convívio dos cidadãos, em áreas onde antes dominavam os traficantes. Estes tinham constituído redutos onde imperava a vontade dos criminosos com a quase absoluta ausência do Estado. A iniciativa mencionada, contudo, não foi efetivada de forma completa, tendo dado ensejo, assim, a contínuas reclamações de moradores, estudiosos, agentes pastorais, policiais, etc. 
Desenvolvi dois itens relacionados à política de Segurança Pública que foi implantada na Colômbia entre 2002 e 2012, levando em consideração que se trata de uma solução que deu certo num país que possui muitas semelhanças culturais, econômicas e políticas com o Brasil. 
Segundo pesquisa da Universidade de Genebra , pelo menos 475.000 civis e combatentes morreram vítimas do conflito armado na Colômbia, entre 1979 e 2005. Os grupos guerrilheiros e paramilitares foram os principais responsáveis pelas mortes de civis. Os paramilitares tiveram grande participação no transporte e distribuição de drogas, enquanto que a guerrilha participou do processo produtivo. 
O impacto da violência armada na Colômbia foi tão grande que fez diminuir em até 40 meses a expectativa de vida de pessoas nascidas a partir de 2002. A maior parte das armas que circulavam, no período compreendido entre 1996 e 2006, era ilegal. O número de armas em poder dos particulares, legal e ilegalmente, (sem contar as pertencentes às Forças de Segurança do Estado) era calculado entre 2,3 milhões e 3,9 milhões, o que apresentava una taxa de posse de armas entre 5,05 e 8,42 por 100 habitantes. As estatísticas oficiais indicavam que havia apenas 1,53 armas de fogo legais por 100 habitantes, uma taxa baixa, em comparação com outros países latino-americanos. Os homens constituíam mais de 90% das mortes por armas de fogo. Mais de um terço dessas mortes abarcava homens jovens, entre 20 e 29 anos de idade. Entre 1985 e 2006 houve uma perda de mais de 342.000 anos de vida produtiva no país.
A prática da extorsão mediante seqüestro tornou-se o maior flagelo social. Há quinze anos havia na Colômbia 4.000 sequestrados. A guerrilha das FARC era a grande responsável por esse flagelo: 60% dos seus ingressos provinham dessa modalidade delituosa. Juízes, vereadores, prefeitos, intelectuais, professores, religiosos e jornalistas, profissionais geralmente alinhados com a defesa dos direitos humanos, figuravam entre as principais vítimas da violência armada. 
Só para dar um exemplo: nos anos 80 e 90 do século passado, os traficantes assassinaram aproximadamente 200 funcionários públicos ligados ao Judiciário (magistrados, juízes e agentes judiciais), incluindo entre essas vítimas vários membros da Corte Suprema de Justiça e do Conselho de Estado, que foram sacrificados na tomada do Palácio da Justiça em Bogotá, por um comando de guerrilheiros do grupo M-19 pagos por Pablo Escobar, em novembro de 1985. Finalidade desse golpe contra as instituições democráticas: derrubar o Tratado de Extradição firmado entre a Colômbia e os Estados Unidos, que afetava diretamente aos chefões dos cartéis da cocaína. Entre 1984 e 2009 foram assassinados 75 religiosos (2 bispos, 62 sacerdotes, 8 membros de comunidades religiosas e 3 seminaristas). Em 2006, 17 bispos da Igreja Católica recebiam proteção policial permanente do Agrupamento de Segurança Eclesiástica da Polícia colombiana.
Com a finalidade de unificar o combate à criminalidade, as reformas constitucionais feitas em 1993 atribuíram aos alcaides (prefeitos) das áreas metropolitanas a missão de coordenar as políticas públicas que visavam à segurança cidadã. O prefeito, nessas regiões, passou a desempenhar as funções de chefe de polícia.
A Polícia Nacional experimentou uma forte modernização, bem como a depuração dos maus elementos. Em Bogotá e Medellín foram extintas as bandas podres que davam cobertura aos meliantes. A população, em contrapartida, passou a confiar mais na corporação policial. 
As Forças Armadas constituíram duas unidades especializadas de combate urbano e na selva contra focos de narcotraficantes, paramilitares e guerrilheiros, desde início dos anos 90. 
Os Prefeitos das Áreas Metropolitanas e os seus assessores passaram a identificar as áreas mais violentas das cidades e a definir as ações que deveriam ser feitas para erradicar os focos de narcotraficantes, paramilitares e guerrilheiros ali instalados. A ação da Força Pública foi rápida e, uma vez desarticulados os focos violentos, a Polícia passou a ocupar, de forma permanente, as áreas que foram objeto da intervenção.
Com a finalidade de restabelecer a confiança da população nas autoridades, tanto em Bogotá quanto em Medellín foram ocupados pelo poder municipal os lugares mais problemáticos da cidade. 
Todas as obras foram financiadas pelas respectivas Prefeituras, mediante parcerias público-privadas (90% do investimento), ou ajuda internacional (10%). Os empreendimentos sociais chamaram a atenção de governos estrangeiros. Foi criado um “imposto de guerra” para financiar a luta contra o cartel das FARC, que tinha presença em quase todas as regiões do país. 
Entre 1993 e 2007 a taxa de homicídios caiu 79% em Bogotá, passando de 80 por 100 mil habitantes para 17. A taxa, em Medellín, caiu 90%, passando de 380 por 100 mil habitantes, para 26. 

Papel importante coube, nesse esforço, à rede de bibliotecas públicas de Bogotá e Medellín (existem 30 delas na primeira cidade e 40 na segunda), e a sua principal finalidade consiste em recuperar o espaço público deteriorado e facilitar a convivência.
Essas políticas públicas de ocupação e resgate de áreas marginais foram precedidas, em Bogotá e Medellín, pela participação cidadã na luta contra a violência, no movimento cívico “Como Vamos”. Este Movimento surgiu, nas principais cidades colombianas, ao longo da década de 1990, inspirado na resistência cívica dos indígenas contra guerrilheiros e paramilitares. 
Em meados da década de 90 consolidaram-se os movimentos “Bogotá como vamos” e “Medellín como vamos”. O movimento, nas duas cidades, foi organizado a partir das Câmaras de Comércio. Somaram-se a essa iniciativa as Universidades, bem como algumas Fundações mantidas pela Indústria e a Imprensa. 
Da experiência colombiana, com certeza, podemos tirar algumas lições práticas, em face dos projetos de pacificação denominados de UPPs, no Rio de Janeiro, e que, se forem complementados com as ações sociais que não foram efetivadas, poderão servir de vitrine para projetos de pacificação em outras cidades. Eis as principais recomendações:
1 – Urgência de sanear os organismos policiais, a fim de recuperar a credibilidade deles entre os cidadãos. 
2 – Necessidade urgente de revisar a legislação existente, a fim de que se assinalem os caminhos pelos quais as Forças Armadas podem participar de ações contra o terrorismo imposto pelo narcotráfico.
3 – Falta definir, no Brasil, uma política de alcance nacional que identifique e equacione o deslocamento interno dos criminosos. 
4 – Na estratégia desenvolvida para aplicar políticas públicas de pacificação em áreas urbanas, é importante levar em consideração que a ação policial tem de estar acompanhada, ao mesmo tempo, das intervenções sociais que visem a devolver aos cidadãos a autoestima. 
5 – É necessária a colaboração efetiva da sociedade civil na concretização das políticas de segurança pública e de pacificação. 
6 – É necessário, outrossim, que todos os poderes públicos, no plano estadual, federal e municipal, bem como as três ramas do poder, executivo, legislativo e judiciário, assumam uma posição coordenada, em face do combate ao narco-terrorismo, de acordo com a defesa do estado de direito e dos direitos humanos. 
7 – A sociedade civil precisa se convencer, no Brasil, de que uma adequada política de segurança pública é cara e precisa ter fundos claramente destinados, com duração continuada. 
8 – Um item mereceu especial dedicação na Colômbia, tanto de parte do governo central, qupanto dos governadores e prefeitos: a instauração de uma rede nacional e local de inteligência a serviço da Polícia Nacional e das Forças Armadas. 
9 – É inaceitável que, no Brasil, os marginais do PCC e de outras siglas sanguinárias sejam os que efetivamente controlam os presídios. Uma ação forte e rápida de inteligência e de repressão deve ser deslanchada pelas Forças da Ordem para tolher o abuso praticado pelos criminosos no sistema prisional brasileiro. 
O palestrante Acadêmico Ricardo Vélez Rodríguez
recebendo seu Certificado de Participação
das mãos do Acadêmico Miguel Contani
10 - Levando em consideração que já há várias cidades brasileiras que integram a experiência iniciada na Colômbia com o Movimento “Como Vamos” (Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis), seria interessante que houvesse eventos que avaliassem essa experiência e divulgassem os resultados obtidos, a fim de que essas realizações pudessem servir a outras cidades preocupadas com as questões da segurança pública. 
*Professor na Universidade Positivo, Londrina.
Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa”, da UFJF.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Professor emérito da ECEME.

Vista do auditório

Acadêmicas Fátima Mandelli, Dinaura G. Pimentel Gomes, Pilar Alvares Gonzaga Vieira,
Saide Maruch, o convidado Henrique Luck e o Acadêmico Sergio Alves Gomes